De acordo com dados divulgados ontem pelos Serviços de Saúde, em Março verificou-se uma redução de 60% dos casos de doenças transmissíveis de declaração obrigatória em relação ao mês anterior de Fevereiro. Dos 608 casos contabilizados, a maioria relacionava-se com a infecção por influenza, norovírus e escarlatina.
Os Serviços de Saúde contabilizaram um total de 608 casos de doenças transmissíveis de declaração obrigatória no mês de Março, menos 60% do que os 1.539 registados em Fevereiro. Entre os 45 tipos de enfermidades com estas características, as três com maior número de casos foram a influenza, a infecção por norovírus e a escarlatina.
A influenza, ou gripe, foi responsável por 320 casos no mês de Março, o que representa um decréscimo de 77,9% em relação aos 1.446 casos do período homólogo do ano anterior e uma redução substancial de 74,4% face aos 1.252 verificados no mês de Fevereiro. A redução dos valores pode justificar-se com as características do vírus da influenza, mais activo durante os meses de Inverno e início de Primavera.
Embora a maioria dos sintomas seja leve e desapareça sem necessidade de tratamento, as autoridades de saúde recordam que a gripe é uma doença altamente contagiosa que pode dar origem a complicações como bronquite ou pneumonia. A vacinação sazonal continua a ser o método mais eficaz de prevenção, especialmente para grupos vulneráveis como idosos, crianças ou doentes crónicos.
A infecção por norovírus surge em segundo lugar, com 74 casos diagnosticados só no mês de Março. Ao contrário das restantes doenças realçadas pelos Serviços de Saúde, esta foi a única em que se verificou um aumento de casos em comparação com o mesmo mês de 2024 (mais 1,4%) e com o mês anterior de Fevereiro (mais 19,4%).
Esta doença, que afecta o tracto gastrointestinal, é transmitida principalmente pelo consumo de alimentos ou água contaminados ou pelo contacto com secreções de doentes. No que respeita ao primeiro ponto, os Serviços de Saúde recomendam um reforço da higiene alimentar através, por exemplo, da separação entre os alimentos crus e cozinhados e da cozedura total dos alimentos, devendo estes ser armazenados a uma temperatura adequada após a confecção.
Por sua vez, a escarlatina registou 54 casos em Março – uma descida de 77,4% em relação ao mês homólogo de 2024 e de 10% face a Fevereiro. Esta infecção respiratória, causada pela bactéria estreptococo beta hemolítico do grupo A, transmite-se através do contacto com secreções orais e respiratórias de doentes infectados.
Apesar de o pico da doença ocorrer geralmente na Primavera e no Inverno, os Serviços de Saúde alertam a população para que permaneça atenta a sintomas como febre, “língua com aspecto semelhante a um morango” e erupções cutâneas no corpo em qualquer altura do ano. Como ainda não existe vacina contra a escarlatina, o tratamento passa pela administração de antibióticos.
Ao abrigo da legislação vigente, os profissionais de saúde e instituições médicas de Macau têm a responsabilidade de notificar casos de doenças transmissíveis dentro do prazo legal, contribuindo assim para uma gestão de saúde pública mais eficiente e informada, segundo um comunicado dos Serviços de Saúde.
A implementação de medidas de protecção individuais é essencial para a prevenção das doenças abrangidas por esta definição. Para além das medidas de higiene alimentar já mencionadas, as autoridades sanitárias aconselham também a adopção de hábitos como uma alimentação equilibrada, a prática regular de desporto, a manutenção de uma boa higiene, a ventilação de ar no interior das instalações e o uso de máscara caso surjam quaisquer sintomas.
C.B.











