Tem nome de árvore, mas é um site jornalístico feito a partir da Amazónia. Fundado em 2022, o Projecto Sumaúma centra a sua produção jornalística na região amazónica, esse centro do mundo do qual dependemos para sobreviver, independentemente da região que habitamos, mas projecta aquilo que reporta em todas as direcções, como se lê no manifesto fundador: «Basta pronunciar a palavra sumaúma (também chamada de samaúma, em algumas regiões) na Amazônia, para que cada pessoa conte uma história. É por isso que escolhemos esse nome para essa plataforma de jornalismo. Queremos contar histórias que moram aqui, na Amazônia, e contar histórias que acontecem em outras partes do planeta a partir da floresta e da perspectiva de seus vários povos, assim como da melhor ciência do clima e da Terra. E trabalharemos para que essas histórias ecoem longe, colaborando para irrigar o debate público e para engrossar rios voadores de ideias capazes de se converter em ação. Acreditamos no poder das histórias contadas, no poder do jornalismo que merece este nome porque é feito com ética, com rigor e com independência.»
Nascido da vontade de um grupo de jornalistas com décadas de experiência profissional, o Projecto Sumaúma junta à actualidade noticiosa um programa chamado Micélio, a caminho da segunda edição, que tem vindo a dar formação aos chamados jornalistas-floresta, habitantes de diferentes partes da Amazónia que cruzam a sua ancestral forma de contar histórias com os rigores de um código deontológico que está na base de qualquer acto jornalístico que mereça esse nome. O resultado pode ler-se em reportagens como «O Rio da minha aldeia está ficando verde – e fui investigar o motivo», assinada por Wajã Xipai, onde se analisam os efeitos da crise climática no rio Iriri, apurando motivos para a presença cada vez mais regular de águas com coloração verde e peixes mortos em abundância.
Há muito mais para ler em Sumaúma, das conclusões pouco eficazes da recente cimeira do clima, a COP 29, em Baku (Azerbeijão), à destruição de enormes áreas florestais como resultado da criação intensiva de gado na Amazónia. Se os próximos anos serão decisivos para as possibilidades da espécie humana no planeta, lugares como o Sumaúma são essenciais para não perdermos o fio à reflexão que se impõe e às mudanças que têm de ser colectivamente assumidas.








