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      Aumento do número de visitantes não beneficia necessariamente os hotéis, alerta o sector

       

      Nos últimos dias passaram por Macau mais de um milhão de visitantes. Segundo as autoridades, este ano vão passar pela região cerca de 39 milhões de turistas. Mas este aumento considerável do número de visitantes pode não beneficiar directamente os hotéis, alerta Rutger Verschuren. O vice-presidente da Associação dos Hotéis de Macau diz, em declarações ao PONTO FINAL, que tanto a taxa de ocupação hoteleira como os preços praticados ainda estão abaixo dos registos de 2019.

       

      Ao longo dos dias do Ano Novo Lunar, Macau recebeu mais de um milhão de visitantes, no entanto, os hotéis locais podem não ter beneficiado significativamente. Rutger Verschuren, vice-presidente da Associação dos Hotéis de Macau, diz ao PONTO FINAL que, uma vez que a larga maioria dos visitantes não pernoita no território, o ganho para os hotéis é limitado.

      “A chegada de visitantes é um bom indicador para a economia de Macau, mas esse não é o único indicador para os hotéis. Nós olhamos muito mais para os visitantes que pernoitam em Macau e a duração da sua estadia”, destaca. Rutger Verschuren sublinha que “é enganador ver as massas de pessoas nas ruas, uma vez que a maioria não passa a noite na região”. “De uma perspectiva económica, é maravilhoso ver o número de visitantes a crescer, mas é preciso lembrarmo-nos de que os hotéis podem não estar a beneficiar directamente disso”, frisa.

      Nos últimos dias, segundo o responsável da Associação dos Hotéis de Macau, várias unidades hoteleiras estiveram com taxas de ocupação a roçar os 100%, no entanto, os preços por quarto estão mais baixos, em comparação com o ano passado. Além disso, face ao período do Ano Novo Lunar de 2019, a taxa de ocupação e também os preços praticados foram este ano ligeiramente inferiores.

      O dirigente da associação diz também que se tem verificado uma tendência crescente no sector em que as pessoas marcam as viagens com mais antecedência, “o que se traduz em períodos mais longos de estadia”. “A indústria dos hotéis procura tempos de estadia mais longos e a Direcção dos Serviços de Turismo [DST] também tem estado a trabalhar para aumentar o período de estadia”, nota.

      Para este ano, o sector dos hotéis espera que “a taxa de ocupação continue a melhorar”, devendo alcançar os níveis de 2019. Contudo, “os preços dos quartos vão ser inferiores”, antevê Rutger Verschuren, apontando para as despesas dos visitantes, que também têm sido menores do que antes”. Os visitantes “estão mais cautelosos, há um sentimento de instabilidade nesta altura”, diz.

      As autoridades estimam que este ano passem por Macau mais de 39 milhões de visitantes, o que, a confirmar-se, igualaria a melhor marca atingida em 2019. Para o dirigente da associação hoteleira, a marca dos 39 milhões é atingível e até ultrapassável. Rutger Verschuren aponta para o crescimento anual de 10% do número de visitantes antes da pandemia e antevê que essa escala de aumento pode continuar agora.

      O maior aumento de visitantes, diz, virá do exterior. Em 2023, a fatia de visitantes internacionais era de 5%, que, segundo o dirigente da associação, “poderá aumentar 10%”. “Mas isso depende do sucesso da DST e dos ‘resorts’ integrados nos mercados internacionais”, ressalva, sugerindo a aposta nos mercados do Médio Oriente, que são “uma boa ligação à Europa e aos países de África”. Por outro lado, Hengqin também vai fazer com que o número de visitantes internacionais aumente: “A integração de atracções turísticas em Hengqin vai atrair visitantes internacionais e fazer com que aumentem as suas estadias”.

      Por fim, Rutger Verschuren alerta para a competição de Hong Kong e também do interior da China. “O interior da China está a abrir e está a fazer tudo para atrair turistas internacionais. O nosso maior concorrente é o continente chinês”, diz, sugerindo também que “Macau pode ser um bom ponto de partida ou de chegada para uma viagem ao interior da China”.