IAM prevê pouco impacto em Macau após suspensão de alimentos de dez distritos japoneses

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O Instituto para os Assuntos Municipais defende que o impacto em Macau será “relativamente pouco” em relação à proibição de importação de certos produtos alimentares japoneses. Segundo o organismo, a proporção desses alimentos representa menos de 0,1% do total das importações de produtos frescos e vivos no território. Os Serviços de Alfândega emitiram ontem uma nota a revelar que será reforçada a inspecção, e lançaram um apelo para os cidadãos que viajam para o Japão para não trazerem produtos proibidos ao regresso.

 

A medida que proíbe a importação de produtos alimentares frescos e vivos de dez prefeituras japonesas, que entra em vigor hoje, não vai provocar grande impacto em Macau. A garantia foi deixada pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), justificando com a razão de que o volume de importação desses produtos no passado tem sido pequeno.

O IAM, citado pelo Jornal Ou Mun, disse acreditar que a política terá “pouco impacto” no público e nos sectores relevantes, assegurando que, no passado, para além dos produtos de Fukushima que tinham sido proibidos há muito tempo, os produtos alimentares frescos das outras nove prefeituras também tinham sido sujeitos a controlo.

De acordo com os dados estatísticos da inspecção dos alimentos, entre Janeiro e Julho deste ano, o volume total das importações de produtos oriundos dos nove distritos totalizou cerca de 110 toneladas, representando menos de 0,1% do total das importações de alimentos frescos e vivos de Macau. Já as mercadorias relevantes foram principalmente snacks relacionados com produtos aquáticos, produtos de peixe congelados, gelado, carne bovina e vegetais.

O Governo de Macau, após o anúncio na terça-feira, formalizou ontem a medida, com um despacho do Chefe do Executivo publicado em Boletim Oficial, segundo o qual é proibida a importação de produtos alimentares frescos e vivos, produtos de origem animal, sal marinho e algas, incluindo vegetais, frutas, leite e derivados, produtos aquáticos e derivados, carnes e derivados, ovos de aves, entre outros, de dez prefeituras japonesas, nomeadamente Fukushima, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Tóquio.

“Sobre o facto de o Japão ignorar as fortes dúvidas e a firme oposição da comunidade internacional, lançando forçosamente o plano de descarga de águas contaminadas da central nuclear de Fukushima no mar, o Governo da RAEM mostra-se muito preocupado com o incidente e manifesta a sua forte oposição”, pode ler-se num comunicado emitido ontem pelo Gabinete de Comunicação Social.

O IAM disse que irá “cumprir rigorosamente o disposto do despacho do Chefe do Executivo e reforçar a inspecção e monitorização de substâncias radioactivas nos produtos importados do Japão nas vertentes da importação e da venda a retalho. O organismo também disponibiliza, desde ontem, uma página electrónica temática de segurança alimentar sobre inspecção de radionuclídeos.

Segundo os dados dos testes de radiação actualizados até terça-feira, em Macau foram efectuados, desde o início do ano, testes de radiação em mais de 23 mil amostras de alimentos importados do Japão, cuja maioria foi produtos aquáticos e derivados, sal e algas, seguido pelos vegetais e frutas. No dia 22 de Agosto foram testadas 407 amostras relevantes, não tendo sido detectada qualquer anomalia.

 

ALERTA PARA QUEM VIAJA PARA O JAPÃO

 

Os Serviços de Alfândega (SA) emitiram também ontem uma nota de imprensa em que salientam o reforço nos trabalhos de inspecção de produtos importados para Macau, bem como as pessoas que entram no território. “Em particular, os SA vão reforçar a inspecção dos pertences transportados pelas pessoas que entram em Macau através de voos provenientes do Japão, de modo a evitar a entrada dos alimentos relevantes em Macau e a salvaguardar a saúde dos residente”, destacou.

Além disso, o organismo lançou um apelo destinado aos residentes que viajam para o Japão, para que não tragam para Macau os produtos proibidos constados no despacho do Chefe do Executivo. Os Serviços de Alfândega garantiram ainda mais cooperação com o IAM para fiscalizar os estabelecimentos de comida, a fim de reprimir as situações de recolha, venda e uso de produtos alimentares proibidos em Macau.