O colhereiro-de-cara-preta passou recentemente a ser avaliado como espécie “vulnerável”, deixando a classificação “em perigo de extinção”, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, elogiando as acções de conservação bem-sucedidas durante as últimas três décadas. O Censos Internacional conduzido pela Hong Kong Bird Watching Society revelou ter identificado 7.081 colhereiros-de-cara-preta no mundo, mas alerta para a necessidade de uma maior protecção da espécie em Macau, onde o número desta ave marinha tem diminuído.
O número de colhereiros-de-cara-preta conseguiu uma recuperação “notável”, passando de cerca de 400 em 1995 para cerca de 7.000 no ano passado, avançou a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla inglesa).
De acordo com a avaliação mais actualizada sobre a Lista Vermelha das espécies ameaçadas da IUCN, o colhereiro-de-cara-preta está agora classificado como espécie “vulnerável”, deixando de estar listado como espécie “em perigo de extinção” desde 2000, após ter permanecido “em perigo crítico de extinção” desde 1994.
A IUCN assinalou que o aumento da população mundial de colhereiros-de-cara-preta foi resultado de “acções de conservação bem-sucedidas” nos últimos trinta anos, sendo que a tendência actual da respectiva população está “estável” em geral, com uma estimativa de 3.000 a 5.100 aves adultas.
Na análise, a IUCN deixou, contudo, um alerta para ameaças enfrentadas pelo colhereiro-de-cara-preta, ave marinha que se encontra apenas na Ásia e se reproduz na Península da Coreia, passando o Inverno ao longo da costa sul da China – incluindo Macau – e outras regiões do Leste Asiático e Sudeste Asiático. “A população parece agora ter-se estabilizado aproximadamente e, em alguns locais, está em declínio. As ameaças continuam graves em grande parte da área de distribuição da espécie, particularmente a perda de habitat, e prevê-se que, num futuro próximo, a espécie entre em declínio”, alertou. A IUCN acredita que, com a intensificação destas ameaças, o número de colhereiros-de-cara-preta comece a diminuir nas próximas uma a duas gerações, até 2050, e o declínio populacional seja superior a 30% nas próximas três gerações. “Dado que a dimensão da população continua a ser pequena, prevê-se que a espécie tenha um risco elevado de extinção”, concluiu a organização, citando a análise de dados do Censos Internacional do colhereiro-de-cara-preta coordenado pela “Hong Kong Bird Watching Society” (HKBWS), divulgado no início deste mês.
ALERTA PARA MACAU
O Censos Internacional da HKBWS referente a 2025 revelou ter identificado um total de 7.081 colhereiros-de-cara-preta, número que representa um aumento de 1,3% em relação à contagem do Inverno anterior, de 6.988, batendo o recorde desde que há registo deste censo. O relatório salientou que o maior local de invernada do colhereiro-de-cara-preta continua a ser Tainan, em Taiwan, com 2.439 aves contadas.
A HKBWS disse que a perspectiva de conservação está “melhor” do que no passado, “mas, certas áreas, como Macau, requerem mais atenção e recursos para lidar com o declínio contínuo ou a longo prazo nos números. Compreender os requisitos de habitat desta espécie nestes locais é crucial para a sua conservação”, advertiu.
Segundo as estatísticas do censo, um total de 16 colhereiros-de-cara-preta passaram o Inverno em Macau, o que representa apenas 0,2% do total global.
Em Macau, as principais áreas de pesquisa e observação foram as Zonas Ecológicas no COTAI, designadas para a conservação da vida selvagem e das zonas húmidas. Já a planície intertidal adjacente a estas zonas e quaisquer habitats costeiros adequados também foram incluídos no censo.
“Embora o número tenha registado um pequeno aumento de três aves, estes habitats podem já não ser tão atraentes como eram no passado”, destacou a HKBWS.
O relatório notou que foram encontrados 184 colhereiros-de-cara-preta em locais próximos em Zhuhai e Jiangmen durante este censo, um crescimento de 4% em relação ao ano passado, indicando que estas áreas próximas podem ser mais atraentes do que Macau.
“Macau, um local tradicional onde os colhereiros-de-cara-preta passam o Inverno, tem registado um grande declínio [desta espécie] nos últimos anos. Apesar de um aumento de três este ano para 16, continua a ser o segundo mais baixo registado nos últimos 25 anos. O futuro deste local tradicional permanece incerto”, alertou.
Recorde-se que a mascote do turismo de Macau, “Mak Mak”, é um colhereiro-de-cara-preta inspirado no Farol da Guia.
De acordo com os censos feitos pela HKBWS nos últimos anos, o número identificado de colhereiros-de-cara-preta foi de 53 em 2019; 40 em 2020; 45 em 2021; mas depois diminuiu drasticamente para 22, em 2022, e 21, em 2023.
A associação, quanto à conservação do colhereiro-de-cara-preta, chamou a atenção ao público para prestar mais apoio para fazer face às ameaças existentes, como o facto de as zonas húmidas costeiras continuarem a sofrer os impactos da urbanização, da recuperação de terras, da poluição e da perturbação humana. A HKBWS acrescentou que as instalações de energia renovável, como parques eólicos e solares, estão a invadir os seus habitats e as ameaças decorrentes de doenças aviárias e das alterações climáticas também estão a intensificar-se.











