A Cáritas Macau recebeu até final de Setembro 3.509 pedidos de apoio para o Banco Alimentar, disse o secretário-geral da organização, indicando que o valor final do ano não se deverá afastar do de 2024.
“Prevemos que [em 2025] ultrapasse os quatro mil, como no ano passado”, notou à Lusa Paul Pun, apontando que, em 2024, chegaram à organização humanitária 4.936 pedidos, que, por sua vez, representa uma queda de 2,5% em relação a 2023 (5.065).
Numa comparação anual, os primeiros nove meses de 2025 apresentam valores semelhantes aos verificados no mesmo período de 2023 e 2024: 3.589 e 3.596, respetivamente.
Ainda assim, verifica-se este ano uma ligeira descida, que poderá estar relacionada com a “existência de outros recursos de apoio” ou “maior facilidade em concorrer a habitação social”, observou Pun, dando a entender que o mais fácil acesso a casas públicas poderá aliviar as contas ao fim do mês.
O programa, dirigido a pessoas de baixo rendimento e financiado pelas autoridades, prevê que o apoio do Banco resulte no auxílio alimentar por um período de dez semanas, sendo que no prazo de 12 meses é possível fazer-se uma segunda solicitação.
Macau tinha, no final do primeiro semestre, 685.900 habitantes, dos quais 182.583 eram trabalhadores sem estatuto de residência (TNR), de acordo com dados oficiais. Entre os TNR, salientou Paul Pun, também há um grupo que recorre à organização de assistência social. No sábado passado, disse, perto de mil receberam apoio na forma de cabazes alimentares.
O salário mínimo de Macau, cidade com um dos Produtos Internos Brutos (PIB) per capita mais elevados do mundo, é de 7.072 patacas por mês ou 34 patacas por hora, não abrangendo os trabalhadores domésticos, na maioria TNR.
Cáritas local apoia 2.100 pessoas no Paquistão e Bangladesh
O secretário-geral da Cáritas Macau disse que, como Macau não enfrenta problemas “muito graves de pobreza”, a organização está a apoiar famílias desfavorecidas no Bangladesh e Paquistão, chegando a ajuda a 2.100 pessoas. “Uma vez que Macau não enfrenta problemas muito, muito graves de pobreza, depositamos a nossa energia e o nosso trabalho também em outras regiões”, indicou Paul Pun Chi Meng, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Na semana passada, Pun regressou de Sylhet, cidade no nordeste do Bangladesh que tem visitado várias vezes desde 2023, ano em que a Cáritas Macau se envolveu num programa para a “melhoria da saúde e nutrição de crianças desfavorecidas”. Com doações na ordem dos 15 mil dólares anuais, a ajuda já alcançou 400 pessoas, referiu o responsável. “Esperamos que, através da formação, ao nível de cuidados com os recém-nascidos, das mães, possam alcançar uma vida melhor”, apontou o secretário-geral da Cáritas Macau, notando ainda que, em cima da mesa está a possibilidade de disponibilizar recursos para a formação profissional de adolescentes que abandonaram a escola.
Há um mês, Paul Pun esteve também em Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão, com cerca de 14 milhões de habitantes e que foi afetada, nos últimos anos, por várias cheias.
O auxílio da Cáritas Macau ao programa “Educação informal e desenvolvimento de jovens e mulheres”, com a transferência de até 35 mil dólares anuais, já tocou a vida de 1.200 crianças e 500 adolescentes em Lahore, de acordo com o líder da organização humanitária. “As crianças não têm escolas [nestes lugares]. Participam neste programa de educação informal para que tenham uma oportunidade de atingir os padrões e um dia possam entrar na escola”, referiu.
Além de apoiar a educação de adolescentes – “sobretudo rapazes” – em áreas como a informática, o programa compreende ainda a formação de competências “por parte de jovens mulheres”.
À Lusa, Paul Pun referiu que a assistência internacional da Cáritas Macau chega “via vários canais”, nomeadamente através de doações e da organização Good Fortune Charity Shop, a empresa social da Cáritas Macau, que recolhe bens doados para venda beneficente.
A Cáritas de Macau, fundada em 1951, conta com 46 unidades de serviço social e unidades de serviço educativo espalhadas pelo território, atendendo mais de 10 mil pessoas por ano, de acordo com o portal na Internet da organização. Lusa











