Mais de duas décadas depois, Café Lisboa fecha portas

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FOTOGRAFIA PEDRO ANDRE SANTOS

No final de Setembro, o Café Lisboa – que há três anos se fundiu com o restaurante A Baía no NAPE – vai fechar portas. Segundo explicou o casal Carlos e Rosa ao PONTO FINAL, o encerramento deverá ser temporário, já que o objectivo é voltar a abrir no próximo ano. A principal culpada deste encerramento é a falta de mão-de-obra disponível em Macau.

 

O Café Lisboa – que há três anos se fundiu com o restaurante A Baía no NAPE – vai fechar no final deste mês, adiantou o casal Carlos e Rosa ao PONTO FINAL. Este é um encerramento que deverá ser temporário. O objectivo é voltar a abrir no próximo ano, no NAPE ou noutro local. Carlos Lao recusa acreditar que seja um adeus definitivo a este local de referência para a comunidade portuguesa de Macau quando é altura de almoçar ou jantar.

Há dois culpados pelo encerramento: a falta de mão-de-obra disponível em Macau e o contrato do espaço do NAPE que está a terminar. Em relação ao contrato de arrendamento do restaurante, o casal vai ainda tentar negociar com o senhorio para que, algures no próximo ano, o Café Lisboa possa quiçá reabrir no mesmo sítio.

“Ainda vamos falar com o senhorio. O contrato acaba este mês e vamos ver qual é a ideia dele. Eu gostava de continuar aqui, se arranjasse pessoal para trabalhar”, assinala Carlos. “Gosto deste espaço, mas são precisas mais pessoas para trabalhar”, acrescenta Rosa.

Apesar de as fonteiras terem sido abertas recentemente a nacionais de 41 países, as Filipinas continuam de fora da lista. O desejo de Carlos e Rosa de renovarem o pessoal esbarra na impossibilidade de fazer voltar os trabalhadores que estiveram no Café Lisboa durante vários anos e que estão agora nas Filipinas.

No início de 2020, quando o restaurante passou da Taipa para o NAPE, o casal não conseguiu levar consigo os trabalhadores que tinha, tendo estes voltado para as Filipinas. Agora, estes mesmos trabalhadores querem voltar ao Café Lisboa e estão à espera de que as fronteiras de Macau reabram para o seu país.

“É muito difícil encontrar pessoal aqui, locais então nem se fala”, lamenta. Na opinião do casal, que abriu o Café Lisboa na Taipa em 2001, este tem sido o pior ano. “São quase três anos a remar contra a maré”, atira Rosa.

No NAPE, o negócio tem até corrido bem, mas a custo. “Graças a Deus, temos negócio, mas não conseguimos ser só nós os dois trabalhar numa casa deste tamanho, temos de ter uma equipa”, sublinha.

Mais de duas décadas depois, o casal faz agora uma pausa por tempo indeterminado nas operações. “Ficamos um bocado tristes, não é o que a gente queria, mas não temos hipótese. Só [poderíamos continuar] se conseguíssemos trazer as pessoas que queremos”, diz Carlos.

Este encerramento vai permitir, no entanto, que o casal vá a Inglaterra, onde tem dois filhos e dois netos, um dos quais ainda não conheceram. Rosa e Carlos não vêem os filhos há três anos, desde o início da pandemia.

 

 

PONTO FINAL