Sugerida integração do ensino de português e espanhol no ensino primário e secundário

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

 

Na reunião plenária de ontem, Ip Sio Kai deixou uma sugestão ao Governo: a integração gradual do português e do espanhol nos currículos básicos dos ensinos primário e secundário. O deputado diz que só assim Macau conseguirá consolidar o papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa.

 

Ip Sio Kai defendeu ontem, na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), a integração do ensino da língua portuguesa e espanhola no ensino primário e secundário. “Propõe-se a integração gradual do português e do espanhol nos currículos básicos dos ensinos primário e secundário, nomeadamente, a implementação do ensino do português e do espanhol de nível básico nas escolas públicas e nas escolas subsidiadas”, afirmou o deputado na sua intervenção antes da ordem do dia.

O objectivo é que os alunos de Macau possam “desde pequenos, desenvolver as capacidades bilíngues e até trilingues, consolidando o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”, referiu, acrescentando que “é necessário incentivar as escolas a criar programas-piloto de ensino multilingue, explorando o modelo de ensino trilingue em inglês, português e mandarim, e apoiando a abertura de cursos para o ensino de línguas não predominantes, como o francês, o japonês e o coreano”.

Ip Sio Kai pediu ainda às autoridades que definam critérios e métodos de avaliação “científicos e racionais”, que avaliem periodicamente a capacidade e o nível linguístico dos trabalhadores, incentivando as empresas a reconhecerem as suas qualificações e experiência linguística.

Na sua intervenção, Ip Sio Kai disse que “a capacidade linguística não é apenas um instrumento de intercâmbio, mas também uma demonstração integrada da competitividade dos talentos locais, da tolerância urbana e do ‘soft power’ cultural de Macau”. O território tem “potencialidades para desenvolver uma sociedade multilingue”, uma vez que “muitos jovens têm interesse em aprender português, japonês, coreano e espanhol, entre outros idiomas”.

Contudo, “a língua portuguesa, apesar de ser oficial, não é uma das disciplinas definidas para o ensino generalizado e, quanto a outras línguas, como o francês, o espanhol e o japonês, também são apenas disciplinas opcionais ou aprendidas através de cursos extracurriculares”, referiu o deputado, alertando que isso “não favorece a criação em Macau de um ambiente social onde coexistam diversas línguas, para receber os turistas e comerciantes vindos de todo o mundo”.

“A criação de um ambiente multilinguístico é um elemento indispensável para a internacionalização de Macau”, afirmou, sublinhando que “o domínio de várias línguas por parte das novas gerações contribui para o reforço da tolerância e intercomunicabilidade cultural da cidade, para a elevação da imagem global e do estatuto internacional de Macau, assim como para a sua ligação ao mundo, sendo fundamental para a promoção da diversificação adequada da economia”.