Delegação da agência Lusa em Macau celebra 35 anos de existência

A data foi assinalada ontem sem grande alarido. A representação da agência noticiosa portuguesa nasceu a 30 de Janeiro de 1988, durante o Governo de Carlos Melancia. Desde então, a delegação teve seis delegados: Gonçalo César de Sá, Paulo Ramalheira, João Miguel Roque, José Costa Santos, Margarida Pinto e Elsa Jacinto. De acordo com declarações proferidas em 2019 pelo então presidente do Conselho de Administração da empresa paraestatal, Nicolau Santos, Macau tem cada vez maior relevância estratégica como ponte de ligação de Pequim com a lusofonia.

0
225

Foi a 30 de Janeiro de 1988, sob a governação de Carlos Melancia, que a agência Lusa abriu uma delegação em Macau. Passaram 35 anos desde então e muitos jornalistas deram o seu contributo à agência noticiosa portuguesa, que continua de pedra e cal no território.

“Tal como ao longo dos últimos 35 anos, a delegação da Lusa em Macau continua a ser essencial no projecto editorial de divulgação da língua e cultura portuguesas e da vida das comunidades portuguesas no Mundo. Aproveitando o papel de Macau enquanto plataforma para a cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos, bem como na fundamental esfera cultural, a Lusa continuará a acompanhar as iniciativas que se enquadrem neste espírito, numa contribuição para a afirmação do território na sua vertente multicultural, em que o português tem um papel de destaque”, considerou a agência noticiosa portuguesa em resposta ao PONTO FINAL, acrescentando que mantém-se “a linha de trabalho que a tem distinguido ao longo das últimas décadas, tanto no panorama editorial local, como da lusofonia, sem descurar o acompanhamento dos assuntos mais importantes da vida na região administrativa especial chinesa”.

Desde 1988, foram delegados da Lusa em Macau os jornalistas Gonçalo César de Sá, actual director da Macaulink, que também chegou a ser responsável regional da Lusa na região Ásia-Pacífico; Paulo Ramalheira, presidente do Movimento dos Amigos da Ria de Aveiro e que também chegou a ser director do Tribuna de Macau, bem como administrador da TDM – Teledifusão de Macau; João Miguel Roque, ainda jornalista na agência; José Costa Santos, actualmente nos quadros da TDM; Margarida Pinto, actual correspondente da Lusa em Madrid, Espanha, e Elsa Jacinto, que está à frente da delegação desde 2017.

Em 2019, sob os desígnios de Nicolau Santos, a Lusa admitiu querer aumentar a produção noticiosa nos países africanos de língua oficial portuguesa e reforçar a presença na China, num momento em que Macau assumia cada vez maior relevância estratégica como ponte de ligação de Pequim com a lusofonia. “A disponibilização de um maior número de notícias sobre os países africanos de expressão portuguesa a entidades públicas ou privadas em Macau, interessadas nessa informação, contribuirá para um reforço da ligação de Macau com esses países, mas também com Portugal”, afirmou o antigo presidente do Conselho de Administração da empresa paraestatal, na altura, durante a apresentação de um ‘site’ (https://macau20anos.lusa.pt) para assinalar os 40 anos do acordo diplomático entre Portugal e a China (assinado em 8 de Fevereiro de 1979), os 20 anos da transferência de Macau (20 de Dezembro de 1999) e os 70 anos da República Popular da China, proclamada por Mao Zedong em 1 de Outubro de 1949, desejando ainda que a Lusa se mantenha em Macau durante “séculos”, considerando que esta é a “mais importante” delegação da sua rede.

A Lusa, que é a única agência de notícias estrangeira com delegação em Macau, estabeleceu contactos para disponibilizar informação noticiosa em português aos alunos das 37 universidades na China continental que ensinam a língua de Camões.

 

PATRIMÓNIO ALIENADO EM 2015

Apesar de vincada a posição da agência noticiosa na RAEM ao longo dos tempos, a Lusa vendeu o apartamento que detinha junto ao lago Sai Van e que foi adquirido no início da década de 90 com a ajuda da administração portuguesa de Macau. O apartamento, que servia de sede da agência noticiosa e de residência para o delegado da Lusa em Macau, foi vendido por 15,5 milhões de patacas. A iniciativa de alienação do apartamento, situado no edifício Villa Bella, tratou-se de uma decisão puramente financeira, referiu, em 2015, a presidente da agência Lusa, Teresa Marques, em declarações à TDM – Rádio Macau, depois da notícia avançada pelo já extinto jornal Business Daily.

Entre outras coisas que a Lusa fez em Macau está o estabelecimento de um protocolo, em 2009, Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML), um acordo que permitiu produzir mais oportunidades de negócio e investimentos para os empresários de Macau. O protocolo de cooperação foi uma forma de potenciar o facto de a agência noticiosa portuguesa ter delegações em todos os países de expressão portuguesa.

 

MAIS DE 280 JORNALISTAS E COLABORADORES

Actualmente presidida pelo gestor Joaquim Carreira e com a Direcção de Informação a cargo de Luísa Meireles, a Lusa, entre quadros e colaboradores, tem mais de 280 jornalistas ao seu serviço, espalhados por todo o mundo. Para além da delegação de Macau, bem como nas principais cidades de Portugal, a agência de notícias portuguesa tem delegações ou correspondentes permanentes na Bélgica, Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Luxemburgo, Rússia, Estónia, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Índia, São Tomé e Príncipe, África do Sul, Argélia, Timor-Leste, China, Brasil, Venezuela, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

O capital social da empresa é detido 50,15% pelo Estado português, 23,36% pelo grupo Global Media, 22,35% pelas Páginas Civilizadas, 2,72% pelas Notícias de Portugal, 1,38% pelo jornal Público, 0,03% pela Rádio e Televisão de Portugal e 0,01% pelo Diário do Minho.

Em 24 de Setembro de 2010, a Lusa foi agraciada com o “Prémio de Excelência e Qualidade de Trabalho” atribuído pela Aliança Europeia das Agências de Notícias (EANA – European Alliance of News Agencies). E em 2012, a agência foi condecorada com a insígnia da Ordem de Timor-Leste pelo então presidente do país, José Ramos-Horta.

Contrariamente ao que sucede oficialmente em Macau, a partir do dia 30 de Janeiro de 2010, a agência Lusa começou a utilizar o Acordo Ortográfico de 1990 em todos os despachos noticiosos, inclusive na RAEM.