A DANÇA DAS PALAVRAS PARTILHADAS
Isabel Minhós Martins, Dina Mendonça e Madalena Matoso
Onde É Que Nós Íamos?
Planeta Tangerina
O novo livro da Planeta Tangerina, uma parceria de Isabel Minhós Martins, Dina Mendonça e Madalena Matoso, olha para uma das mais complexas acções dos seres humanos: a conversa. Ao longo de 160 páginas, o livro tenta perceber o que nos move nesse gesto de falar com outra pessoa, que tipos de conversa podemos distinguir entre as infinitas interacções verbais que compõem cada dia, que descobertas felizes, e às vezes infelizes, fazemos quando conversamos. Num registo que assume a estrutura de um diálogo (ou triálogo, uma vez que as ilustrações fazem, sem dúvida, parte da conversa que vai decorrendo nestas páginas), as autoras vão desfiando possibilidades para os modos de conversar, puxando também temas como as diferenças de opinião, a aprendizagem que envolve uma conversa, o prazer de estar com outra pessoa, os medos e inseguranças que podemos sentir perante um diálogo e alguns dados científicos sobre este fenómeno aparentemente simples, o de nos sentarmos frente a frente com alguém e trocarmos palavras. Pelo meio, há referências a vários autores, de Heródoto a Ursula K Le Guin, passando por Jonathan Swift. E há sugestões práticas, não para nos moldar as conversas, mas para permitir que atentemos de outro modo em certas particularidades, nossas e dos outros, neste processo de conversar.
Se uma conversa pode ser um pouco como uma dança, em que vamos contribuindo e aceitando as contribuições alheias para com isso construir alguma coisa, este livro é um óptimo guia para conhecer os passos, mas também para assumir que, às vezes, o melhor da dança é não seguir a partitura e inventar passos novos.
A NOVA VIDA DO AGENTE SIMÕES
Ricardo Henriques e Pierre Pratt
Stop
Orfeu Negro
Quem ainda se lembra da figura do polícia-sinaleiro vai reconhecer imediatamente o agente Simões, quem não se lembra, tem neste álbum de Ricardo Henriques e Pierre Pratt um belo registo. Stop acompanha essa extinção de sinaleiros a que fomos assistindo nos últimos anos e conta a história do agente Simões e de como a chegada de um semáforo ao seu cruzamento alterou o mundo tal como o conhecia. As peripécias deste agente para tentar encontrar outro ofício onde pudesse dar largas aos seus gestos de braços acabarão por desaguar numa missão para salvar o mundo. Stop não é, portanto, uma ladainha triste sobre o fim dos sinaleiros, mas antes uma narrativa sobre mudanças, persistências e soluções, sempre com o texto e as imagens, belíssimas nos seus traços riscados, nostálgicos e cheios de humor, em diálogo intenso para a fazerem avançar.
Será pela junção desses três elementos que o agente Simões, depois de salvar o mundo, acabará por manter o seu ofício em modo digressão, conhecendo cidades em todos os continentes e apitando nos seus cruzamentos. As coisas acabam, mas às vezes podem continuar de outra forma. Se essa forma assegurar alguma felicidade, vale a pena impô-la, mesmo que nos digam que agora é diferente e que esta ou aquela coisa já não fazem falta. A falta, somos nós que a sentimos, pelo que nos cabe lutar para preencher esse vazio. A apitar, se preciso for.
Rita Taborda Duarte e Sebastião Peixoto
Gaspar, com os Pés Bem Assentes na Lua
Caminho
André Letria e Ricardo Henriques
Foxy & Meg Encontram um Mas-mas
Pato Lógico
Ian Woodward Falconer
Olívia Prepara o Natal
Gradiva
Katya Adaui e Cecilia Codoni
Outra Coisa
UPA Editora















