DAR SENTIDO AO TEMPO
Ricardo Fonseca Mota e Rachel Caiano
Salvar o Tempo
Livros Horizonte
Já lá vai o tempo em que os livros pensados para leitores mais novos deixavam de lado uma série de temas mais, digamos, existenciais. Neste Salvar o Tempo, não houve, felizmente, essa censura moral que acredita serem as crianças pouco perspicazes e incapazes de perceberem o que as rodeia. Com texto de Ricardo Fonseca Mota, cujos sentidos se expandem através das imagens de Rachel Caiano – que tantas vezes acrescentam inúmeras dimensões ao texto, sem caírem na tentação de o replicar – , este livro é abertamente sobre o tempo e a sua passagem, sem com isso ser fatalista.
Aproximando-se de uma definição possível de “tempo”, o que aqui se mostra é uma deriva poética que vai declinando os sentidos possíveis para esta categoria que nos define a vida, ainda que a física quântica diga que, objectivamente, não existe. Aqui se cruzam noções mais terra a terra, com a crítica à tentativa de domesticar o tempo entre relógios, horários e pressas (uma domesticação que é, na verdade, de nós próprios, e não exactamente do tempo), e reflexões mais gerais sobre essa ideia de mudança, envelhecimento, transformação. Em fundo, o que ecoa sempre é o mais importante, os gestos, as partilhas, as memórias, portanto, tudo aquilo que nos permite, na medida do possível, resistir à implacável ampulheta e sentir que, apesar de tudo, atravessar o tempo que nos cabe em sorte é coisa que vale mesmo a pena.
O MUNDO CABE NUM CÃO
Joana Estrela
Ão-Ão
Planeta Tangerina
Este é um belo livro para iniciar os muito pequenos na banda desenhada, permitindo acompanhar-lhes a leitura e ir apontando as elipses, as mudanças de cena, as onomatopeias, os elementos visuais que vão dando sentido a uma história e permitindo a sua construção. Quem já conhecia Miau!, um livro que de certo modo pode fazer dupla com este Ão-Ão, reconhecerá a familiaridade com que Joana Estrela convoca os animais para personagens, não através da sua humanização, mas colocando-os em diálogo franco com as personagens humanas, numa proximidade que é também descoberta e que os mais novos, menos dados a este hábito de tudo arrumar em gavetas (espécies incluídas), talvez leiam de modo diferente dos adultos.
Sem texto para além das onomatopeias, Ão-Ão acompanha uma menina e os seus pais na ida para uma quinta, onde passarão algum tempo. Na bagagem vão os dois gatos da família e na quinta encontrarão um cão, responsável pelo título do livro, para além de outros animais. Peripécias à parte, e limitações etárias ao longe, neste pequeno livrinho que os mais novos podem ler em modo de descoberta está um exemplar de excelência de como a banda desenhada, mesmo sem palavras, pode ser usada para contar uma história e enchê-la de sentidos múltiplos e camadas narrativas.
Ricardo Henriques e André Letria
Foxy & Meg Encontram Um Mas-mas
Pato Lógico
Klara Persoon
Molly & Su
Orfeu Negro
Tradução de Ana Diniz
Lily Murray e Jenny Løvlie
Um Vestido Com Bolsos
Tradução de Susana Cardoso Ferreira
Fábula
Rui Correia, António F. Nabais e Hélio Falcão
Pelo contrário
Nuvem de Letras















