Executivo vai proibir a importação de alimentos de dez distritos do Japão a partir de amanhã  

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As autoridades da RAEM anunciaram a suspensão da importação de alimentos provenientes de dez prefeituras japonesas, medida que será implementada a partir de amanhã, como resposta à libertação de águas residuais nucleares no Japão. O Governo de Macau expressou “forte descontentamento” e descreveu de “comportamento irresponsável” a decisão do Japão da descarga. Serão banidos os produtos alimentares frescos e vivos das zonas consideradas de alto risco, e o Executivo disse ainda que vai reforçar a inspecção das comidas pré-embaladas do Japão e divulgar os dados dos testes de radiação todos os dias.

 

É oficial. O Governo de Macau vai suspender, a partir de amanhã, a importação dos produtos alimentares oriundos de dez distritos do Japão, devido às descargas de águas residuais nucleares de Fukushima que terão início nesta quinta-feira.

A ordem da proibição de entrada de mercadorias japonesas no território abrange todos os produtos alimentares frescos e vivos, de origem animal, sal marinho e algas marinhas, incluindo vegetais, frutas, leite e produtos lácteos, produtos aquáticos e seus derivados, carnes de animais domésticos e seus derivados e ovos de aves, provenientes de dez prefeituras envolvendo Fukushima, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Área Metropolitana de Tóquio.

O Governo manifestou “forte descontentamento” após o Japão ter anunciado que irá lançar as águas residuais nucleares de Fukushima no mar a partir desta quinta-feira, destacando que as autoridades “irão tomar medidas necessárias” a fim de proteger a segurança alimentar de Macau e a saúde dos residentes.

“É de comportamento extremamente irresponsável a decisão da parte do Japão de descarregar no mar água com contaminação nuclear sem consultar devidamente os países vizinhos”, condena o Executivo, num comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social.

“O Governo da RAEM está a prestar elevada atenção ao incidente, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) tem estado em comunicação estreita com a Administração Geral da Alfândega da China, a Alfândega de Gongbei, tendo estabelecido um mecanismo de notificação com o Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong”, assegurou.

Recorde-se que o governo japonês anunciou ontem que irá começar na quinta-feira o despejo no mar de água tratada da central nuclear de Fukushima I, onde ocorreu o acidente nuclear em 2011. A Tokyo Electric Power Company afirmou ontem numa conferência de imprensa que já iniciou os trabalhos preparativos e prevê que seja libertado no presente ano fiscal um total de 31.200 metros cúbicos de esgoto nuclear, equivalente a 2,3% da água armazenada actualmente.

Recorde-se que, desde o tsunami seguido do acidente nuclear há mais de uma década, o IAM suspendeu o pedido de importação de alimentos de Fukushima. Entretanto, para os produtos alimentares dos nove distritos de maior risco perto de Fukushima, é ainda possível a importação desde que os produtos atendam aos requisitos actuais de documentos de padrões sanitários de importação e serem acompanhados por um certificado de monitoramento de radiação emitido pelo Japão, e submetidos à inspecção.

 

INSPECÇÃO REFORÇADA

 

Segundo as autoridades, o IAM tem vindo a reforçar a examinação de substâncias radioactivas nos produtos alimentares importados do Japão desde o início deste ano, tanto ao nível da importação como da venda a retalho. O organismo disse ter listado a medição de radionuclídeos específicos como um item regular de inspeção de segurança alimentar, tendo enviado pessoal para inspeccionar, com instrumentos de medição de radiação, “cada remessa e cada caixa” de produtos nos postos fronteiriços do Aeroporto Internacional de Macau e do Porto Interior.

“De 1 de Janeiro a 21 de Agosto deste ano, foram submetidas a testes de radiação 23.137 amostras de produtos alimentares importados do Japão, e cerca de 160 amostras foram recolhidas para testes de radionuclídeos, não tendo sido verificada qualquer anomalia”, frisou.

Foi adiantado que o IAM vai também intensificar as inspecções aos pontos de venda no mercado, visando principalmente os produtos alimentares pré-embalados importados de outras zonas do Japão que não estão sujeitos a inspecção e quarentena sanitária. “Estão envolvidos arroz, algas, folhas de chá e snacks, entre os outros, que serão testados com dispositivos de irradiação portáteis, bem como recolhidas amostras de alimentos para exames de radionuclídeos”, revelou.

O IAM vai lançar ainda, a partir de hoje, uma página online dedicada à inspecção nuclear e à segurança alimentar, “com vista a aumentar a transparência da informação e reforçar a educação científica”. Para além de divulgar diariamente os dados dos testes de radiação, o organismo vai promover os conhecimentos científicos através de ilustração, cartazes e vídeos.

 

Decisão “sem precedentes”, diz Hong Kong

 

Algumas horas antes do anúncio da medida por parte de Macau, o Governo de Hong Kong reagiu também à descarga de águas residuais nucleares no Japão, expressando “repúdio veemente” e ordenado a implementação das restrições de importação dos produtos relevantes à região. Numa publicação nas redes sociais, o Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, criticou o plano do Governo do Japão. “Esta decisão e prática sem precedentes de descarregar águas residuais nucleares em grandes quantidades durante 30 anos, sem ter em conta o risco para a segurança alimentar que não pode ser eliminado e a poluição e danos irreversíveis para o ambiente marinho, é uma imposição irresponsável dos seus próprios problemas aos outros”, condenou o governante. John Lee garantiu que a segurança alimentar e a saúde pública em Hong Kong são as principais preocupações do Governo da RAEHK, pelo que deu, ontem à tarde, “instruções imediatas” à Direcção do Ambiente e Ecologia e aos departamentos competentes para activarem de imediato as medidas de controlo das importações.