A sociedade começa a ficar agastada com as medidas de prevenção epidémica implementadas pelo Governo e parece querer que a região se volte a abrir ao mundo. Esta foi a ideia transmitida ao PONTO FINAL por algumas figuras da sociedade, de diferentes quadrantes profissionais. Para a maioria, as restrições têm sido pouco razoáveis e excessivas. Mas há também quem elogie as medidas e descreva as políticas de prevenção como “necessárias”.
A julgar pelas opiniões dadas ao PONTO FINAL por dez figuras locais, a maior parte da sociedade de Macau está cansada das medidas de prevenção da epidemia. Para estes cidadãos, de diferentes sectores profissionais e sociais, as medidas têm sido exageradas e incoerentes, colocando em causa o futuro económico da região. Entre os entrevistados, há também quem compreenda as medidas e lhes reconheça utilidade.
Desde que surgiu o vírus que as autoridades de Macau têm aplicado fortes restrições de entrada para os residentes que vêm do estrangeiro, exigindo quarentenas centralizadas que chegaram a ser de 21 dias, sendo agora de dez. Além disso, grande parte dos não residentes que vêm do estrangeiro continuam proibidos de entrar. A juntar a isto, no último mês a Covid-19 espalhou-se na comunidade, o que fez com que o Executivo implementasse medidas mais restritivas, como um confinamento parcial nesta última semana. O Executivo local, bem como o Governo Central, tem aplicado uma política de zero casos, justificando-a com a necessidade de proteger a saúde dos cidadãos.
SCOTT CHIANG DIZ QUE É O FIM DA “ERA DOURADA”
Scott Chiang não tem sofrido muito – de forma directa – com as restrições de prevenção epidémica impostas pelo Governo. Actualmente dedica-se à família, por isso, o maior impacto que sentiu foi com a “abolição das férias de Verão”. “Não só as crianças deixaram de ir à praia e aos parques, também foram obrigadas a aceitar a normalização da permanência prolongada em casa”, assinala.
O activista democrata diz que as medidas do Governo têm sido pautadas pela inconsistência entre duas formas de ver o vírus, a política de zero casos e a convivência com ele. “Se as autoridades querem ir numa certa direcção, então têm de ir de forma assertiva”, comenta, acrescentando: “Em vez disso, temos normas e medidas que estão em conflito com a política de zero casos, nomeadamente os testes em massa dia sim dia não”.
“A população de Macau é, em geral, um rebanho de ovelhas obedientes, no entanto, ouvimos as autoridades a queixarem-se diariamente de que as medidas falham por nossa culpa e não deles”, afirma o activista local.
Apelando a que haja uma compreensão mais científica do vírus, Scott Chiang diz que “as pessoas continuam a fingir que é a Covid-19, e não Pequim, que está por trás do fim da era dourada” de Macau. “Com mais tempo concentrado apenas na pandemia, menos podemos reflectir sobre qual o nosso novo papel neste mundo e o que é preciso para atingirmos esse objectivo”, refere.
Assim, qual o impacto das medidas no futuro de Macau? “Qual futuro?”, retribui o democrata, assinalando que as autoridades parecem querer dar a entender que, assim que o vírus desaparecer, a vida vai “voltar ao normal”. Porém, o vírus “pode muito bem continuar connosco durante muito tempo”. Scott Chiang critica as autoridades por estarem dependentes das decisões de Pequim e diz: “Lá se vai a analogia de que o bom aluno recebe os doces”. “O futuro desta cidade depende do reconhecimento de que as pessoas que aqui vivem são os responsáveis por torná-la melhor. Parem de olhar para cima à espera de que as tartes caiam do céu. Procurem uma receita de tarte, se quiserem uma”, conclui.
“TEMOS DE RETOMAR A NOSSA VIDA NORMAL E SEGUIR EM FRENTE”, DIZ RITA WONG
Rita Wong, directora da Associação Audiovisual CUT, também defende que a cidade deve seguir em frente. A curadora de cinema que chegou a estar à frente da Cinemateca Paixão comenta que a Covid-19 atingiu com estrondo todo o mundo e, para ela, era compreensível que Macau implementasse medidas rigorosas de prevenção pandémica no início da pandemia. No entanto, após mais de dois anos, “deveriam existir outros planos além das restrições e dos semi-confinamentos”. “Temos de retomar a nossa vida normal e seguir em frente”, defende.
A responsável da CUT lembra que a economia de Macau tem sido severamente afectada, uma vez que depende da indústria do turismo, jogo e retalho. Isto “provoca enormes preocupações devido aos cortes salariais e perda de emprego por parte de muitas pessoas”. “Se não tivermos mais planos de ‘mudança’ para lidar com o vírus e continuarmos isolados do mundo, vamos sufocar à esperade um futuro incerto, pondo em risco a nossa saúde mental”, sublinha.
Este confinamento decretado pelo Chefe do Executivo está também a obrigar Rita Wong a repensar os planos para o futuro. A directora da CUT diz que tinha em vista vários projectos para famílias e cinéfilos para as férias de Verão, no entanto, esses planos possivelmente terão de ser adiados: “Provavelmente vamos perder o Verão dourado para eventos e outras actividades”. Ao abrigo das medidas de prevenção epidémica, o Governo encerrou também os cinemas, o que está a deixar Rita Wong preocupada, uma vez que vai tudo ficar adiado para o último trimestre.
“Por outro lado, ainda temos de pagar a renda do escritório, o que nos está a colocar pressão”, lamenta, acrescentando que, a nível pessoal, estas circunstâncias estão a criar dificuldades físicas e mentais. “A indefiniçãocria ansiedade e isso afecta toda a gente e todos os aspectos da cidade”, conclui.
AS MEDIDAS SÃO “EXCESSIVAS, REPRESSIVAS E VIOLADORAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS”, AFIRMA SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA
Sérgio de Almeida Correia começa por dizer que “o confinamento só não prejudica a vida de quem não tem sistema nervoso central e de quem não tem vida própria”. O advogado que chegou a Macau pela primeira vez em 1986 não poupa críticas às autoridades e afirma mesmo que “as medidas são claramente excessivas, repressivas e violadoras de direitos fundamentais”. São, além disso, “destinadas a cumprir uma agenda política que ninguém tem coragem de assumir”. “Mas pior do que isso é que são destituídas de bom senso, muitas vezes de sentido útil e de qualquer razão lógica ou científica plausível”, aponta.
Na opinião do advogado, “é evidente que não faz qualquer sentido que Macau continue fechada”. “[As autoridades] Não aprenderam nada em dois anos e cinco meses. E também não ouvem a OMS [Organização Mundial de Saúde]. Vivem em circuito fechado”, ironiza.
O causídico, com uma ligação de 36 anos a Macau, lembra os prejuízos para a economia e a perda de saúde mental dos residentes provocada por “meia-dúzia de infelizes e incompetentes que não conseguem ver as asneiras sucessivas que estão a cometer e apenas se preocupam em não perder face”.
Sérgio de Almeida Correia mostra-se preocupado com o futuro da região, uma vez que há empresas a encerrar e quadros qualificados a abandonar o território. “Macau está a perder tempo e oportunidades que serão muito difíceis de recuperar, está a hipotecar o seu futuro e o das suas gentes. E não vai ser com ilusões que vamos recuperar alguma coisa”, refere o advogado. “O mundo à nossa volta continua a girar. A vida prossegue, mesmo aqui ao lado em Hong Kong. Em Macau parou tudo há mais de dois anos.
“Vivemos numa bolha policial repressiva da qual não nos deixam sair para retomarmos uma vida normal. Da qual não saem, da qual têm medo de sair e, pior, da qual não sabem como sair para não desagradar terceiros”, sublinha, concluindo: “O que está a acontecer a Macau, ao fim de 22 anos de autonomia e de quase dois anos e meio de pandemia, é uma desgraça de proporções épicas da qual não sei como nem quando iremos sair”.
BENEDICTA PALCON PEDE QUE MACAU SE ABRA AO EXTERIOR
Benedicta Palcon vive em Macau há 19 anos. Nos últimos dois anos e meio teve de conviver com as restrições impostas pelo Governo devido à Covid-19. “Parece que a vida já não está no seu estado normal”, desabafa.
Assumindo o receio de contrair o vírus, a líder da organização Greens Philippines Migrant Workers Union começa por dizer que, na sua opinião, “as medidas impostas pelo Governo são aceitáveis”. No entanto, tem um reparo: “Espero que o Governo também considere dar-nos, aos não-residentes, algum apoio para ajudar a sustentar as nossas necessidades, especificamente para aqueles que estão em regime de licença sem vencimento”. Ao longo de dois anos e meio, o Governo tem lançado vários pacotes de apoio económico para os residentes. Os trabalhadores não-residentes não foram incluídos em nenhum dos vários planos de apoio financeiro.
Também na opinião da trabalhadora doméstica das Filipinas, a região deve abrir-se: “Macau deve abrir-se lentamente para começar a recuperar a economia em crise, todos sabemos que o turismo é o factor que faz crescer a sua economia, por isso Macau deve abrir-se em breve, tal como outras regiões, como Hong Kong”.
Neste momento, os não-residentes estão impedidos de entrar em Macau, o que faz com que os não-residentes que estão a trabalhar na região não possam sair, uma vez que depois não poderiam voltar a entrar. “Nós, trabalhadores migrantes, precisamos de estar com a nossa família durante algum tempo e depois regressar a Macau para continuar nos nossos empregos”, explica, sublinhando o desejo de ver novamente Macau aberta ao exterior.
“RESTRINGIR ACTIVIDADES AO AR LIVRE É UMA VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS”, DENUNCIA JOE CHAN
“Acho que o confinamento está a afectar grandemente a vida de todos”, começa por dizer Joe Chan. Falando no seu caso pessoal, o ambientalista afirma: “A minha vida não depende apenas da comida e da bebida, mas o tempo de lazer na natureza é um dos elementos essenciais na minha vida”.
Concedendo que há necessidade de continuar a tentar prevenir o vírus, através do uso de máscara e mantendo o distanciamento social, Joe Chan traça o limite das restrições às actividades ao ar livre: “Restringir actividades ao ar livre é uma violação dos direitos humanos, não somos prisioneiros”. O professor de Biologia do Colégio Anglicano de Macau conta mesmo que tem tido insónias e sentido sinais de depressão ultimamente.
O activista pelo ambiente recorda o que já é sabido há bastante tempo, que “há dois anos e meio o vírus provocava sintomas mais graves”, mas actualmente, apesar de mais contagioso, “é mais brando”. Por isso, Joe Chan justifica que a política de zero casos do Governo “só irá causar mais danos à nossa cidade”. Isto porque, se a política se mantiver, o vírus “vai acabar por voltar a entrar sorrateiramente a qualquer altura, e depois o ciclo terá de se repetir novamente”.
O Governo tem como um dos objectivos, há largos anos, transformar Macau num centro internacional de turismo e lazer e isso faz com que o professor sublinhe a “importância da ligação a outros países – não apenas à China continental”. “Muitos empregos e oportunidades já se perderam nestes dois anos, o Governo está a gastar enormes quantias na recuperação da economia, mas isso pouco ajuda a nossa cidade a sobreviver durante estes dias”, refere, terminando: “Mais cedo ou mais tarde, a coexistência com o vírus é a única solução, ninguém pode negar. Quanto mais cedo restaurarmos todas as ligações, mais cedo Macau poderá recuperar desta regressão”.
ALICE KOK PEDE QUE AUTORIDADES REPENSEM MEDIDAS
Alice Kok diz-se dividida entre as duas formas de olhar para o vírus: Conviver com ele ou evitá-lo a todo o custo? “A política de zero casos pode ser boa se quisermos eventualmente voltar à vida normal, mas, ao mesmo tempo, provavelmente já não é tão realista porque nos custa muito economicamente”, diz, contraponto: “Mas em termos de saúde pública, permanecerá Macau sã e calma se todas as outras pessoas forem infectadas?”. Este é “um enorme desafio para a cidade”, considera a artista e presidente da Art For All Society (AFA).
No entanto, sobre as medidas das autoridades impostas devido a este surto, Alice Kok diz que o confinamento parcial devia ter sido decretado há mais tempo. “Se conseguirmos acalmar o número crescente de infectados com esta táctica de confinamento parcial, essa é uma lição para, no futuro, agirmos de forma mais decidida”, diz, ressalvando que, com variantes que se transmitem rapidamente, esta “poderá não ser uma estratégia viável”, porque “a sociedade está a começar a ficar cansada e a situação económica não está a melhorar”. “Temos de repensar as medidas muito em breve”, sugere.
Alice Kok critica também o facto de as autoridades de Macau se limitarem a seguir as indicações de Pequim: “Há muitas coisas que não fazem qualquer sentido, especialmente em termos políticos. Se a China tiver a política de zero casos, Macau manterá apenas a mesma linha de pensamento. Macau sempre foi uma sociedade relativamente conservadora e seguir as ordens do Governo Central parece ser a única opção que temos hoje politicamente”.
A responsável da AFA fala da sua situação particular, queixando-se de que o confinamento está a prejudicar os eventos e exposições de arte da associação de arte que dirige, bem como as férias de Verão da filha.
“O FUTURO NÃO VAI SER RISONHO”, ALERTA FREDERICO RATO
“Não sou catastrofista nem pessimista, por natureza, mas não posso deixar de ver e de avaliar a situação como indesejável”. A opinião é do advogado Frederico Rato, que lembra os “danos nomeadamente sociais, económicos, financeiros, colectivos e pessoais, que se foram acumulando ao longo destes dois últimos anos, minimizados tanto quanto possível pelo Governo através de oportunas medidas financeiras e fiscais várias”.
Na opinião do advogado, em Macau desde 1984, “o futuro não vai ser risonho”. “É preciso ultrapassar a situação existente, criar resistências, convalescer e partir para uma recuperação do modelo de Macau, certamente com energia e esperança, mas com a certeza de que vai (re)começar uma nova era para Macau”, aponta.
O causídico confia, no entanto, na avaliação do Executivo: “Parto do princípio de que o Governo tem informação constante e actualizada sobre a situação momento a momento, pelo que tomará as adequadas medidas para cada avaliação, tendo como preocupação principal a melhor manutenção possível de condições sanitárias favoráveis para toda a comunidade residente”. Contudo, sugere uma “reflexão sobre um quadro ou figurino socio-sanitário alternativo, menos penoso e com capacidade de recuperação”.
“Já andamos neste carrossel há mais de dois anos e meio e é inegável que os residentes de Macau, pese embora a visível e manifesta vontade de colaborarem com os esforços do Governo, já começam a manifestar algum cansaço e alguma impaciência, naturais nestas circunstâncias”, salienta Frederico Rato, que também se diz afectado a nível pessoal e profissional pelas medidas impostas pelas autoridades.
DEBBIE LAI DIZ QUE MEDIDAS SÃO NECESSÁRIAS E DEFENDE QUE MACAU DEVE CONTINUAR FECHADA AO MUNDO
Na opinião da directora do Centro do Bom Pastor, as medidas são “necessárias”, já que “o Governo tem a responsabilidade de proteger a nossa sociedade e de manter um ambiente seguro”. No entanto, Debbie Lai reconhece os contras da política do Governo: “A actividade económica de Macau irá piorar, a maioria da população poderá perder o emprego e a maioria das empresas encerrará portas. E serão criados mais problemas familiares e mais casos de suicídio”.
Fará ainda sentido Macau manter-se fechada ao mundo, sabendo que o vírus já é pouco perigoso? “Na minha opinião, sim”, responde, justificando: “Concordo que Macau deve permanecer fechada ao mundo, mas apenas de forma temporária, especialmente porque os casos locais ainda existem”.
A responsável do Centro Bom Pastor assinala que o Governo de Macau tem vindo a alterar as normas em função da experiência do interior da China e de outras regiões. Tendo em conta os trabalhos anti-epidémicos feitos até aqui pelo Executivo, “penso que Macau irá abrir-se lentamente ao mundo”, acredita.
Por outro lado, Debbie Lai aproveita para apelar a que os cidadãos colaborem com os trabalhos das autoridades: “Como cidadãos, temos de assumir a responsabilidade de cooperar com o Governo, claro que nenhuma lei e política é perfeita, mas precisamos de tentar compreender e ser mais pacientes uns com os outros e com o nosso Governo, e tentar expressar os nossos sentimentos e dar sugestões. Quando construirmos uma protecção eficaz para a nossa sociedade, então é tempo de nos abrirmos gradualmente ao mundo”.
Questionada sobre quais os impactos destas medidas para o futuro da região, Debbie Lai diz apenas que “os cidadãos e as empresas precisam de ser mais sensíveis para aumentar a consciência de enfrentar diferentes tipos de crises”. “Precisamos de ter a mente aberta e alargar a nossa visão para aumentar a capacidade de resolução de problemas e a capacidade de gestão de catástrofes naturais”, acrescenta.
GILBERTO CAMACHO ALERTA PARA AS MORTES DEVIDO À “CURA”
Gilberto Camacho é mais um crítico das medidas do Governo. Um dos conselheiros das comunidades portuguesas em Macau começa por contar que o confinamento “não tem sido fácil”. “O dever de ficar em casa dias a fio cansa a nível psicológico”, confessa. “O meu cérebro tem tido dificuldade em processar esta realidade. E quando constato que a abordagem que o resto do mundo tem para com a Covid é oposta à de Macau, fico ainda mais confuso”, aponta.
Gilberto Camacho, natural de Macau, recorda que, noutras zonas do mundo, já foram levantadas as restrições epidémicas há cerca de meio ano e nota que actualmente o número de mortes associadas à Covid-19 é estatisticamente semelhante às mortes provocadas pela gripe sazonal. Por isso, Gilberto Camacho defende que Macau reabra as suas fronteiras. O conselheiro das comunidades portuguesas frisa que as medidas impostas em Macau “fariam sentido se o vírus estivesse mais severo e mortífero, e não o contrário”.
O engenheiro informático diz respeitar as decisões do Governo, mas desconfia que esta seja a melhor abordagem. Até ao momento, houve cinco mortes ligadas ao vírus. “Importa preguntar: todo este esforço, a que preço? Quantas pessoas morreram, entretanto, porque não aguentaram mais a pressão psicológica fruto destas medidas draconianas?”, questiona. Gilberto Camacho diz que o que mais o preocupa não é a incapacidade de as autoridades combaterem o vírus, mas sim “não saberem até que ponto é que estão a morrer mais pessoas pela cura do que propriamente pela doença”.
Por outro lado, lamenta os efeitos nocivos que a política actual está, na sua opinião, a provocar. “Estamos a assistir a um adeus definitivo de muita gente que não concorda com estas medidas impostas pelo Governo”, diz, sublinhando que a região fica a perder a sua diversidade cultural, bem como no aspecto económico.
MEDIDAS FORAM “EFICAZES” E TIVERAM “RESULTADOS INVEJÁVEIS”, APONTA MANUEL GERALDES
Manuel Geraldes diz que as medidas anti-epidémicas em Macau ao longo de dois anos e meio não o condicionaram, tirando o facto de não poder ir a Portugal com regularidade e pequenas alterações de rotina. No entanto, o confinamento imposto devido a este surto tem afectado o membro da direcção do Clube Militar. “Obrigaram-nos a encerrar o Clube Militar pela primeira vez depois de dois anos e meio e esta decisão teve um forte impacto social e, só por essa via, também pessoal”, confessa.
O português, em Macau há 35 anos, diz que não tem capacidade crítica para avaliar as medidas tomadas pelo Governo da RAEM, mas acaba por dizer que “foram eficazes” e tiveram “resultados invejáveis”. “Podemos não gostar nem ficarmos felizes com algumas restrições, mas, repito, os resultados não foram negativos, se comparados com os dos panoramas que nos rodeiam em várias latitudes e distâncias”, reitera.
Manuel Geraldes, que não sente que Macau esteja fechada ao mundo, salienta que tem confiança no futuro de Macau. “Naturalmente que a crise Covid já está a ter, e vai continuar a ter, duras consequências em Macau. Mas, ao longo de quase 35 anos de vivências de Macau – antes e depois de 1999 – aprendi que, quando chegar a hora, Macau não vai perder a oportunidade de recuperar o lugar cimeiro a que chegou recentemente”, antevê.
PONTO FINAL











