Dado o aumento exponencial da procura, as autoridades decidiram impôr restrições à compra de medicamentos para a tosse e antigripais. A medida surge numa altura em que, devido à explosão de casos de Covid-19 em Macau, são escassos os medicamentos nas farmácias, como o PONTO FINAL já tinha noticiado.
Em comunicado, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) começa por garantir que “as inspecções demonstram que já foram reabastecidos os reagentes e medicamentos analgésicos e antitérmicos simples”, mas admite que “existe ainda a pressão de fornecimento em relação aos medicamentos de antigripais compostos e medicamentos para a tosse”.
Assim, “considerando a mudança da procura de certos medicamentos e dispositivos antiepidémicos no mercado, a fim de atender o mais possível às demandas da maioria dos residentes”, o ISAF começa a impôr um limite na compra de medicamentos. A partir de agora, cada indivíduo pode apenas comprar uma caixinha ou um frasco de medicamentos analgésicos e antitérmicos, uma caixinha ou um frasco de medicamentos de antigripais compostos, uma caixinha ou um frasco de medicamentos para a tosse e dez kits de teste rápido de antigénio.
Em resposta ao PONTO FINAL, o ISAF já tinha instado os fornecedores a reabastecerem as farmácias. No comunicado de ontem, o organismo diz que os importadores dos medicamentos declararam que se esforçariam a adquirir medicamentos a diversos locais para aumentar a importação e acelerar a logística para abastecer de forma mais rápida às farmácias e garantir o fornecimento dos medicamentos, “atendendo o mais possível às demandas dos residentes”.
“Além disso, o ISAF já emitiu indicações para farmácias comunitárias, lembrando-as que não elevassem os preços à toa ao aprovisionar medicamentos e dispositivos antiepidémicos, sugerindo-as que implementassem medidas de limite de compras para os medicamentos referentes”, lê-se no comunicado.
Na actualização de ontem do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, as autoridades contabilizaram mais uma morte ligada à Covid-19 ocorrida na quarta-feira. Nesse dia foram detectados mais 88 casos confirmados. Recorde-se que as autoridades sanitárias não contabilizam os casos assintomáticos.
EUA EXIGEM TESTE
Ontem, os Estados Unidos anunciaram que vão exigir um teste à Covid-19 para os viajantes oriundos da China – incluindo Macau e Hong Kong – , devido à explosão do número de casos e à falta de informação comunicada por Pequim, divulgaram.
A medida entra em vigor em 5 de Janeiro, sendo que “todos os passageiros aéreos com dois ou mais anos oriundos da China serão obrigados a fazer um teste no máximo dois dias antes da partida”, independentemente da sua nacionalidade ou da sua situação de vacinação, revelou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) em comunicado, especificando que esta medida será também aplicada aos passageiros provenientes de Hong Kong e Macau.
Os Estados Unidos estão particularmente preocupados com a possibilidade de a rápida transmissão do vírus na China causar o surgimento de novas variantes. Uma autoridade norte-americana criticou “a falta de dados de sequenciamento adequados e transparentes” fornecidos pela China.
Além disso, “a testagem e contagem de novos casos diminuiu” na China, tornando-se mais difícil para as autoridades de saúde dos EUA identificar novas variantes que circulam no país com “a falta de dados disponíveis”, acrescentou a mesma fonte, citada pela agência France-Presse (AFP).
Os testes terão de ser apresentados às companhias aéreas no momento da partida, referiu o CDC, sendo aceites testes de PCR ou antigénio, bem como um comprovativo de recuperação da Covid-19 após um teste positivo, mais de 10 dias antes do voo.
Esta decisão segue anúncios semelhantes de vários países, incluindo Japão ou Índia, que também impuseram testes obrigatórios à chegada de chineses.
Em Portugal, o Ministério da Saúde informou hoje que irá manter as medidas de controlo da covid-19 atualmente em vigor. Em resposta escrita à agência Lusa a propósito do aumento das infeções por SARS-CoV-2 na China, este ministério assegurou que as autoridades portuguesas estão a acompanhar a situação epidemiológica “em articulação com os parceiros europeus e organismos internacionais, nomeadamente no âmbito da actividade do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças”.











