Dois comerciantes, que detêm quatro lojas na Ponte-cais nº 16, denunciaram ao PONTO FINAL que lhes foi dado um prazo de apenas uma semana para que desocupassem os seus estabelecimentos, para que depois fossem devolvidos ao Governo. Os comerciantes pedem o prolongamento do prazo e que lhes sejam atribuídos novos espaços.
A Ponte-cais nº 16, no Porto Interior, será entregue ao Governo depois da renúncia do terreno por parte da Sociedade Ponte 16 – Desenvolvimento Predial S.A., no ano passado. Muitas lojas que ali exploravam o negócio já fecharam as portas no final do mês passado, mas alguns inquilinos ainda resistem.
Em entrevista ao PONTO FINAL, dois lojistas – Lam e Cheung, responsáveis há anos por quatro lojas na Ponte-cais nº 16, as únicas que ainda não saíram da zona, queixam-se da “confusão” causada pelos procedimentos de desocupação e da falta de tempo para concluir a mudança. Os comerciantes pedem, nesse sentido, que o Governo intervenha no assunto, dando um período prolongado para a mudança e que ajude a encontrar um novo espaço.
A notificação para a mudança obrigatória das lojas “chegou tarde”, apesar de o Governo já ter anunciado o plano de revitalização das Ponte-cais n.ºs 12A, 14 e 16 do Porto Interior há um ano e meio. De acordo com Lam e Cheung, foram recebidas três notificações para a desocupação das lojas, contudo, a primeira foi em 23 de Setembro, exigindo a saída no dia 30 de Setembro.
“A notificação chegou logo após a passagem do tufão, que causou inundações graves nas lojas no Porto Interior, referindo que ia conceder o prazo de uma semana para sairmos”, indicou Cheung. O prazo foi depois prorrogado por mais uma semana, até 7 de Outubro, após a intervenção de deputados na negociação entre os comerciantes e a Sociedade Ponte 16.
Para Lam e Cheung, tudo foi “demasiado precipitado”. Segundo ambos, o Governo já tinha avisado o proprietário em Novembro passado, mas este não avisou as lojas. “Se eles tivessem avisado as lojas com maior antecedência, teríamos tempo para encontrar uma nova loja. Mas disse-me para ir embora de imediato, o que devo fazer?”, lamentou Lam.
Com quatro lojas no local, incluindo um espaço religioso dedicado ao culto de Kun Iam, sendo também a sede da Associação de Caridade Tó Ói, que Lam preside; uma cafetaria onde costumavam jantar; uma loja de antiguidades; e mais um espaço para armazenamento de outras coisas, Lam e Cheung revelaram que os contratos de arrendamento dos espaços são válidos até 2026. No entanto, apesar de não ter terminado o prazo dos contratos, a saída deles não está sujeita a qualquer indemnização.
DIFICULDADES EM MUDAR
Para o despejo, a Sociedade Ponte 16 procedeu esta terça-feira ao corte de electricidade a estas quatro lojas, o que colocou mais dificuldades à mudança, no escuro, de Lam e Cheung, além da impossibilidade de encontrar um lugar adequado para relocalização dos objectos das lojas, nomeadamente os objectos religiosos.
“Já mudámos metade das coisas e, para o resto, precisamos de encontrar um lugar para abrigar uma estátua de Kun Iam e de outras divindades, uma vez que temos um contexto religioso”, salientaram.
De acordo com Lam, também presidente da Associação de Caridade Tó Ói, o grupo já contactou algumas organizações religiosas para prestar ajuda, mas sem sucesso.
A responsável do grupo religioso espera poder encontrar um espaço que sirva também como sede da associação, que conta actualmente com quase 400 membros, cuja maioria são idosos. Segundo Lam, a associação tem vindo a organizar actividades de caridade no local durante os últimos nove anos, nomeadamente a distribuição de alimentos.
Por outro lado, Lam e Cheung, desiludidos com a mudança das lojas, recordaram ter sofrido grandes prejuízos durante os tufões, nomeadamente no recente tufão Ragasa, devido a danos de equipamentos e artigos nas lojas.
Os comerciantes lamentam que o Governo não tenha prestado qualquer ajuda, quer na desocupação de lojas, quer na resposta às perdas durante os tufões. Recorde-se que o Executivo tinha dito que foi falar com os comerciantes do Porto Interior após o tufão Ragasa para compreender as perdas, mas Lam e Cheung realçaram que não receberam nenhuma visita do Governo.
Em relação ao despejo e eventual acompanhamento do caso de Lam e Cheung, o PONTO FINAL enviou contactou o Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças para esclarecimento do assunto, mas não foi recebida qualquer resposta até ao fecho desta edição.











