EDITORIAL #96

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Em 2006, o Conselho de Ministros Português, com o alto patrocínio da Presidência da República, criava o Plano Nacional de Leitura (PNL). 

Era a resposta institucional aos índices de literacia da população portuguesa, em particular a mais jovem, claramente abaixo da média europeia. Era, também, o início de um percurso que foi passando pelas sugestões de leitura pensadas para diferentes públicos e faixas etárias, pela implementação de dinâmicas de promoção da leitura envolvendo escolas, famílias, bibliotecas e outros espaços e pela realização de concursos e clubes de leitura. Em 2017, o Plano Nacional de Leitura foi renovado por mais uma década, mas notícias recentes relativas a modificações na orgânica do Governo português anunciaram a sua extinção, bem como a da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). O Ministério da Educação desmentiu, entretanto, essas notícias, assegurando que o PNL, bem como a RBE, iriam manter as suas actuais atribuições, sendo integradas no novo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação. De passagem por Macau para ministrar o curso “Como ler e porquê?”, na Escola Portuguesa de Macau, a comissária do PNL, Regina Duarte, falou ao Parágrafo sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos, destacando a importância de continuar a debater e implementar estratégias que promovam a leitura e afirmando ter esperança na continuidade do PNL, mesmo que ao abrigo de uma nova estrutura orgânica.

Andar pela China “sem lenço nem documento”, como canta Caetano Veloso, não é bom ponto de partida para uma viagem, mas deixar fora da bagagem um par de livros que ajudem a perceber o que se vê e vive também não é escolha muito acertada. A propósito do livro Harmony Express e de um artigo no China Books Review intitulado “What Happened to China Travel Guides?”, trocámos algumas ideias com Thomas Bird, autor de ambos. Bird reconhece que «produzir um guia honesto sobre a China seria como escrever uma enciclopédia de vários volumes», mas defende que a maioria dos viajantes procura informação concisa e capaz de alguma utilidade quando toca a descobrir que transportes apanhar, onde fica aquele templo ou qual é a história de um certo monumento. Os guias, então, continuam a ser óptima bagagem, mesmo que o telemóvel prometa responder a tudo depois de um cartão SIM recém-instalado e da descoberta de quais são as aplicações que funcionam em território chinês. A juntar aos guias, nada como um ou dois livros em registo pessoal, escritos por quem viajou pelas mesmas paragens, pelo que Harmony Express é leitura mais do que recomendada para quem queira traçar diversas rotas pela China, de preferência de comboio, acompanhando o texto de Thomas Bird nessa empreitada.