Há actualmente em Macau um total de 3.830 pessoas que foram diagnosticadas com demência e que estão a receber tratamento médico nos Serviços de Saúde. Segundo o organismo, do início do ano até Agosto, já foi realizado um exame do estado mental a mais de 2.270 pessoas para avaliar as suas as funções cognitivas.
Confrontada pelo agravamento do envelhecimento populacional em Macau, as autoridades garantem uma “preocupação contínua” com os serviços médicos relacionados com a demência, revelando que, até ao momento, o número de pessoas diagnosticadas e tratadas com demência nos Serviços de Saúde ultrapassa as 3.830.
Os Serviços de Saúde procederam à realização de um pequeno exame do estado mental (MEEM) a mais de 2.270 pessoas, com o propósito de avaliar as funções cognitivas, no período compreendido entre Janeiro e Agosto deste ano.
Os números foram avançados numa resposta do Instituto de Acção Social (IAS) ao deputado Leong Hong Sai, que alertou, numa interpelação escrita, para a necessidade de medidas para reduzir o risco de ocorrência de demência entre os idosos em Macau.
Recorde-se que o Governo tinha avançado no mês passado que a consulta de demência dos Serviços de Saúde recebe, por ano, uma média de cerca de 600 novos casos. O número mostrou uma tendência crescente, uma vez que a média de novos casos nos últimos anos foi cerca de 500. Além disso, a Associação da Doença de Alzheimer de Macau afirmou que existem actualmente cerca de 6.000 pacientes com demência em Macau, incluindo os quase quatro mil portadores tratados nos Serviços de Saúde.
Neste âmbito, o IAS assegurou na resposta que estão disponíveis no território várias iniciativas relacionadas com prevenção e serviços sobre a demência. Segundo Hon Wai, presidente do IAS, foram estabelecidos o Centro de Avaliação e Tratamento da Demência e o Centro de Apoio à Demência, onde fornecem serviços de diagnóstico e tratamento ‘one stop’, grupos cognitivos e cursos de treinamento educativo sobre a demência, além de prestarem serviços de apoio mais abrangentes para pacientes com demência de grau leve a moderado e seus familiares.
O IAS disse ter lançado, em 2017, em colaboração com a Associação da Doença de Alzheimer de Macau, o projecto “Carta da comunidade amiga das pessoas com demência da RAEM”, que conta hoje em dia com a adesão de 209 associações profissionais da área de saúde, estabelecimentos de ensinos primário, secundário e superior, instituições de apoio a idosos e jovens. “As instituições de apoio a idosos também actuam proactivamente no sentido de sinalizar casos suspeitos de idosos com demência e, em seguida, contactar os seus familiares e prestar apoio na submissão desses idosos à avaliação das funções cognitivas nos centros de saúde”, prosseguiu.
PROTECÇÃO AUDITIVA PARA PREVENÇÃO DA DEMÊNCIA
O deputado Leong Hong Sai questionou também o Governo sobre medidas complementares para a prevenção de demência, incluindo a generalização da realização periódica de exames auditivos e de memória aos idosos, bem como a promoção do abono para o uso de aparelhos auditivos e de implantes cocleares.
O legislador citou a Organização Mundial de Saúde para indicar que, entre os idosos com mais de 60 anos de idade, um em cada quatro deles sofre de perda auditiva incapacitante que “aumenta o risco de demência, queda e depressão”. Leong acrescentou que vários estudos mostram que a audição interage com o cérebro, e quando não se ouve bem, o cérebro precisa de adivinhar, o que sobrecarrega o cérebro.
“A intervenção precoce, como o uso de aparelhos auditivos e de implantes cocleares, não só melhora a audição, mas também atrasa a perda de memória”, defendeu o deputado.
Na réplica, o IAS disse que, nos últimos anos, recorreu a um plano piloto realizado em duas rondas, através do qual atribui apoio financeiro às pessoas elegíveis, titulares do cartão de registo de avaliação da deficiência, para aquisição de equipamentos auxiliares que incluem aparelhos auditivos e instrumentos afins.
Revelou que o Governo está a fazer um balanço sobre a implementação desse plano piloto, com objectivo de que o referido plano passe a ser uma medida permanente ainda este ano.
O Executivo afirmou ainda que vai realizar o “Inquérito sobre a Saúde de Macau 2026” no próximo ano, onde serão incluídos exames auditivos com o propósito de avaliar o estado global da audição na sociedade.











