Uma criança que vive num lar foi encontrada a dormir num restaurante de ‘fast-food’ na madrugada de sexta-feira, ainda em uniforme escolar e com mochila. Uma publicação nas redes sociais alertou para a situação e o menor foi contactado pela polícia após algumas horas. A Polícia Judiciária apurou que a criança já não voltava para o lar há alguns dias, mas o lar nunca chegou a pedir ajuda às autoridades. O Instituto de Acção Social disse que tentou contactar os pais do rapaz, mas sem sucesso.
As autoridades estão a acompanhar a situação de um menor, aluno do ensino secundário geral que vive num lar e que foi encontrado a dormir num restaurante da McDonald’s na Avenida de Venceslau de Morais, perto de Mong-Há. A situação foi descoberta apenas depois de uma publicação nas redes sociais, cujo autor indicou que a criança estava a dormir, por volta das 5h de manhã, sozinho no local. Na fotografia juntamente à publicação, o menor estava em uniforme escolar, descalçado e com a sua mochila deitada no chão.
A Polícia Judiciária (PJ) deu início à investigação, tendo encontrado o menor de manhã cedo no restaurante de ‘fast-food’. As autoridades policiais entraram em contacto com a escola que o menor frequenta, através do mecanismo de rede de comunicação de segurança de escolas, para compreender a situação concreta da criança. O caso também foi comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e ao Instituto de Acção Social (IAS).
De acordo com a polícia, o aluno está a estudar numa escola secundária na Zona Norte, e está a viver num abrigo na zona de Mong-Há devido a problemas familiares. A informação apurada pela PJ apontou que a criança não regressava ao lar há alguns dias, no entanto, a polícia nunca recebeu nenhuma comunicação ou pedido de ajuda por parte do lar, da escola ou dos pais.
Na publicação nas redes sociais em causa, vários comentários referiram que o menor foi visto por algumas vezes a passar tempo ou dormir neste McDonald’s. A PJ, segundo noticiou o Jornal Ou Mun, admitiu que ainda precisa de mais tempo e investigação para apurar todos os factos. A polícia sublinhou que nesta fase é apenas responsável pela “investigação e prevenção de casos criminais” e que intervirá caso o acompanhamento da DSEDJ e do IAS concluírem que o incidente envolve indícios criminais.
A polícia garantiu que tem atribuído grande importância à segurança dos jovens, apelando à comunidade para que cuide mais dos desfavorecidos e que trabalhe para que os adolescentes tenham um ambiente de crescimento saudável e feliz. Lembra ainda que os cidadãos e as escolas devem notificar de imediato a polícia de quaisquer potenciais riscos de segurança social que possam encontrar.
INSTADOS OS PAIS A CUMPRIREM RESPONSABILIDADE PARENTAL
O Instituto de Acção Social (IAS), por sua vez, também reagiu ao caso, e revelou que o menor “não recebeu os devidos cuidados dos pais em casa”, pelo que entrou, de forma temporária, ao abrigo. “Foram instados simultaneamente os pais a cumprirem as suas responsabilidades de cuidados”, afirmou.
Numa nota de imprensa de sexta-feira, o IAS avançou que o lar descobriu que o menor saiu da instituição na manhã de quinta-feira e não voltou à noite, tendo o lar “começado por telefonar para avisar a família, em conformidade com o mecanismo, recordando-lhe que deveria informar imediatamente a polícia se houvesse necessidade”, “mas a família não atendeu a chamada nem deu resposta”.
O lar, citado pelo comunicado, confirmou que ajudou a procurar o jovem nessa noite e disse que o menor “tinha saído do lar sozinho várias vezes e foi necessário o apoio do lar para o procurar”. Contudo, o IAS e o lar não adiantaram se tinham procedido à investigação sobre os motivos de saída da criança, bem como informações sobre a vida ou condições físicas e psicólogas da criança no lar.
PAUL PUN APELA A ATENÇÃO AOS MENORES
Paul Pun, secretário-geral da Caritas, salientou que a sociedade deve estar alerta a este incidente, sendo necessário prestar mais atenção aos menores. “Para deixar a casa e viver num lar, as crianças precisam de se adaptar à mudança de ambiente. Se a família de origem não cuidar bem da criança e se esta não levar uma vida regular, pode não ser capaz de lidar com a mudança e mostrar resistência”, explicou. Paul Pun frisou que houve casos de crianças que fugiram dos lares geridos pela Caritas, mas realçou que a polícia e o IAS serão notificados mesmo que a criança esteja ausente durante menos de 24 horas do lar. “Se a criança fugir frequentemente do lar, terá que se prestar mais atenção uma vez que pode existir um risco de segurança para um menor desacompanhado”, admitiu.











