Edição do dia

Terça-feira, 25 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva moderada
34.3 ° C
34.3 °
34.3 °
77 %
6.1kmh
90 %
Ter
34 °
Qua
30 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeEspaços livres têm de ser planificados para uma sociedade “super envelhecida”, avisa...

      Espaços livres têm de ser planificados para uma sociedade “super envelhecida”, avisa Ho Ion Sang

       

      A sociedade em Macau já é “envelhecida” e, em uma década, será “super-envelhecida”: no ano passado, 13,3% da população tinha mais de 65 anos, e em 2024, com uma taxa média de crescimento anual de 3,5%, é de prever que mais de 20% da população vá ser idosa. Face a isto, será que as novas zonas de lazer do canídromo, e da zona marginal que vai unir o NAPE à Barra, estão a ser planeadas da forma correcta? O deputado Ho Ion Sang interpelou as autoridades sobre estas questões, querendo saber mais detalhes, e relembrando que os idosos deveriam ser ouvidos nas escolhas do equipamento que lhes diz respeito.

       

      O deputado Ho Ion Sang está preocupado com a qualidade de vida de uma população que envelhece a passos largos, e acusa as autoridades de não estarem a planear de forma adequada as instalações recreativas urbanas da cidade que, avisa, “não são muito amigáveis para os idosos”. Interpelando o Governo sobre a questão, o presidente da direcção da Associação de Bem-Estar dos Moradores de Macau recordou que conforme foi sustentado nas “Projecções da População de Macau 2022-2041”, em 2023 a população do território passou a ser classificada como sociedade envelhecida. Recorde-se que Macau já tinha sido categorizado como uma sociedade a envelhecer há uma década, e nas estatísticas demográficas de 2022, os idosos contabilizavam 13,3% da população total. A ONU classifica uma população de estar a “envelhecer” quando a percentagem de idosos é de mais de 7%, “envelhecida” quando 14% dela é composta por idosos, e de “super envelhecida” quando o valor ultrapassa os 20%.

      Ho Ion Sang alertou para o facto de que em 2024 a RAEM vai aproximar-se “do ponto crítico de uma sociedade ultra-envelhecida”, prevendo-se que “a população idosa aumente de 83.200 em 2021 para 164 mil em 2041, com uma taxa média de crescimento anual de 3,5%, muito superior aos 0,7% da população total”, advertiu o deputado. “Com a evolução gradual de Macau para uma sociedade envelhecida e uma sociedade ultra-envelhecida, a procura de espaços abertos comunitários e de instalações auxiliares por parte dos idosos irá aumentar significativamente”, sustenta. É, portanto, urgente que “as autoridades competentes efectuem um planeamento prospetivo, científico e racional das instalações de espaços abertos públicos em Macau”.

      “Desde sempre, os residentes locais têm expressado que há falta de espaços abertos e de instalações para actividades na zona sul” da cidade, denunciou o deputado, mostrando-se preocupado e querendo obter mais esclarecimentos sobre as duas grandes novas zonas de lazer da península de Macau que estão a ser repensadas: o parque desportivo do antigo Canídromo, e a 2ª fase do “corredor verde da costa sul”, que vai unir a zona da estátua de Kun Iam do NAPE à zona da Barra. “Qual é o estado actual dos trabalhos? Existe algum calendário relevante? Antes da conclusão do programa, como podem ser atenuadas as preocupações dos residentes em relação ao projecto, e de que forma será aliviada a procura de espaços abertos e de instalações para actividades no bairro por parte dos residentes?”, pergunta. “Para além da melhoria prevista das áreas de estar ao ar livre, irão as autoridades competentes estudar a criação de um centro de actividades para os idosos no distrito do sul?”

      Relembrando as chamadas ‘instalações lúdicas inteligentes para idosos’, o deputado quis saber se existem condições para a introdução deste tipo de instalações no novo parque desportivo do Canídromo, ou nova zona do “Passeio Marítimo” da zona sul, ou se a administração está a estudar a possibilidade de, no futuro, construir parques inteligentes, a título experimental, nos espaços abertos das novas zonas da cidade, e aumentar o número desses parques.

      Referindo-se em concreto à proporção de instalações recreativas, desportivas e de lazer em vários bairros, este diz que as autoridades devem fazer mais, e ouvir mais a perspectiva dos idosos. “Tencionam as autoridades competentes estudar as estratégias de melhoria do ambiente favorável aos idosos e das instalações de lazer no futuro e realizar mais inquéritos para conhecer as necessidades e os pontos de vista dos idosos de Macau, de modo a que estes possam participar no planeamento dos espaços públicos abertos?”

      Quando se está a conceber e adaptar um espaço comunitário ao ar livre, é necessário ter em conta inúmeros parâmetros, de segurança, acessibilidade, mas também de conforto, recorda o deputado: as instalações desportivas, as instalações recreativas e de estar, as instalações sanitárias públicas, as instalações de socorro, e até a concepção da sinalização direccional para essas instalações têm de estar de acordo com as necessidades dos idosos, argumenta, sustentando que “a disponibilização de mais espaços de lazer e de actividades para os idosos na comunidade não só aumentará a vontade dos idosos de saírem à rua, como também contribuirá para o ‘envelhecimento no local’ dos idosos’”.

      O deputado quis ainda indagar as autoridades sobre se vão ser disponibilizados mais pavilhões, cadeiras e salas de xadrez e outras instalações adequadas, tais como jogos de tabuleiro para os idosos, em zonas de estar e centros de actividades adequados em todo o território de Macau.