Edição do dia

Sábado, 22 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
30.9 ° C
31.9 °
30.9 °
79 %
4.1kmh
40 %
Sáb
31 °
Dom
30 °
Seg
30 °
Ter
30 °
Qua
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaContrastes, contradições e encruzilhadas: CCCM com curso sobre a história alternativa de...

      Contrastes, contradições e encruzilhadas: CCCM com curso sobre a história alternativa de Macau

      “Macau, cidade de pecado: Histórias de transgressão na ‘Cidade do Nome de Deus'” é o nome do curso que será ministrado por Hugo Pinto no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) a partir de 6 de Maio. Aqui, será contada a história alternativa do território. “É a história de Macau contada do ponto de vista da transgressão, desde o momento em que os portugueses têm os primeiros contactos com chineses, em Malaca, até, praticamente, aos dias de hoje”, descreve o jornalista.

       

      A história de Macau tem sido feita de ambiguidades e contrastes, e o curso “Macau, cidade de pecado: Histórias de transgressão na ‘Cidade do Nome de Deus'” pretende explorar isso mesmo. O curso do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) é ministrado pelo jornalista Hugo Pinto e começa este sábado, 6 de Maio.

      O curso propõe-se, então, a explorar a natureza ambígua de Macau “representada nos exemplos de transgressão que permitiram ao pequeno território sobreviver ao longo de conturbados séculos”, lê-se na descrição do instituto em Lisboa, acrescentando que “são histórias de uma Macau ‘noir’, em que as personagens são piratas e soldados da fortuna, senhores e escravos, reaccionários e revolucionários, concubinas e meretrizes, agentes secretos e seitas, num teatro de sombras em que virtudes e pecados muitas vezes se confundem”.

      O primeiro módulo tem quatro sessões, nos dias 6, 13, 20 e 27 de Maio. O segundo módulo está previsto para o mês de Julho. O formador, Hugo Pinto, viveu em Macau durante 16 anos, tendo sido jornalista do PONTO FINAL e da TDM Rádio Macau. Hugo Pinto também coordenou, no ano passado, o livro “A Abelha da China nos seus 200 Anos: Casos, personagens e confrontos na experiência liberal de Macau”.

      Depois de o CCCM lhe ter lançado o desafio de criar um curso-livre, Hugo Pinto escolheu o tema da transgressão, que tem estudado ao longo dos anos. Este curso é sobre a “história alternativa de Macau, uma espécie de ‘lado B'”, explica Hugo Pinto ao PONTO FINAL. “É a história de Macau contada do ponto de vista da transgressão, desde o momento em que os portugueses têm os primeiros contactos com chineses, em Malaca, até, praticamente, aos dias de hoje. São quatro séculos e meio de histórias, episódios, personagens, que ilustram como ir além dos limites definiu Macau”, conta.

      Macau “conseguiu encontrar sempre formas de resistir e sobreviver, quando não prosperar, como foi o caso de indústrias que mesmo na época em que surgiram eram mal vistas, mas que se tornaram pilares económicos: o jogo, o ópio ou o tráfico de cules”, diz Hugo Pinto.

      Este é um “lugar especial” – entre as margens do império chinês e português e numa encruzilhada Ocidente-Oriente, rei-imperador, comunismo-capitalismo – que conseguiu assim a sua “natureza dúplice e ambígua, de cidade que está de bem com deus e com o diabo, ou seja, de cidade que consegue conciliar os extremos”.

      Macau é, por um lado, a cidade que foi “centro da irradiação da fé cristã no Extremo-Oriente (o que também é um exemplo de transgressão)”, e, por outro, “se assumiu como entreposto comercial, terra de lucros, e como centro de exploração de todo o tipo de vícios”, destaca. E estas ambiguidades serviram, defende Hugo Pinto, para moldar a identidade de Macau. “Para mim, isto é o que, sem dúvida, melhor caracteriza Macau”, considera.

      “É tudo isto que vamos desenvolver no curso, apresentando inúmeros exemplos, de variadíssimas fontes. Penso que o curso vai ser interessante e surpreendente mesmo para aqueles que conhecem bem a história de Macau. Há aqui material mais do que suficiente para alimentar muitas séries, livros e filmes”, comenta.

      Mas haverá interesse sobre Macau em Portugal? O jornalista responde: “Em Portugal, há um desinteresse generalizado por Macau que tem razões históricas, mas isto não significa que não haja pessoas interessadas. Há. Tem é que se ir ao encontro delas, e tem também de haver a capacidade, a criatividade, para conquistar novos públicos”.

      Sobre o presente, Hugo Pinto comenta que “Macau atravessa um momento de grande significado histórico, de transformação profunda, mas isso não parece chamar a atenção da academia ou do jornalismo”. “Em Portugal, há instituições com essa vocação para os assuntos de Macau e do Oriente que podiam e deviam fazer muito mais. Penso que, nesse aspecto, o Centro Científico e Cultural de Macau se tem vindo a destacar, não só alargando a sua actividade a outras geografias asiáticas, como também valorizando temáticas e épocas que, a meu ver, não estavam a merecer a devida atenção, como é o caso dos séculos XIX e XX”, conclui.