Macau acaba de perder mais um espaço acarinhado pela população apreciadora de comida macaense: o restaurante “Cozinha Aida”, gerido pelo filho Manuel António de Jesus. A cozinha e esplanada do antigo restaurante Riquexó não foram aprovados pelo IAM.
Era um ponto de encontro da comunidade macaense, que agora terá de se contentar com a oferta ali ao lado, no actual restaurante Riquexó, ou na cantina da APOMAC. O restaurante “Cozinha Aida” fechou ontem portas depois de três anos de actividade. A decisão foi tomada pelo proprietário Manuel António de Jesus, na sequência de uma última fiscalização levada a cabo pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), onde lhe foi pedido que fizesse alterações à zona da cozinha e à esplanada.
O responsável, em declarações à Macao News, revelou que os fiscais lhe tinham pedido que mudasse a cozinha para o interior do restaurante e que utilizasse apenas fogões eléctricos em vez dos actuais fogões a gás. A cozinha ocupa o pátio das traseiras do edifício, bem como uma varanda adjacente. Anteriormente, o espaço já tinha funcionado há mais de 40 anos naquele formato, mas agora os tempos são outros, e este tipo de infracções aos requisitos de segurança não estão a ser tolerados pelas autoridades.
O restaurante que Manuel António de Jesus abriu em Abril de 2021 foi feito em homenagem à mãe, a famosa chef macaense Aida de Jesus, que faleceu aos 105 anos de idade, um mês antes da abertura do espaço. O local foi durante muito tempo a casa do icónico restaurante macaense de Aida de Jesus, o Riquexó, antes de este se mudar para a localização actual, ali ao lado, na Avenida Sidónio Pais. “O café funciona desta forma há quase 40 anos e isso nunca foi um problema. Agora, o IAM diz-me que tenho de mudar a cozinha para o interior do restaurante de 27 lugares, mas isso ocuparia um terço da sua área”, comentou, acrescentando que “não faz sentido manter o negócio a funcionar para servir apenas 20 pessoas ao almoço ou ao jantar”.
No entanto, a zona de refeições ao ar livre também levantou problemas, com o IAM a pedir ao dono do restaurante que as mesas que ladeiam o pátio do edifício residencial fossem retiradas, algo que Manuel António de Jesus não compreende já que a “a entrada do pátio e do edifício continua a ter uma largura superior a 1,5 metros, o mínimo exigido por lei”.
Entretanto, o também é coproprietário do restaurante Hac Sa Beach Miramar, diz que nem tudo está perdido, e irá em breve mudar o negócio para um local diferente na mesma zona, uma vez que “é onde está a comunidade macaense”.
Ao longo dos últimos dias, vários adeptos dos pratos do estabelecimento dirigiram-se ao local para provar um último prato de minchi, tacho, capela ou rabo de boi guisado. Também em declarações à Macao News, Miguel Henrique de Senna Fernandes comentou que o encerramento foi “uma perda muito triste por razões puramente burocráticas, pelo que percebi”, acrescentando que “muitas vezes, em Macau, o cumprimento rigoroso da lei leva a que outras coisas sejam ignoradas”.











