Ng Kuok Cheong, antigo deputado à Assembleia Legislativa, criticou a passividade do Governo na resolução do problema de ingresso ao emprego por parte dos jovens de Macau. Numa opinião publicada ontem no All About Macau, o democrata aponta que o Executivo deve encorajar a geração mais nova a ficar em Macau, trabalhando para contribuir para o desenvolvimento local, em vez de os atrair para a Grande Baía.
Os jovens de Macau estão a enfrentar um dilema cada vez maior relativamente ao emprego e planeamento da carreira profissional devido à integração regional, mas o Governo está “demasiado optimista” em relação ao problema, alertou Ng Kuok Cheong, numa opinião publicada no portal do All About Macau por ocasião do Dia do Trabalhador. O ex-deputado criticou as autoridades por terem ignorado e estarem “demasiado indiferentes” às dificuldades do emprego juvenil, no contexto de não ter havido qualquer manifestação a 1 de Maio nos últimos anos.
Ng Kuok Cheong considera que a recessão da economia comunitária e a importação excessiva dos trabalhadores não-residentes para o mercado laboral são também factores que prejudicam o emprego dos jovens. Referiu, contudo, que o Governo está a empenhar-se em promover com grande optimismo o desenvolvimento da Grande Baía, salientando que as cidades do Continente têm “indústrias diversificadas, energia cinética suficiente e um amplo espaço de emprego com oportunidades para os jovens de Macau”.
“É verdade que, se houver dificuldades de emprego a nível local, pode considerar-se hipótese de ir para a Grande Baía [para se desenvolver]. No entanto, não deveria o Governo da RAEM incentivar a geração jovem a ter o sentimento de pertença à comunidade local, e a trabalhar e progredir localmente, de modo a assegurar o desenvolvimento sustentável de Macau?”, questionou.
Nesse sentido, Ng Kuok Cheong notou que as Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía, que foram promulgadas há cinco anos e preveem um aprofundamento da integração regional, já resultaram numa “deslocação do poder de consumo para o exterior”.
A facilitação da passagem fronteiriça e o modo de consumo personalizado para consumidores de Macau e Hong Kong “causaram pressão” sobre a economia local e Macau continua a perder algumas das suas indústrias, sublinhou Ng.
“Os jovens que conseguiram um emprego estável durante a recessão económica e que procuram planear as suas carreiras durante este período de tensão industrial na comunidade continuarão a enfrentar preocupações e desafios”, alertou o democrata, acrescentando que os candidatos locais a emprego são, muitas vezes, apenas um “instrumento” para pedido e aprovação de quotas de trabalhadores não-residentes.
Recorde-se que surgiram críticas na sociedade alertando para o “falso processo de recrutamento”, em que algumas empresas puseram um anúncio de contratação e realizaram entrevistas com candidatos, contudo, acabaram por não admitir nenhum e foram pedir quotas de trabalhadores não-residentes, com salário baixo, alegando que não havia pessoal adequado.
O ambiente para o empreendedorismo também não é ideal para os jovens empresários, diz Ng Kuok Cheong, dado que não só enfrentam a concorrência do mercado local, como também partilham a pressão de perda do consumo dos bairros juntamente com as lojas antigas. Ng Kuok Cheong, por outro lado, dirigiu também críticas à política de habitação de Macau, por o Governo ter revisto a lei e reduzido o motivo e a procura da compra da habitação económica. “As escalas da habitação entraram em colapso”, realçou o antigo deputado.











