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      InícioSociedadeSentimento de bem-estar dos funcionários públicos deteriorou-se nos últimos cinco anos

      Sentimento de bem-estar dos funcionários públicos deteriorou-se nos últimos cinco anos

      Tem-se observado um declínio no sentimento de pertença dos funcionários públicos, e o seu bem-estar emocional e social tem vindo a diminuir nos últimos cinco anos. A descoberta foi revelada no seguimento de um inquérito acerca da satisfação profissional e intensidade da pressão dos funcionários públicos de Macau publicado na sexta-feira passada.

       

      Alerta vermelho no sentimento de bem-estar dos funcionários públicos em Macau. Pelo menos é o que sugerem os resultados de um estudo efectuado pela Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (MCSF) e Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau relativamente à satisfação profissional e intensidade da pressão dos funcionários públicos que se encontram no território.

      O relatório foi divulgado na sexta-feira passada no seguimento de um inquérito que teve o intuito de investigar a situação dos funcionários públicos em Macau nos últimos cinco anos, verificando se havia alguma melhoria em comparação com 2017. Estiveram presentes na sessão de apresentação o presidente da MCSF, Pang Kung Hou, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau, Cheong Koc Iun, e a secretária-geral do Conselho de Juventude da MCSF, O Lai Heong.

      O inquérito foi realizado de Janeiro a Maio deste ano e contou com 1.244 amostras válidas através de um questionário e mais de 178 entrevistas a funcionários públicos, abrangendo mais de uma dúzia de serviços públicos. Em termos do nível de escolaridade, o número de inquiridos que tinham grau de mestrado aumentou 11%, e, quanto ao seu rendimento anual, a percentagem daqueles que ganhavam entre 500 mil e 540 mil patacas subiu 41%.

      De acordo com a pesquisa feita pelas duas associações, em relação aos dados recolhidos há cinco anos, as pontuações médias mais baixas cifraram-se no “sentimento de pertença” e “envolvimento no trabalho”, indicando que os funcionários públicos têm um menor grau de sentido de identificação e de pertença no local de trabalho actual.

      Por outro lado, as pontuações relativas a “intensidade de pressão” e “resistência à pressão” registaram um aumento. No entender das organizações, a categoria referente à intensidade de pressão no trabalho divide-se em duas componentes principais, designadamente saúde física e mental e intensidade da tolerância ao stress. É referido que a fadiga e o cansaço de um funcionário público em relação à “condição de vida”, “trabalho” e “utentes” são muito mais visíveis em comparação aos dados registados há cinco anos, o que indica que o sentimento de bem-estar dos trabalhadores nos serviços públicos tem vindo a piorar nos últimos cinco anos.

      Pang Kung Hou, presidente da MCSF, admitiu que a prestação de auxílio do Governo aos funcionários públicos tem aumentado, mas “ainda não é o suficiente”, sugerindo a disponibilização de canais de comunicação efectiva entre as autoridades e os trabalhadores. Acrescentou ainda que o público tem vindo a desenvolver uma expectativa cada vez mais exigente relativamente aos funcionários públicos.

      O responsável frisou também que, apesar de a promoção de formalidades administrativas praticadas por meios electrónicos poder aliviar a pressão do trabalho, os funcionários públicos devem apostar na formação contínua e elevação da educação integral, tomando a iniciativa de dar voz à sua reivindicação e procura de soluções.

      Cheong Koc Iun disse que, durante o surto epidemiológico, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau recebeu uma série de queixas apresentadas por funcionários públicos. O presidente da associação que se dedica à defensa dos interesses e direitos dos funcionários públicos de etnia chinesa argumentou que as autoridades devem adoptar algumas alterações em matéria de regime jurídico da função pública no sentido de criar um regime optimizado de trabalho por turnos para responder à contingência para emergências ou na ocorrência de catástrofes de grande escala, racionalizando a mobilização de pessoal e a organização de trabalho, atribuindo uma avaliação de desempenho de “excelente” aos funcionários públicos de primeira linha que se destaquem na sua prestação.

       

      PONTO FINAL