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      Ella Lei atenta ao impacto familiar devido ao aumento de propinas no ensino superior

      Ella Lei manifestou-se preocupada com o aumento das propinas em três instituições do ensino superior no próximo ano lectivo, salientando que o momento de entrada em vigor do ajustamento é “errado”. A deputada considera que, apesar do Governo ter anunciado o lançamento de isenção parcial das propinas para novos estudantes locais, a subida significativa das propinas aumentará o encargo financeiro de muitos alunos e famílias, particularmente num contexto social afectado pela pandemia.

       

      O aumento do valor das propinas em três instituições públicas do ensino superior em Macau e a subsequente pressão económica carregada aos alunos e respectivas famílias são alguns dos assuntos que estão a preocupar Ella Lei. Numa interpelação escrita remetida à Assembleia Legislativa, a deputada referiu estar atenta ao eventual “efeito de ondulação” da subida de propinas em outras universidades privadas.

      A decisão de ajuste das propinas na Universidade de Macau (UM), Universidade Politécnica de Macau e Instituto de Formação Turística de Macau vai ser implementada no próximo ano lectivo, tendo já gerido discussões na sociedade no início deste ano. “As autoridades aprovaram o aumento das propinas das três instituições públicas do ensino superior com base no facto de não terem elevado as respectivas propinas durante vários anos. No entanto, o momento dessa medida é de facto errado e a taxa de aumento é demasiado alta. No caso da UM, as propinas dos cursos de licenciatura para alunos residentes subiram em mais de 50% em dois anos, enquanto que as dos cursos de mestrado vão subir em mais de 35% no novo ano académico”, criticou Ella Lei.

      A deputada ligada à Federação das Associações dos Operários (FAOM) realçou ao mesmo tempo que, perante a situação socioeconómica actual afectada pela pandemia, muitos cidadãos estão a sofrer com o desemprego e cortes de salários, acrescentando que o preço do nível de vida está cada vez mais elevado, e a pressão financeira nas famílias aumentou ainda mais.

      A interpelação da deputada menciona as estatísticas das autoridades, que indicam que o número médio de indivíduos empregados por agregado familiar era de 1,7 pessoas e a média de rendimento era de 30 mil patacas antes do surgimento da pandemia. Contudo, o número foi reduzido para 1,6 pessoas com emprego por agregado familiar e o rendimento médio baixou para 28 mil patacas no ano passado.

      “Embora o Governo tenha justificado que as instituições de ensino superior públicas lançaram, ao longo de dois anos consecutivos, medidas de isenção parcial das propinas uma única vez, para novos estudantes de Macau que querem frequentar cursos de licenciatura, a subida substancial das propinas deve aumentar a carga financeira de muitos pais”, lamentou.

      Recorde-se que a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude reiterou que “antes de ajustar as propinas, as instituições do ensino superior procederam a avaliações prudentes e estudos profundos, nomeadamente à consideração geral das propinas cobradas nas regiões vizinhas em articulação com o desenvolvimento da sociedade de Macau e a capacidade para suportar encargos dos residentes, entre outros factores”.

      Neste caso, Ella Lei considera que o aumento “parece já não ter espaço para negociar”. Todavia, a persistência da epidemia e a taxa de desemprego levaram a deputada a questionar as autoridades sobre possíveis medidas adicionais para aliviar a pressão financeira das famílias.

      A também vice-presidente da direcção da FAOM considera que, além do aumento das propinas, a sociedade está ao mesmo tempo a prestar atenção ao investimento de recursos, às políticas educativas e à qualidade pedagógica na educação do ensino superior no futuro.

      Destacando a importância do desenvolvimento do sistema educativo em Macau para a sociedade, economia e cultura, Ella Lei frisou que o Governo deve injectar mais recursos para promover a política de baixas propinas no ensino superior, com o intuito de assegurar a igualdade de oportunidades de acesso à educação e promover a diversidade no desenvolvimento de talentos.

      Por outro lado, a deputada alertou que o desenvolvimento a longo prazo do ensino superior não pode ser alcançado sem apoio de pessoal académico e investigadores científicos qualificados, lembrando que “muitos quadros qualificados naturais de Macau estão a trabalhar no estrangeiro e indicaram que é difícil para eles entrar no mercado local e desenvolver a carreira”. Ella Lei questionou assim as medidas para atrair o regresso dos talentos locais no domínio académico e resolver a escassez de formação estável de docentes universitários locais.

       

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