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      Abuso de drogas entre jovens com a taxa mais baixa desde que há registo

      Menos de 1% dos jovens estudantes inquiridos foram consumidores de droga no ano passado, sendo que essa taxa foi inferior a 10% entre os jovens que estão a ser acompanhados pelas entidades de serviços sociais de Macau. Uma investigação sobre a toxicodependência do Instituto de Acção Social revela que os números foram os mais baixos dos últimos vinte anos. O estudo mostra ainda que os jovens são sensibilizados com os perigos decorrentes da toxicodependência, e indica que a má relação familiar, a pressão e a curiosidade são os principais motivos para o uso abusivo de drogas por parte dos jovens.

       

      A taxa de toxicodependência dos jovens estudantes de Macau atingiu no ano passado o nível mais baixo desde que há registo, assinalando uma quebra acentuada de 2,67 pontos percentuais em comparação com os dados registados há mais de 20 anos, de 3,63%. A referida taxa que se registou no ano passado foi, pela primeira vez na história, inferior a 1%, representando um “nível baixo” do uso abusivo de droga.

      O Instituto de Acção Social (IAS) realizou no ano passado a “Investigação e seguimento sobre a toxicodependência por parte dos Jovens de Macau em 2023”, sendo esta a sexta investigação do género desde a primeira vez que se conduziu, em 2000. No presente estudo foram recolhidos 9.044 inquéritos de 23 escolas e nove instituições de ensino superior. Dos inquiridos, que têm idades compreendidas entre 11 e 22 anos, 87 jovens estudantes tiveram a experiência de consumo de droga.

      Os resultados mostram que a taxa de toxicodependência dos jovens estudantes de Macau é de 0,96%, uma diminuição de 1,96 pontos percentuais face à última investigação semelhante realizada em 2018. Os dados reflectem “uma tendência significativa de queda da situação de toxicodependência dos jovens nos últimos anos”, afirmou o IAS, sublinhando que “o problema da toxicodependência entre os jovens de Macau não é tão grave como nas regiões vizinhas”, mas “é necessário continuar a prestar atenção às medidas preventivas contra a toxicodependência”.

      Segundo o relatório publicado na página antidroga do IAS na passada sexta-feira, em termos de distribuição por ano escolar entre os consumidores de droga, os estudantes do secundário complementar ocupam a maior percentagem, com uma taxa de toxicodependência de 1,34%, seguido dos universitários (1,2%), dos alunos do secundário geral (0,85%) e do ensino primário (0,65%).

      O estudo, além disso, consta ainda um “fenómeno evidente” do “consumo misto de várias drogas ilícitas” e a existência de mais tipos de drogas emergentes em 2023 em comparação com 2018. A substância de estupefacientes que ocupa a maior percentagem em termos de dependência é a canábis (0,54%), seguido de heroína (0,45%), Ice (0,43%) e ecstasy (0,42%).

      O consumo de codeína, que existe nos xaropes contra a tosse, e do protóxido de azoto, conhecido como gás hilariante, e dos canabinoides sintéticos, foi verificado pela primeira vez em 2023 entre os jovens estudantes consumidores de drogas.

      Mais de 80% dos alunos entrevistados disseram que “conhecem bem” os impactos negativos do consumo de droga, 64% conhecem a responsabilização penal sobre o tráfico e consumo de estupefacientes, e 62% sabem que o uso abusivo de droga causará vício. Houve, contudo, diversas razões que motivaram o consumo de droga por parte dos jovens. A pesquisa descobriu que 22% das tentativas de uso de drogas foram por “curiosidade”, 18% por “estimulação [de emoções]” e 11% consumiram para “fazer companhia aos amigos”.

      Além disso, a degradação da relação familiar, os conflitos e actos violentos na família, bem como os comportamentos de ‘bullying’ nas escolas, foram também factores que levaram ao consumo de droga dos jovens. Os inquiridos manifestaram ter pressão nos estudos provocada pela escola e pelos pais, enquanto os consumidores juvenis mostram maior sofrimento da pressão financeira familiar e pressão das relações interpessoais face aos jovens não-consumidores de droga.

       

      MENOS CONSUMO POR PARTE DOS JOVENS ACOMPANHADOS

       

      Por outro lado, a equipa responsável da investigação entrevistou ainda 132 jovens que estão a ser acompanhados pelas entidades de serviços sociais de Macau, a quem é prestada mais atenção. São principalmente adolescentes que não frequentam a escola, que pediram ajuda sobre a gestão emocional e que têm vida familiar complicada, explicou o relatório.

      Este grupo de jovens também mostra uma diminuição da taxa de toxicodependência, que caiu de 11,6% em 2018 para 9,85% em 2023, sendo igualmente a taxa mais baixa entre os dados registados em Macau. A maioria dos jovens acompanhados teve contacto com a droga pela primeira vez entre os 16 e os 18 anos.

      O relatório revelou ainda a baixa taxa de tentativa para suspender o consumo de droga entre os consumidores jovens acompanhados, cuja análise diz que a sua razão para a não procura de serviços de tratamento da toxicodependência foi “o desconhecimento das drogas ilícitas” e o “receio de críticas e discriminação por parte da sociedade e dos familiares”.