Três navios chineses chegam a Myanmar para exercícios militares conjuntos

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epa10998463 A handout photo made available by the Myanmar Military Information Team shows the People's Liberation Navy Type 052C Destroyer Zibo (156) arriving in Yangon, Myanmar, 27 November 2023 (issued 28 November 2023). Chinese Navy ships arrived Myanmar to conduct maritime safety training during a friendship trip. EPA/Myanmar Military Information Team / HANDOUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

 

A junta militar de Myanmar anunciou a chegada a Rangum de três navios da marinha chinesa. Os navios deverão realizar “exercícios de segurança naval entre Myanmar e a China”.

 

 

Três navios da marinha da China chegaram a Rangum para exercícios conjuntos com a marinha de Myanmar, anunciou na segunda-feira à noite a junta militar, num momento de tensão entre os dois aliados.

Um contratorpedeiro, uma fragata e um navio de abastecimento chineses chegaram na segunda-feira ao porto de Thilawa, nos arredores de Rangum, no centro do país, para “exercícios de segurança naval entre Myanmar e a China”, disse a junta.

O comunicado não referiu detalhes sobre os exercícios ou quando irão começar, mas o jornal Global New Light, apoiado pela junta, avançou que os três navios transportam cerca de 700 marinheiros a bordo.

A China, que partilha uma fronteira de 2.129 quilómetros com Myanmar, é um dos principais aliados e fornecedores de armas da junta militar. Pequim recusou descrever a tomada de poder em 2021 como um golpe de Estado. Mas analistas dizem que a China também está a armar vários grupos ao longo da fronteira com Myanmar, país onde vivem comunidades de etnia chinesa.

Grupos armados da resistência contra a junta militar, que reúnem guerrilheiros de minorias étnicas e milícias pró-democracia lançaram a 27 de Outubro a chamada “Operação 1027” no estado de Shan, no Norte do país, que faz fronteira com a China.

As Nações Unidas estimam que cerca de 82 mil pessoas foram deslocadas à força no estado de Shan desde então, o que levou as autoridades de Pequim a apelar a medidas para alcançar uma maior estabilidade na região. Pelo menos várias centenas terão fugido para a China.

As autoridades chinesas indicaram igualmente que cerca de 50 civis foram mortos e centenas ficaram feridos, maioritariamente em ataques da junta militar.

O governo de Myanmar reconheceu ter perdido pelo menos três cidades e os combates parecem ter interrompido quase todo o comércio legal com a nação vizinha.

A passagem fronteiriça de Kyin-San-Kyawt, uma das cinco principais entradas comerciais da cidade de Muse, no norte do estado de Shan, foi tomada no sábado. Trata-se do quarto posto fronteiriço conquistado pelas forças da aliança num mês de intensos combates.

Myanmar depende fortemente do comércio com a China, especialmente para a importação de produtos manufaturados e exportação de produtos agrícolas.

Pequim apelou no domingo a um cessar-fogo em Myanmar, mas disse que vai continuar os exercícios de fogo real do lado chinês, para “testar a mobilidade, as capacidades de controlo da fronteira e as capacidades de poder de fogo das unidades militares, para que o Exército Popular de Libertação esteja pronto para qualquer emergência”.

Os distúrbios na região fronteiriça têm sido um motivo de irritação para China, que tem também criticado a incapacidade da junta militar em acabar com centros onde chineses, vítimas de tráfico humano, são forçados a defraudar os seus compatriotas através da Internet.