
1.
Joana Barata e Henrique Coser Moreira
Um Ovo na Testa
Upa Editora
2.
Maria Nogueira Nössing
O Dia Mais Chato
Planeta Tangerina
3.
Dani Torrent
Viagens de Comboio em Primeira Classe
Orfeu Negro
Tradução de Helena Pitta
4.
António Rocha Pereira e Joana Gancho
Os Avós
Caminho
Somos todos esquisitos
Uma das características fundamentais do livro-álbum é o funcionamento em bloco da imagem e do texto, que vão fazendo avançar a narrativa numa relação tão equilibrada que nenhum dos elementos se destaca do outro. Neste As Pessoas São Esquisitas, esse funcionamento inter-dependente é assumido com mestria e os desabafos do miúdo que vai apresentando as “pessoas esquisitas” que encontra em toda a parte têm nas palavras de Victor D. O. Santos e nas imagens de Catarina Sobral uma só voz.
As esquisitices notadas por este narrador infantil podem ser contradições, hábitos que parecem estranhos ao mundo ainda reduzido que conhece ou questões emocionais ou existenciais que ainda não entende, como esse estranho fenómeno de os adultos irem para o ginásio e passarem a maior parte do tempo a olhar-se no espelho, coisa que podiam fazer em casa… O que nunca são é manifestação de algum incómodo pela diferença, física ou comportamental. O narrador é curioso e atento aos detalhes e o que faz ao longo deste livro é demonstrar essas duas qualidades em acção, andando pelos dias e tentando perceber os outros.
Não é, por isso, de espantar que a sua forma de ir para a escola, numa bicicleta que parece saída do século XIX e com um caniche num atrelado, não lhe cause qualquer estranheza. Não é desse género de esquisitice que aqui se fala, porque neste livro não há julgamentos, mas do facto de todos sermos esquisitos aos olhos de quem desconhece as lógicas do que fazemos e a identidade que nos dá forma. Daí ser mais interessante tentar conhecer os outros,
e perceber-lhes as potenciais esquisitices, do que apontar-lhes o dedo. Como canta Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”.
Victor D. O. Santos e Catarina Sobral
As Pessoas São Esquisitas
Orfeu Negro
Um Verão para guardar
O Verão dos primeiros amores é um clássico das narrativas juvenis, como se as férias e a proximidade do mar fossem os verdadeiros gatilhos para a explosão de mudanças que tende a arrebatar-nos a mente
e o corpo nessa idade tão difícil. Numa banda desenhada que apela sobretudo aos leitores adolescentes, esta história acompanha as férias de um grupo de amigos e respectivas famílias numa zona balnear do sul de Itália. São as raparigas a estar no centro da narrativa e é a partir delas, sobretudo de Viola, a personagem principal, que nos vamos aproximando desses turbilhões adolescentes que passam pelo corpo a mudar, pelo desejo a nascer, pelas amizades que dão sentido ao mundo e à vida e pela descoberta das muitas armadilhas que os dias podem conter, dos enganos emocionais à certeza da morte.
Tudo isso cabe neste Para Sempre, uma história que claramente procura incluir uma lista de temas centrais no desenvolvimento saudável de uma pessoa adolescente, mas que apesar disso vai progredindo de forma escorreita, em pranchas bem estruturadas e vinhetas expressivas, sem deixar de segurar o pulso de uma narrativa com a qual a identificação é sempre possível. A primeira paixão de Viola durará o tempo do Verão, mas o que descobriu sobre o amor, a vida e até a morte perdurará, se tudo correr bem, permitindo-lhe não errar demasiado as escolhas futuras. Se os Verões da adolescência não perderem o potencial futuro dessa descoberta, até as lágrimas valem a pena.
Assia Petricelli e Sergio Riccardi
Para Sempre
Fábula
Tradução de Joana Burnay








