Autoridades alertam para risco de hipertermia devido a temperaturas elevadas

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) voltaram a emitir um alerta amarelo devido ao calor excessivo que se faz sentir em todo o território de Macau, embora a previsão meteorológica para o resto da semana aponte para uma ligeira descida das temperaturas já a partir de hoje. As autoridades de saúde aconselham a população a adoptar medidas preventivas contra a hipertermia enquanto o alerta amarelo vigorar, como a ingestão adequada de água e o uso de chapéu e roupas de cores claras.

A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiu ontem um alerta amarelo para temperaturas elevadas, chamando a atenção para o risco de hipertermia e apelando para que os cidadãos se protejam do calor excessivo.

Ontem, as temperaturas oscilaram entre mínimas de 27.º Celsius e máximas de 34.º Celsius, com níveis de humidade relativa entre os 60% e os 95%. Por volta do meio-dia, durante o pico de exposição solar, toda a região estava classificada com a categoria de temperatura do ar “muito quente” – a classificação mais alta entre os sete indicadores disponíveis na página dos SMG, que vão desde “muito quente” a “muito frio”.

De acordo com a previsão meteorológica para o resto da semana, as temperaturas mínimas manter-se-ão estáveis entre os 26.º e os 27.º Celsius, enquanto as máximas descerão ligeiramente para 31.º Celsius já a partir de hoje. No domingo, as temperaturas voltam a descer para 29.º Celsius. À medida que o calor ameniza, a humidade vai aumentando consideravelmente: hoje, a humidade relativa situa-se entre os 75% e os 98%, prevendo-se que aumente para 80% a 98% no domingo.

A combinação de calor e humidade cria condições favoráveis para a ocorrência de trovoadas, que deverão ser frequentes e acompanhadas por aguaceiros ocasionais ao longo da semana.

COMO EVITAR A HIPERTERMIA

Enquanto o alerta amarelo vigorar, as autoridades de saúde recomendam a toda a população que adapte medidas preventivas como o uso de chapéu e cores claras, a ingestão de água e a atenção redobrada a pessoas obesas, idosas ou de saúde frágil. Por outro lado, deve evitar-se a exposição directa e prolongada ao sol, a realização de actividades “extenuantes” em ambientes quentes e húmidos e a permanência em veículos estacionados ao ar livre.

Em comunicado divulgado ontem, os Serviços de Saúde explicam que, em ambientes de calor intenso, o corpo activa mecanismos de termorregulação para diminuir a temperatura interna, de que são exemplo a transpiração e a respiração mais rápida. No entanto, condições adversas como uma temperatura ambiental muito elevada, a exposição prolongada ao sol, o uso de roupas impermeáveis ou um ambiente mal ventilado ou húmido poderão dificultar o ajustamento fisiológico do organismo e, eventualmente, provocar sintomas de hipertermia.

Este fenómeno pode manifestar-se de diferentes formas, como esclarecem as autoridades. A síncope por calor – também conhecida como desmaio por calor – é uma condição que pode ocorrer quando o corpo é exposto a altas temperaturas e os vasos sanguíneos da pele dilatam, provocando tonturas, pele húmida e fria e enfraquecimento do pulso. A hipertermia pode também manifestar-se através de cãibras e espasmos ou convulsões musculares, causados pela perda de electrólitos através do suor.

Os sintomas e possíveis complicações agravam-se com a exaustão por calor, uma condição caracterizada por sede extrema, fadiga, falta de força, náusea, dor de cabeça, tonturas ou inconsciência temporária. A forma mais grave de hipertermia é, porém, a intermação, mais popularizada pelo termo “golpe de calor”. Nesta situação, a transpiração do doente diminui ou pode até cessar após a exposição prolongada a um ambiente com calor intenso. Se a vítima não for socorrida rapidamente, pode sofrer lesões cerebrais irreversíveis ou até morrer.

Os Serviços de Saúde aconselham os cidadãos a recorrer ao médico “de imediato” em caso de indisposição, ou a contactar o Corpo dos Bombeiros através do número 999 em casos mais graves. Até à chegada da ambulância, a temperatura corporal da vítima deve ser regulada com uma toalha molhada, gelo, ou uma ventoinha. Se o doente estiver consciente e não tiver vómitos, pode administrar-se uma bebida electrolítica (como água mineral ou água com sal) a cada dez ou 15 minutos.