Antigo piloto da Air Macau integrou equipa de resgate de avião estacionado na Ucrânia

0
215

O piloto português Frederico Alves Moreira, que chegou a fazer parte dos quadros da Air Macau, esteve por detrás de toda a operação de resgate de um avião comercial num aeroporto da Ucrânia no passado dia 1 de Junho, noticiou o portal Newsavia, que escreveu ainda que o trabalho, referiu o comandante, requereu uma longa preparação e grande secretismo atendendo à situação de guerra que hoje se vive naquele país”.

O Airbus A330-300, ao serviço da SmartLynx, tinha aterrado no aeroporto de Lviv, na Ucrânia, a 23 de Fevereiro de 2022, véspera da invasão da Rússia. Naquela altura, fazia um voo de carga, com a cabina de passageiros configurada temporariamente para aquele efeito. Na verdade, o aparelho da SmartLynx era o único avião civil que restava no Aeroporto de Lviv, que foi poupado aos bombardeamentos russos. A operação de resgate do aparelho foi planeada durante oito meses, explicou Frederico Alves Moreira ao Newsavia

Frederico Alves Moreira começou a sua carreira de piloto comercial na Air Luxor, em Portugal, estando desde há 16 anos a trabalhar no estrangeiro, tendo passado por companhias, para além da Air Macau, como a Qatar Airways, AtlasJet e Hong Kong Airlines até chegar ao Dubai, onde foi o primeiro português a ser certificado como comandante do Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, na Emirates.

O piloto português aceitou o desafio da sua entidade patronal, mas colocou como condição apenas fazer o resgate depois de completar 50 anos. No dia seguinte, viajou para a Polónia e depois até ao aeroporto de Lviv, num percurso secreto, orientado por pilotos ucranianos, que também estiveram envolvidos na operação.

O risco era grande e, em parte, desconhecido na sua totalidade. A partida do avião ocorreu cedo, pela manhã. Na partida de Lviv, o avião voou cerca de 12 minutos sobre território ucraniano com o transponder desligado. Todos os contactos com a torre de controlo do aeroporto foram realizados via WhatsApp, entre os telemóveis do comandante e do controlador aéreo. Ultrapassada a fronteira foram ligados os sistemas de rádio. Chegaram à cidade polaca de Varsóvia, onde o avião reabasteceu, tendo continuado viagem para Chateauroux, em França, onde agora será totalmente inspeccionado e sujeito a revisão técnica.

No cockpit da aeronave seguiram dois comandantes. Para além do português, viajou igualmente o britânico David Kinnersley, um piloto com grande experiência, nomeadamente na aviação de transporte militar.