O grupo Fosun, que detém várias empresas em Portugal, anunciou ontema venda de grande parte da sua posição na mineradora Zhaojin Mining Industry Co, pelo equivalente a 565 milhões de euros, visando reforçar a liquidez. O conglomerado chinês, que soma uma dívida equivalente a cerca de 38 mil milhões de euros, desfez-se já de milhares de milhões de euros em ativos este ano. A empresa tem a pagar mais de oito mil milhões de euros em títulos de dívida até ao final de 2023, segundo dados compilados pela agência Bloomberg.
Através de uma das suas unidades, a Fosun anunciou, em comunicado, a venda de 654,1 milhões de acções da mineradora de ouro Zhaojin Mining, por 6,72 dólares de Hong Kong cada. Um valor 1,8% inferior à cotação da empresa no encerramento da Bolsa de Valores de Hong Kong, na sexta-feira. O grupo, com sede em Xangai, reduz assim a participação na Zhaojin de 22,85% para 2,85%.
A Fosun e as suas unidades já cortaram participações em empresas como a seguradora New China Life Insurance e o retalhista Shanghai Yuyuan Tourist Mart Group. Entre os ativos vendidos este ano pelo grupo constam ainda uma posição no valor de 500 milhões de euros na Tsingtao Brewery, a principal marca de cervejas da China, 5% do grupo tecnológico chinês Taihe Technology, no valor de 43 milhões de euros, ou 6% do capital da empresa Zhongshan, por 100 milhões de euros, de acordo com a cotação atual no mercado.
O conglomerado anunciou ainda, em Outubro passado, que planeia vender a sua participação maioritária na fabricante de aço Nanjing Nangang Iron & Steel United, que está cotada na Bolsa de Xangai, por 16 mil milhões de yuans.
A Fosun realizou, nos últimos dez anos, uma série de aquisições além-fronteiras, adquirindo em Portugal a seguradora Fidelidade, uma participação de quase 30% no banco Millennium BCP e mais de 5% da REN – Redes Energéticas Nacionais. Entre os activos mais conhecidos constam a cadeia hoteleira Club Med e o clube inglês de futebol Wolverhampton Wanderers.
Um relatório do Citigroup, difundido no mês passado, indicou que a empresa planeia vender entre 50 mil milhões e 80 mil milhões de yuans em activos não essenciais, ao longo dos próximos 12 meses. O relatório destacou que a empresa considera a Fidelidade como essencial, não estando prevista a sua venda.












