A construção do viaduto entre a Zona A e a Zona B dos Novos Aterros no NAPE está a preocupar a Associação da Sinergia de Macau devido a um eventual impacto na paisagem do Centro Histórico de Macau. Ouvidos pela associação, o arquitecto André Liu mostrou-se desiludido com a futura demolição da passagem superior anexada ao Centro Cultural, enquanto o urbanista Lam Iek Chit alertou para o impacto na Zona de Lazer da Marginal da Estátua de Kun Iam. O urbanista Ferreira Manuel Iok Pui defende a proposta de um túnel rodoviário em vez do viaduto.
A Associação da Sinergia de Macau volta a alertar para os impactos da construção do viaduto entre a Zona A e a Zona B dos Novos Aterros, nomeadamente na paisagem do Centro Histórico de Macau, bem como dos espaços do Centro Cultural, Centro de Ciência e da zona de lazer da Marginal da Estátua de Kun Iam.
O projecto suscitou preocupações desde que o Governo anunciou o seu plano, sendo a altura máxima do viaduto o tema mais discutido. A Associação da Sinergia, actualmente liderada por Johnson Ian e pelo deputado Ron Lam, falou com vários especialistas numa análise em vídeo, onde criticaram a falta de consideração por parte do Governo antes de avançar o empreendimento.
O arquitecto André Liu manifestou preocupação sobre o impacto das obras no complexo do Centro Cultural de Macau, mostrando oposição que o Governo demolisse a passagem superior para peões do Centro Cultural de Macau por causa das obras do viaduto das zonas A e B. “O Centro Cultural tem a sua frente virada para o mar e as suas traseiras viradas para o Farol da Guia, demonstrando continuidade. A passagem superior existente faz parte do Centro Cultural e é uma extensão do seu eixo, ligando o mar, a cidade e as montanhas”, assinalou.
André Liu recordou que a Administração Portuguesa de Macau lançou um concurso de concepção do Centro Cultural, sendo um primeiro recinto para actividades culturais, exigindo que a construção seja representativa e possa ser vista quando as pessoas passam do barco, da ponte ou de helicóptero e olham para Macau. Neste caso, o viaduto poderia obstruir a vista paisagística do Centro Cultural e vir prejudicar a ligação entre o complexo e o mar. Mencionou ainda o arquitecto sino-americano Ieoh Ming Pei que “também teve em conta o eco entre com o Centro Cultural quando projectou o Centro de Ciência de Macau”, destacou.
A obra de construção do viaduto está agora em curso. Segundo a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), o viaduto ficará localizado entre a Península de Macau e a Zona A, ligará a oeste com a Rotunda do Centro de Ciência de Macau e a Avenida Dr. Sun Yat-Sen, atravessando, em direcção a leste, a Ponte da Amizade, e terminará na Zona A, fazendo uma interligação com a Ponte Macau.
O projecto tem cerca de 3,2km de comprimento, com a quota altimétrica máxima de 25,8 metros. Nesta questão, a DSOP tinha afastado a possibilidade de a altura exceder a permitida prevista na lei vigente, justificando que não se trata de um projecto de construção de edifícios, pelo que não é aplicável a regulamentação do despacho do Chefe do Executivo n.º 83/2008.
Por sua vez, o urbanista Lam Iek Chit enfatizou que o posicionamento da cidade é um centro de turismo e lazer, e o Centro da Ciência, o Centro Cultural, o Museu da Arte, a Estátua de Kun Iam e a zona de lazer “já criaram um efeito sinergético”. “A ponte de acesso do viaduto das zonas A e B ficará junto ao parque infantil da zona de lazer da Marginal da Estátua de Kun Iam. Imaginem que as crianças que brincam ali terão no futuro muitos veículos a passar e buzinar atrás delas, o que é uma situação bastante má”, apontou.
Lam Iek Chit teme também que o viaduto venha a causar mais problemas de trânsito na zona do NAPE, nomeadamente nas horas de pico de tráfego. O urbanista alertou ainda para a futura remoção de mais de 600 árvores na zona, o que prejudica o ambiente e é uma “falta de respeito aos residentes”.
Já o urbanista Ferreira Manuel Iok Pui condenou a adopção da construção de um viaduto em vez de um túnel rodoviário, indicando que o Governo “não avaliou plenamente e respeitou as características arquitectónicas e o uso do solo circundante” quando avançou o projecto. “É lamentável que o viaduto das zonas A e B vá prejudicar completamente a vista das instalações culturais importantes da orla marítima e cause mais emissões e ruído na Marginal da Estátua de Kun Iam”, disse.











