Edição do dia

Quarta-feira, 19 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu pouco nublado
29 ° C
29.9 °
28.9 °
94 %
3.6kmh
20 %
Ter
29 °
Qua
30 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More

      OLHAR PARA DENTRO

      Sara Figueiredo Costa

      Vencedor de vários prémios internacionais, entre eles o Opera Prima da Feira do Livro Infantil de Bolonha, o livro de estreia da artista plástica francesa Marion Kadi é uma parábola sobre o crescimento, a descoberta de si e a confiança. Os Reflexos da Henriqueta narram-se com poucas palavras e com um trabalho visual de cores fortes, saturadas, cheio de pormenores que pedem tempo e atenção para cada dupla página, porque nesses pormenores está boa parte do que se conta.

      Mantendo texto e imagens numa relação profundamente dependente, Kadi conta a história de uma menina que passa a ter como reflexo a imagem de um leão, algo que lhe dará a confiança que tantas vezes lhe faltava. Sem forçar moralismos nem pedagogias, esta é uma narrativa sobre a auto-descoberta, onde a fantasia se instala a partir da metáfora do reflexo, criando um efeito que se aproxima mais de uma certa ideia de realismo mágico do que dos abracadabras tradicionais. Na verdade, é o reflexo do leão que, depois de morrer o animal que era o seu legítimo dono, começa a andar por aí à procura de outro ser que possa acolhê-lo como reflexo, nas águas ou num espelho. É ele, portanto, que encontra Henriqueta, uma manobra narrativa clássica que retira à personagem a responsabilidade primeira pelas peripécias que lhe vão acontecendo.

      Findo o deslumbramento inicial de ter como reflexo um animal tão poderoso, Henriqueta volta a querer o seu reflexo original, acabando por permanecer com ambos assim que estes aprendem a conviver entre si. É provável que, ao longo dos anos que lhe calharem em sorte, tenha dias em que prefere um ou o outro, e sem que essa metáfora se transforme em mandamento moral, a história contada por Marion Kadi revela-se mais certeira sobre o percurso biográfico de qualquer um de nós do que as imagens coloridas deixariam adivinhar. E é precisamente por isso que Os Reflexos da Henriqueta merece leitura partilhada entre diferentes gerações, mesmo que dos mais novos aos mais velhos haja certezas muito díspares sobre o que vemos, afinal, reflectido no espelho quando o olhamos de frente, umas vezes procurando rugas, outras com a certeza de que encontraremos um leão.

      Marion Kadi

      Os Reflexos da Henriqueta

      Fábula

      UM LIVRO PARA O DESASSOSSEGO

      Permitir que os mais novos se aproximem da leitura com livros como este é um privilégio. Pode dizer-se que Por Exemplo, Uma Rosa é um livro sobre muitas coisas: as palavras e o modo como se relacionam com aquilo que designam; a variedade de formas, sentidos e elementos que compõe o universo; a nossa proverbial capacidade de brincar com o discurso, alterando-o, deturpando e inventando-lhe novas lógicas. É tudo isso, sem dúvida, mas talvez seja antes de mais um livro a que poderíamos chamar total, não porque fale de tudo ou tudo esclareça, mas porque nas suas páginas se guarda essa fome insaciável de mergulhar em nós, nos outros e no mundo e tentar dar sentidos às coisas, sem medo de confirmar que os sentidos são irrequietos e precisam de interpretação constante.

      Ana Pessoa e Madalena Matoso mostram essa fome de muitas maneiras, ora puxando pelos jogos de palavras, ora pelas contradições que nos rodeiam a todo o momento, sempre abrindo novos caminhos de pensamento e inquietação. Da rosa de Gertrude Stein ao cachimbo de Magritte, este é um livro para desassossegar e deixar germinar essa gesta irrequieta que, se correr tudo bem, levaremos da infância para o resto da vida.

      Ana Pessoa e Madalena Matoso

      Por Exemplo, Uma Rosa

      Planeta Tangerina

      NAS LIVRARIAS

      Inês Barata Raposo e Gabriela Pedro

      O Efeito Bola de Menta

      Bruaá Editora

      Kristin Roskifte

      Todos Contam

      Lilliput

      Chico Buarque

      Chapeuzinho Amarelo

      Tinta da China

      Oliver Jeffers

      O Caminho Para Casa

      Orfeu Negro