Tensão entre EUA e China pode representar um risco para casinos norte-americanos em Macau

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A “guerra de tarifas” entre os Estados Unidos e a China apresenta-se como uma ameaça aos três casinos norte-americanos em Macau: Wynn, Sands e MGM. Com o aumento da instabilidade política e económica entre os dois países, os analistas de acções da consultora Morningstar baixaram as estimativas de justo valor de duas das três operadoras e alertam para uma “classificação de incerteza” elevada.

 

A consultora Morningstar considera que as tarifas impostas pelos Estados Unidos da América à China podem impactar negativamente as operadoras norte-americanas com presença em Macau, reduzindo as estimativas de justo valor da Wynn, Las Vegas Sands e MGM Resorts.

Numa nota de imprensa publicada na quinta-feira, os analistas da Morningstar afirmaram que “as acções geopolíticas dos Estados Unidos” vêm desestabilizar o mercado de jogo em Macau e “aumentar o prémio de risco” exigido pelos investidores, definido como o rendimento suplementar que se pretende obter para compensar a taxa de risco.

Face ao actual contexto de tensão económica entre os Estados Unidos e a China, a empresa de análise de investimentos baixou as estimativas de justo valor de duas das três operadoras de casinos norte-americanas: a Las Vegas Sands desceu de 56 para 53 dólares por acção, enquanto a MGM Resorts registou um declínio ligeiramente mais acentuado de 49 para 46 dólares por acção. A Wynn Resorts, por outro lado, permanece estável no valor de 111 dólares por acção.

Na página da Morningstar, é possível ler que a “classificação de incerteza” das três operadoras é “alta”, posicionando-se a metade da lista de possíveis classificações (“baixa”, “média”, “alta”, “muito alta” e “extrema”). Estima-se ainda que, até ao final da década, cerca de 60% dos lucros operacionais (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ou EBITDA, na sigla inglesa) da Sands serão provenientes de Macau. Seguem-se a Wynn Resorts, com 50%, e a MGM Resorts, com 20%.

Apesar de, até ao momento, o ano de 2025 ter registado receitas aquém do esperado, os lucros das operadoras de jogo em Macau e o grande fluxo turístico asseguram a continuidade dos três casinos norte-americanos em Macau. “Embora continuemos a monitorizar o ambiente macroeconómico da nossa cobertura [da RAEM], mantemos a opinião de que todas as seis concessionárias de jogo serão renovadas e prolongadas para além do período de 2032”, escreveu Dan Wasiolek, analista sénior de acções da Morningstar, na mesma nota. Recorde-se que o último concurso público para a atribuição de concessões para jogos em casinos aconteceu em 2022, com a celebração de um contrato de uma década que terminará a 31 de Dezembro de 2032. “A nossa posição baseia-se no desejo da China de que Macau seja um destino turístico mundial, o que, na nossa opinião, requer a experiência da Las Vegas Sands, da MGM Resorts e da Wynn Resorts”, remata o especialista.

Depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado a imposição de uma tarifa de 34% sobre as importações chinesas, a China reciprocou com uma tarifa de valor igual sobre as importações de todos os produtos fabricados nos Estados Unidos a partir da próxima quinta-feira, 10 de Abril. Em Fevereiro deste ano, a RAEM já tinha sido classificada como “adversária externa” dos Estados Unidos, assim como Hong Kong, pelo facto de ambas as regiões pertencerem à República Popular da China.

 

C.B.