A China vai oferecer assistência às centrais de carvão para garantir o fornecimento de eletricidade, à medida que o consumo de energia aumenta devido a uma onda de calor extremo. O país emitiu o seu primeiro alerta nacional devido à seca este ano, enquanto as autoridades mobilizam equipas especializadas para proteger plantações do calor extremo, no vale do rio Yangtzé.
A onda de calor e a escassez de chuva estão a secar os reservatórios na província de Sichuan, província com 80 milhões de habitantes que depende sobretudo de energia hidroelétrica, forçando as autoridades locais a pedir às empresas que encerrem temporariamente as fábricas.
Em simultâneo, o consumo de energia disparou, face ao maior uso do ar condicionado pela população local, numa altura em que as temperaturas sobem acima dos 40 graus.
O vice-primeiro-ministro da China, Han Zheng, disse que Pequim vai apoiar a produção de carvão, após o nível de consumo diário da energia produzida pelas usinas ter aumentado 15%, nas duas primeiras semanas de agosto, em comparação com o mesmo período de 2021. “[Precisamos] de garantir o fornecimento seguro de eletricidade para a população (…) e setores-chave”, disse Han, durante uma visita à State Grid Corporation of China. O governo vai “aumentar o apoio político [e] tomar várias medidas para ajudar as usinas de carvão a aliviar as dificuldades reais”, acrescentou, sem precisar detalhes.
A decisão pode atrasar a ambição da China em melhorar a qualidade do ar. Também em 2021, aquele país asiático enfrentou cortes de energia que obrigaram ao racionamento em várias províncias importantes. Este país asiático é o maior emissor mundial de gases poluentes. Quase dois terços da energia consumida na China assentam na queima do carvão.
A fabricante norte-americana de veículos eléctricos Tesla e a estatal chinesa do setor automóvel SAIC Motor disseram que a escassez de energia em Sichuan levou a problemas nas cadeias de fornecimento, levando as autoridades de Xangai a pedirem aos homólogos da província do sudoeste que os fabricantes de peças sejam poupados do racionamento de energia. Residências, estações do metro e centros comerciais também foram atingidos pela falta de energia.
CHINA EMITE ALERTA A NÍVEL NACIONAL
A China emitiu o seu primeiro alerta nacional devido à seca este ano, enquanto as autoridades mobilizam equipas especializadas para proteger plantações do calor extremo, no vale do rio Yangtzé.
O “alerta amarelo” para todo o país, anunciado na noite de quinta-feira, ocorre após semanas de altas temperaturas que secaram áreas ao longo do Yangtzé, danificando plantações e limitando o fornecimento de água potável a algumas comunidades rurais. Na escala de Pequim, o amarelo é o terceiro nível de alerta mais grave. Cerca de 66 rios em 34 aldeias do sudoeste da China secaram devido ao calor extremo e à escassez de chuva.
Os níveis de precipitação caíram 60%, este ano, em comparação com os padrões sazonais, informou a televisão estatal CCTV na segunda-feira.
O Centro Meteorológico Nacional da China renovou também o seu alerta vermelho para altas temperaturas, o nível máximo, somando assim trinta dias consecutivos de alertas.
Na manhã de sexta-feira, o município de Chongqing, situado no centro da China, concentrava seis das dez áreas mais quentes do país, com as temperaturas no distrito de Bishan a superarem os 39 graus Celsius. Os meteorologistas também previram que a actual onda de calor só começará a diminuir no dia 26 de Agosto.
Segundo dados do ministério de Emergências chinês, as altas temperaturas de julho causaram perdas económicas directas de 2.730 milhões de yuans e afectaram 5,5 milhões de pessoas.
A principal agência de recursos hídricos do país disse, em comunicado, na quarta-feira, que a seca em toda a bacia do rio Yangtzé está a “afectar negativamente a segurança da água potável da população rural e do gado, e o crescimento das colheitas”.
Esta seca invulgar em algumas zonas do centro da China, acompanhada por uma onda de calor sem precedentes, provocou a suspensão da atividade em várias fábricas, devido ao aumento da procura de energia para alimentar o ar condicionado das populações e uma produção insuficiente, face à escassez de água nos reservatórios, em regiões dependentes de energia hidroeléctrica.













