
1.
Maria Nogueira Nössing
O Dia Mais Chato
Planeta Tangerina
2.
Guia Risari e Federico Delicado
O Elétrico Número Flor
Kalandraka
Tradução de Elisabete Ramos
3.
Charles Berberian
Como Nascem as Árvores
Orfeu Negro
Tradução de Joana Cabral
4.
Trevor Noah e Sabina Hahn
A Beleza da Erva Por Cortar
Iguana
Tradução de Maria do Carmo Figueira
Protagonista rebelde
Revisitar histórias tradicionais ou clássicas é um filão interminável e dificilmente se arrisca a repetição, o que confirma a intemporalidade de boa parte dessas histórias, assim haja imaginação para nelas encontrar novas leituras. Neste álbum, a imaginação não falha e a ela juntam-se alguma ironia e um humor suave, capaz de fazer os leitores questionarem algumas estruturas aparentemente tão sólidas (as narrativas, mas também, e por extensão, as do mundo à nossa volta). Numa aliança robusta entre texto e imagem, temos um narrador, cujo rosto ocupa quase sempre a totalidade da página do lado esquerdo e que tenta contar uma história que teria como personagem principal uma menina. Teria e, de algum modo, tem, mas não como o narrador desejaria, uma vez que a menina não quer entrar na história.
A teimosia da personagem não impede que seja ela a co-protagonista, não de uma história clássica, mas de uma discussão que vai levando o narrador ao desespero. E depois de várias invectivas, onde se convoca o Capuchinho Vermelho (exemplo de alguém que não se furtou a entrar numa história) e o Lobo Mau, a menina lá responde, para dizer que se recusa a entrar nesta história. Mais Alice no País das Maravilhas do que Capuchinho, a protagonista prefere perder-se nos caminhos do reverso do espelho do que aceitar sem contestar uma narrativa que lhe é imposta. E, ainda assim, temos história neste livro, ainda que o narrador talvez não a aprecie, porque queria uma história arrumada à maneira clássica. Saiu-lhe uma protagonista com outras vontades e o resultado é uma história de afirmação e perseverança.
Nazaré de Sousa e Renata Bueno
Menina, Eu Não Sou o Lobo Mau
Hipopótamos na Lua
Uma espécie de ninho
Elogio das qualidades maternais, este livro estrutura-se a partir do olhar de uma criança perante a sua mãe, explorando algumas características universalmente associadas a essa figura cuidadora que, quando tudo corre bem, tem um papel essencial na formação infantil.
A presença materna no quotidiano de uma criança é aqui encenada com rasgos poéticos, transformando gestos que serão aparentemente banais para um adulto em momentos absolutamente extraordinários aos olhos infantis. O texto é muito breve, recorrendo a descrições de conforto, comparações com elementos fantasiosos e algumas metáforas sobre o que pode ser uma mãe para uma criança pequena. Nas imagens de Rachel Caiano, que se espraiam ocupando a totalidade de cada dupla página, este álbum ganha um enorme fôlego, expandindo em direcções inesperadas essas ideias de protecção, cuidado e presença.
Não é de estranhar que todos esses elogios acabem por transformar-se num desejo, o de igualar essa figura materna que, para a criança desta história como para tantas outras, surge como uma espécie de heroína. Claro, quando o futuro chegar, as vontades terão mudado e haverá uma personalidade mais independente a querer ser outras coisas. Enquanto isso não acontece, lá está a mãe, ou outra figura materna, a aparar as quedas e a dar asas para os voos seguintes.
Andreia Nunes e Rachel Caiano
Mãe da Cabeça aos Pés
Caminho









