Agnes Lam não se vai candidatar nas eleições legislativas que vão decorrer este ano em Macau. Ao PONTO FINAL, a académica justificou a decisão com problemas de saúde que a afectaram recentemente e uma maior carga de trabalho na Universidade de Macau. Lam, docente na área da comunicação, disse ainda notar mudanças rápidas no ambiente político da região e, sobre a detenção das repórteres do All About Macau, referiu apenas que os jornalistas devem ser “mais flexíveis”.
Confirma-se que a lista Observatório Cívico, que era habitualmente liderada por Agnes Lam, não vai a votos nas eleições legislativas deste ano. A académica explicou ao PONTO FINAL que a decisão se deve a alguns problemas de saúde que sofreu recentemente – que entretanto já estão resolvidos – e à maior carga de trabalho que tem na Universidade de Macau (UM). No escrutínio deste ano, Agnes Lam também não deverá apoiar publicamente nenhuma das outras listas, adiantou.
Agnes Lam contou que, em 2022, os trabalhos da sua associação foram afectados devido à pandemia e no ano seguinte surgiram os problemas de saúde, que já estão debelados. Juntando a isto a maior exigência do trabalho na UM nos últimos tempos, não houve tempo suficiente para preparar a candidatura a estas eleições, afirmou. Recorde-se que hoje é o último dia para as listas formalizarem a sua candidatura junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O acto eleitoral realiza-se no dia 14 de Setembro.
Nas eleições de 2021, Agnes Lam perdeu o assento na Assembleia Legislativa (AL). O Observatório Cívico conseguiu menos de 3% dos votos do sufrágio directo, não elegendo nenhum mandato.
Apesar de já não ocupar um assento na AL, Agnes Lam continuou a acompanhar os casos que recebeu enquanto era parlamentar, nomeadamente vítimas de violência doméstica, indicou a académica da UM. “Ocasionalmente, ainda recebemos contactos de residentes sobre alguns assuntos e continuamos a tentar ajudá-los”, referiu.
Questionada sobre se os deputados à AL ainda conseguem desempenhar as suas funções de forma livre e independente, Agnes Lam, que ocupou um lugar no hemiciclo entre 2017 e 2021, comentou apenas que “as coisas mudaram muito, não apenas localmente, mas regionalmente e internacionalmente”. “Todo o ambiente mudou e espero que os deputados consigam encontrar formas de ajudar as pessoas e a sociedade”, disse.
Agnes Lam foi também jornalista e actualmente é professora associada do Departamento de Comunicação da UM. Instada a comentar as recentes detenções de repórteres da publicação All About Macau em frente à AL, Lam não se quis referir a este caso específico, afirmando somente que os jornalistas devem “ser mais flexíveis, mesmo querendo manter os seus princípios”. “Poder continuar a fazer esse trabalho deve ser a prioridade”, afirmou, concluindo: “O trabalho dos jornalistas é muito mais difícil agora do que quando eu era jornalista”.











