Edição do dia

Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
13.9 ° C
15.9 °
13.9 °
77 %
6.2kmh
40 %
Dom
15 °
Seg
19 °
Ter
19 °
Qua
20 °
Qui
22 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Sociedade Mais de 12 mil processos criminais instaurados no ano passado, burlas telefónicas...

      Mais de 12 mil processos criminais instaurados no ano passado, burlas telefónicas mais do que duplicaram

      As burlas com recurso às telecomunicações e internet mantiveram uma tendência de aumento no ano passado, tendo o número superado o registado antes da pandemia. Segundo a Polícia Judiciária, houve 1.278 casos de burla telefónica e online em 2023, o que levou a um prejuízo monetário total de 320 milhões de patacas. Entre os 12.390 processos criminais instaurados, mais de mil foram crimes relacionados com o jogo. A polícia notou uma quebra nos crimes graves de jogo, e que o jogo ilícito e branqueamento de capitais através da exploração do jogo “basicamente desapareceram”.

       

      A Polícia Judiciária (PJ) instaurou um total de 12.390 processos criminais no ano passado, o que corresponde a uma subida de 43,9% relativamente a 2022. O número representa, no entanto, uma descida de 20,5% em comparação ao período antes da epidemia, de acordo com os dados anunciados ontem pelas autoridades policiais.

      Dos 12.390 processos, 6.804 são inquéritos e denúncias, o que traduz um crescimento de 52,2% face ao ano anterior. Durante o ano passado, 2.516 indivíduos foram encaminhados para os órgãos judiciais.

      Sit Chong Meng, director da PJ, sublinhou que o número de processos criminais instaurados no ano transacto equivale já ao período antes da epidemia, com a recuperação do sector do jogo e do turismo, nomeadamente no segundo semestre do ano passado.

      Ao contrário da maioria dos crimes, cujo número continua a ser inferior ao de 2019, as burlas que envolvem telecomunicações e o crime cibernético mostraram uma “tendência de aumento gradual”, que é até superior ao nível pré-epidémico.

      As estatísticas da PJ indicam que houve 407 casos de burla telefónica, um aumento de 2,6 vezes em relação ao ano anterior, sendo que o principal esquema utilizado é fazer-se passar por funcionário dos órgãos governamentais, muitas vezes do interior da China. No ano passado foram registadas também 871 burlas praticadas na internet, o que equivale a um aumento de 42,8% face ao ano anterior, destacando-se com burlas como o pig-butchering, burla com compra de bilhetes, burla em compras online, burlas que envolvem o aumento do registo das encomendas e pagamento de gorjetas.

      As burlas cometidas através de chamadas e da internet provocaram um prejuízo total de 320 milhões em 2023, um nível “relativamente elevado”, considera o organismo.

      Por ocasião do Encontro Anual da PJ no Ano Novo Lunar, o responsável disse estar também “muito preocupado” com a elevada incidência de burlas telefónicas, revelando que 412 residentes foram lesados por esse tipo de fraude, com a perda monetária de 150 milhões de patacas. “Dos quais 116 foram alunos universitários, ou seja, 30% das vítimas. Os respectivos casos geraram prejuízos de 44 milhões de patacas”, apontou.

      Sit Chong Meng, nesse âmbito, salientou que os estudantes do ensino superior “vivem cada vez mais no mundo da internet” e “têm menos comunicação com pessoas” sobretudo desde a pandemia. “Vão procurar ajuda na internet em vez da família quando encontram problemas”, frisou. A PJ reforçou assim as campanhas de sensibilização e divulgação de informações dentro das universidades e nas redes sociais.

      “Embora a ordem pública continue a manter-se favorável e estável, os prejuízos causados ao público, pelos crimes que não requerem contacto físico, tiveram um aumento gradual, isto não apenas traz mais desafios ao trabalho de investigação criminal, como também torna mais necessário que o público esteja atento com a prevenção criminal a nível individual”, alertou a PJ.

       

      JOGO ILEGAL DESAPARECIDO

       

      Os casos relacionados com o jogo resultaram em 1.107 inquéritos e denúncias junto à PJ no ano passado, tendo marcado uma diminuição significativa relativa ao ano de 2019 de 48,7%. Analisando os dados, as autoridades notaram uma redução acentuada dos crimes graves de jogo em comparação com a situação pré-pandémica, enquanto a agiotagem relacionada com o jogo e os casos de sequestro caíram 80,2% e 90,4%, respectivamente, face a 2019.

      “Aqueles que aproveitam a exploração do jogo para a prática de jogo ilícito e branqueamento de capitais, basicamente desapareceram, o que garante que a indústria do jogo está a enveredar por um caminho saudável e correcto”, observou. A PJ referiu que a revisão da lei de jogo também concedeu ao Executivo mais poder de fiscalização dos casinos, o que ajudou no combate aos crimes graves de jogo.

      Todavia, a troca ilegal de dinheiro para jogo continua activa e constitui um sério risco para a segurança nas zonas em volta dos casinos, segundo a polícia, pelo que a repressão das actividades dos burlões da troca ilegal de dinheiro tem sido uma das prioridades do seu trabalho nos últimos anos.

      Com a colaboração com o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e as empresas do jogo, a PJ interceptou no ano transacto mais de 11.000 burlões de troca ilegal de dinheiro, e comunicou à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) os dados sobre 2.048 burlões, para os procedimentos de interdição de entrada nos casinos.

      “O número de casos relacionados com a troca ilegal registou um recorde mais elevado no ano passado desde o seu surgimento em 2018. A maioria dos envolvidos foram repatriados por terem exercido actividades que não se coadunavam com a qualidade de turista, uma vez que a troca ilegal não é uma violação penal, mas financeira”, admitiu o director da PJ.

      Sit Chong Meng referiu ainda estar esperançado numa revisão de lei para uma maior repressão do câmbio ilegal, mas acredita que “vai demorar ainda mais tempo” para lidar com este tipo de crime.

       

      PREVENÇÃO DE INTERFERÊNCIAS EXTERNAS

       

      No seu balanço de trabalho, a PJ recordou ainda que foi criado há mais de três anos o Departamento de Segurança, tendo conseguido dar “uma forte resposta face às ameaças colocadas pelas forças externas” desde que a sociedade retomou à normalidade. Assinalou também que o organismo adoptou uma série de medidas eficazes contra infiltração, espionagem, interferência e sabotagem.

      Sit Chong Meng enfatizou que em 2024 irá celebrar-se o 75.º aniversário da implantação da República Popular da China e o 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM, bem como irá realizar-se a eleição do Chefe do Executivo do VI Governo da RAEM, por isso, a PJ vai “aumentar a recolha de informações” e “prevenir efectivamente a interferência e sabotagem de forças externas”, de forma a salvaguardar a segurança do Estado e a estabilidade da região.

      Apesar de não ter avançado quais são as medidas concretas para combater os actos contra a segurança nacional, Sit Chong Meng alertou para os potenciais riscos no território e considerou que é importante “os residentes estarem conscientes” sobre o assunto.

      Por outro lado, o Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC) detectou ao longo do ano passado 5.800 ataques cibernéticos e acções de espionagem às infra-estruturas críticas numa base média diária, sendo uma subida anual de 5,5%.

      As autoridades registaram ainda quatro casos de homicídio, 45 de fogo posto e 33 de roubo, bem como 50 processos por tráfico de estupefacientes, um aumento de 13,6% em relação ao ano anterior. Em termos de crimes sexuais, foram instaurados 202 casos, uma diminuição de 54 casos face ao ano anterior.