As autoridades voltaram a abrir a porta para a entrada de estrangeiros e o sector do turismo considera que a medida pode contribuir para grandes eventos no segundo semestre do ano. No entanto, um especialista ouvido pelo PONTO FINAL alerta que o Governo de Macau deve assegurar instalações complementares suficientes para responder às necessidades após a reabertura da fronteira. Académico argumenta que o Executivo deve seguir o seu caminho e lançar medidas mais flexíveis consoante a situação socioeconómica da cidade.
As medidas antiepidémicas de entrada para pessoas titulares de passaportes estrangeiros foram relaxadas pela primeira vez após a epidemia. O sector do turismo considera que a reabertura das fronteiras aos cidadãos estrangeiros pode promover a organização de mais exposições internacionais e grandes eventos desportivos na cidade no segundo semestre do ano, mas as autoridades têm de assegurar que as instalações complementares podem satisfizer a procura.
Um académico defende que o Governo de Macau não segue sempre o caminho das autoridades chinesas, mas deve aproveitar as vantagens do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ no sentido de estabelecer medidas mais flexíveis de combate à epidemia.
Segundo o anúncio divulgado na terça-feira pelas autoridades, os titulares de passaportes de 41 países podem, desde ontem, entrar em Macau sem autorização prévia das autoridades sanitárias, sendo sujeitos à observação médica de isolamento centralizado de sete dias e autogestão de saúde de três dias. “Esta é a primeira vez que Macau abre a porta para cidadãos estrangeiros entrarem no território desde o início da pandemia em 2020, dando um passo importante”, referiu o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong. Observou ainda que muitos países e regiões, inclusivamente Hong Kong e o interior da China, já reabriram as fronteiras para visitantes estrangeiros, acreditando que a decisão do Governo de Macau deve ter sido tomada em referência às regiões vizinhas.
Relativamente à indústria turística, o responsável considera que a reabertura da fronteira pode ajudar o sector a voltar a ligar-se a eventos internacionais, incluindo actividades económicas e comerciais. As visitas de delegados de empresas podem regressar à normalidade, e algumas grandes conferências e exposições que têm lugar no segundo semestre, como a Feira Internacional de Macau (MIF) e o Fórum Internacional de Infraestruturas (IIICF), podem atrair mais expositores provenientes de países estrangeiros. Para grandes eventos desportivos internacionais, como o Grande Prémio de Macau, passam a existir condições para permitir aos motoristas estrangeiros participarem este ano.
NECESSIDADE DE ASSEGURAR INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES
Quanto à questão de saber se o apelo de Macau será prejudicado pelas medidas de isolamento profilático relativamente rigorosas em comparação com outros países e regiões vizinhos, Wong aponta que, embora as medidas antiepidémicas de Macau tentem sempre estar a nível paralelo das autoridades chinesas, e indubitavelmente a maioria dos visitantes em Macau serem provenientes do interior da China, acredita-se que, à medida da estabilização da epidemia, do enfraquecimento do vírus e do ajustamento das políticas sanitárias da China, no futuro poderão ser relaxadas ainda mais as restrições à entrada de estrangeiros, de modo a que se possa alcançar um equilíbrio em todos os aspectos, incluindo na economia.
O especialista do sector de turismo alerta que, com a flexibilização da entrada de visitantes estrangeiros, o Executivo tem a necessidade de fazer ajustamentos às medidas relativas às instalações complementares, tais como retomar as operações de voos internacionais e garantir a suficiência de quartos nos hotéis designados para quarentena obrigatória.
MACAU TEM DE PERCORRER O SEU PRÓPRIO CAMINHO E FLEXIBILIZAR MAIS MEDIDAS
“O relaxamento das medidas tem certamente um efeito positivo sobre o turismo e a economia de Macau”, frisou o presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, Nelson Kot.
Uma vez que Macau tem estado fechado a visitantes estrangeiros desde o início da epidemia, os investidores estrangeiros que tinha negócios com o território, ou que costumavam entrar no mercado chinês através de Macau, deixaram de ver a cidade como um ponto de trânsito nos últimos anos, observou o académico, considerando que as medidas rigorosas que têm sido adoptadas pelas autoridades constituíram barreiras pesadas aos visitantes estrangeiros e prejudicaram fortemente o desenvolvimento das actividades comerciais e dos negócios internacionais.
Apesar de o Governo de Macau ter actualmente flexibilizado as restrições aos estrangeiros, os visitantes ainda têm de ser submetidos a uma quarentena de sete dias e autogestão de saúde de três dias após a sua entrada em Macau, lembrou Kot, defendendo que as autoridades devem aproveitar o privilégio consagrado pelo princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ com vista a estabelecer medidas mais condizentes com a própria necessidade de desenvolvimento socioeconómico e vida da população.
O membro do conselho da Universidade da Macau acredita que a RAEM tem margem para relaxar ainda mais as medidas de quarentena, salientando que só as autoridades podem conferir mais flexibilidade à tomada de decisões políticas.
PONTO FINAL











