Catarina Sobral
Palmiras Pantaleões Malaquias
Orfeu Negro
Esta é a história de uma disputa doméstica, um daqueles conflitos que bem podiam ter começado num almoço de família, talvez com adolescentes esfomeados e pouco polidos no trato. Os Pantaleões entram em cena e desatam a comer toda a comida disponível, obrigando Malaquias a pedir ajuda. Todas as personagens são formas coloridas, de geometria irregular e variável, manchas contornadas que não deixam de lembrar humanos – se não pela forma, seguramente pelo comportamento. É só mais adiante que percebemos que esta é, afinal, a história de como o corpo humano reage a um intruso, sob a forma de infecção ou outra doença, e todas estas personagens, Pantaleões, Malaquias, Palmiras, Anselmos ou Nicolaus, são as protagonistas dessa cena teatral que passa a ser o nosso corpo quando é invadido e precisa de reagir.
Transformar uma narrativa de carácter didáctico sobre o corpo e as suas defesas numa tragi-comédia frenética, cuja conclusão ansiamos por descobrir, é o golpe de asa de Catarina Sobral neste livro: a informação de carácter científico é rigorosa (e foi, aliás, cientificamente revista por Alice D’Onofrio e Bárbara Flor de Lima), e podemos aprender sobre infecções e o seu combate, mas mais do que ensinar sobre esses temas, trata-se de contar uma boa história. O novo livro de Catarina Sobral é uma radiografia, mas também um espelho, mostrando que o que se passa no interior do nosso corpo não é assim tão diferente da vida exterior de todos os dias: conflitos, empurrões, negociações e alguma felicidade, enfim.
Emma Carlisle
O Que Vês Quando Olhas Para Uma Árvore?
Fábula
Tradução de Susana Cardoso Ferreira
Uma árvore é uma árvore, raízes, tronco e copa, mas nenhuma árvore é igual. Partindo desta óbvia constatação, Emma Carlisle cria um livro que é um apelo à observação atenta, algo que, praticado em árvores, pode bem ser gesto que estendemos ao resto do mundo, natural ou construído, às pessoas que nos rodeiam e a nós próprios. Ultrapassando a estrutura básica que nos faz reconhecer uma árvore em qualquer geografia, este livro convida os leitores a focarem o olhar nas folhas e na sua morfologia, ou na forma das raízes exteriores, na textura do tronco, no som produzido pela passagem do vento por entre os ramos. De caminho, vai apresentando algumas espécies arbóreas com características específicas, como o pinheiro-anão ou a palmeira-rainha, mas o caminho destas páginas passa mais pelo reconhecimento das árvores enquanto elemento fundamental para a vida – e não apenas por motivos eco e biológicos – do que pela identificação precisa de cada espécie.
Levar este livro para o parque não servirá de manual de identificação de espécies, mas pode ser um óptimo exercício de descoberta própria e alheia. Experimente-se com as ficus rumphii, essas árvores que povoam Macau com as suas raízes exteriores e curvilíneas, traçando caminhos que nem sempre vemos à primeira.
Joana Estrela
Gato Comum
Planeta Tangerina
Sandra Siemens e Bea Lozano
A Colher
Fábula
Tradução de Susana Cardoso Ferreira
Philip Waechter
Um Dia Perfeito Com Amigos
Nuvem de Letras
Tradução de Isabel Castro Silva
Jimmy Liao
Debaixo da Mesma Lua
Kalandraka
Tradução de Ana M. Noronha e Domenica Ignomeriello














