A sociedade em Macau já é “envelhecida” e, em uma década, será “super-envelhecida”: no ano passado, 13,3% da população tinha mais de 65 anos, e em 2024, com uma taxa média de crescimento anual de 3,5%, é de prever que mais de 20% da população vá ser idosa. Face a isto, será que as novas zonas de lazer do canídromo, e da zona marginal que vai unir o NAPE à Barra, estão a ser planeadas da forma correcta? O deputado Ho Ion Sang interpelou as autoridades sobre estas questões, querendo saber mais detalhes, e relembrando que os idosos deveriam ser ouvidos nas escolhas do equipamento que lhes diz respeito.
O deputado Ho Ion Sang está preocupado com a qualidade de vida de uma população que envelhece a passos largos, e acusa as autoridades de não estarem a planear de forma adequada as instalações recreativas urbanas da cidade que, avisa, “não são muito amigáveis para os idosos”. Interpelando o Governo sobre a questão, o presidente da direcção da Associação de Bem-Estar dos Moradores de Macau recordou que conforme foi sustentado nas “Projecções da População de Macau 2022-2041”, em 2023 a população do território passou a ser classificada como sociedade envelhecida. Recorde-se que Macau já tinha sido categorizado como uma sociedade a envelhecer há uma década, e nas estatísticas demográficas de 2022, os idosos contabilizavam 13,3% da população total. A ONU classifica uma população de estar a “envelhecer” quando a percentagem de idosos é de mais de 7%, “envelhecida” quando 14% dela é composta por idosos, e de “super envelhecida” quando o valor ultrapassa os 20%.
Ho Ion Sang alertou para o facto de que em 2024 a RAEM vai aproximar-se “do ponto crítico de uma sociedade ultra-envelhecida”, prevendo-se que “a população idosa aumente de 83.200 em 2021 para 164 mil em 2041, com uma taxa média de crescimento anual de 3,5%, muito superior aos 0,7% da população total”, advertiu o deputado. “Com a evolução gradual de Macau para uma sociedade envelhecida e uma sociedade ultra-envelhecida, a procura de espaços abertos comunitários e de instalações auxiliares por parte dos idosos irá aumentar significativamente”, sustenta. É, portanto, urgente que “as autoridades competentes efectuem um planeamento prospetivo, científico e racional das instalações de espaços abertos públicos em Macau”.
“Desde sempre, os residentes locais têm expressado que há falta de espaços abertos e de instalações para actividades na zona sul” da cidade, denunciou o deputado, mostrando-se preocupado e querendo obter mais esclarecimentos sobre as duas grandes novas zonas de lazer da península de Macau que estão a ser repensadas: o parque desportivo do antigo Canídromo, e a 2ª fase do “corredor verde da costa sul”, que vai unir a zona da estátua de Kun Iam do NAPE à zona da Barra. “Qual é o estado actual dos trabalhos? Existe algum calendário relevante? Antes da conclusão do programa, como podem ser atenuadas as preocupações dos residentes em relação ao projecto, e de que forma será aliviada a procura de espaços abertos e de instalações para actividades no bairro por parte dos residentes?”, pergunta. “Para além da melhoria prevista das áreas de estar ao ar livre, irão as autoridades competentes estudar a criação de um centro de actividades para os idosos no distrito do sul?”
Relembrando as chamadas ‘instalações lúdicas inteligentes para idosos’, o deputado quis saber se existem condições para a introdução deste tipo de instalações no novo parque desportivo do Canídromo, ou nova zona do “Passeio Marítimo” da zona sul, ou se a administração está a estudar a possibilidade de, no futuro, construir parques inteligentes, a título experimental, nos espaços abertos das novas zonas da cidade, e aumentar o número desses parques.
Referindo-se em concreto à proporção de instalações recreativas, desportivas e de lazer em vários bairros, este diz que as autoridades devem fazer mais, e ouvir mais a perspectiva dos idosos. “Tencionam as autoridades competentes estudar as estratégias de melhoria do ambiente favorável aos idosos e das instalações de lazer no futuro e realizar mais inquéritos para conhecer as necessidades e os pontos de vista dos idosos de Macau, de modo a que estes possam participar no planeamento dos espaços públicos abertos?”
Quando se está a conceber e adaptar um espaço comunitário ao ar livre, é necessário ter em conta inúmeros parâmetros, de segurança, acessibilidade, mas também de conforto, recorda o deputado: as instalações desportivas, as instalações recreativas e de estar, as instalações sanitárias públicas, as instalações de socorro, e até a concepção da sinalização direccional para essas instalações têm de estar de acordo com as necessidades dos idosos, argumenta, sustentando que “a disponibilização de mais espaços de lazer e de actividades para os idosos na comunidade não só aumentará a vontade dos idosos de saírem à rua, como também contribuirá para o ‘envelhecimento no local’ dos idosos’”.
O deputado quis ainda indagar as autoridades sobre se vão ser disponibilizados mais pavilhões, cadeiras e salas de xadrez e outras instalações adequadas, tais como jogos de tabuleiro para os idosos, em zonas de estar e centros de actividades adequados em todo o território de Macau.











