Número de casos de Covid-19 sobe para 864. Dois terços foram descobertos na comunidade

0
124
FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Até à tarde de ontem, tinham sido confirmados 864 casos de Covid-19 neste surto que se tem espalhado em Macau. As autoridades indicaram ontem que cerca de dois terços dos casos positivos foram detectados na comunidade, enquanto apenas um terço foi descoberto nas zonas de controlo. Entre os infectados, 145 têm mais de 60 anos de idade.

 

O surto na comunidade começou há pouco mais de duas semanas e o número de infectados em Macau já vai em 864. Este é o número de casos positivos até às 17h de ontem. Na conferência de imprensa de ontem do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, os responsáveis adiantaram ainda que havia mais 54 casos positivos preliminares.

Leong Iek Hou, chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde, informou também que, do total de casos confirmados, mais de 60% foram detectados a circular na comunidade. Por outro lado, cerca de 30% foram identificados nas zonas de controlo. “Quanto menos detectados na comunidade, melhor”, salientou Leong Iek Hou, indicando que, desde o início do surto, a proporção de casos confirmados na comunidade tem-se mantido estável.

Assumindo que ainda existem cadeias de transmissão ocultas na comunidade, a responsável explicou que a propagação tem sido rápida e notou: “Um cidadão pode estar infectado e passar o vírus aos coabitantes. Quando descobrimos um caso, os seus familiares também têm testado positivo sucessivamente. São muitos os casos que vivem na mesma casa e estas situações contribuíram para aumento dos casos”.

Entre os 864 infectados, há 145 pessoas com mais de 60 anos de idade e 14 têm mais de 80 anos, informou também Leong Iek Hou. No domingo, recorde-se, foram registadas as primeiras mortes em Macau relacionadas com a Covid-19. As vítimas mortais foram duas idosas de 94 e 100 anos de idade e com doenças crónicas. Os responsáveis não descartam a possibilidade de poderem ocorrer mais mortes entre os infectados mais idosos.

Há ainda, segundo as autoridades sanitárias, 21 casos de infecção em profissionais do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Entre eles, há um médico, seis enfermeiros, um segurança e 13 trabalhadores dos serviços de limpeza. Ainda assim, os responsáveis garantem que “não há indícios de transmissão do vírus” no hospital público.

Na conferência de imprensa, os responsáveis indicaram também que estão actualmente a acompanhar um total de cerca de 13 mil pessoas em zonas de controlo. Destas, 2.694 estão em quarentena.

Leong Iek Hou também adiantou ontem que o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus vai deixar de publicar os itinerários dos infectados. A partir do caso 501, os responsáveis vão apenas divulgar publicamente os itinerários das pessoas com muitas deslocações. O objectivo é, disse a responsável, concentrar os trabalhos dos funcionários no combate ao surto.

As autoridades anunciaram no domingo três novas rondas de testes em massa, a serem realizadas ao longo desta semana. Ontem, Leong Iek Hou assegurou que os Serviços de Saúde têm capacidade para analisar 70 mil conjuntos de dez amostras por dia, ou seja, 700 mil amostras diárias.

Os responsáveis apelaram a que os cidadãos vão ao posto de testes na hora da sua marcação de forma a não se formarem aglomerações. Leong Iek Hou assumiu que os cidadãos estão preocupados com o risco de infecção durante a testagem em massa, mas sublinhou que os testes servem para verificar quem está infectado e, por isso, “temos de equilibrar riscos e meios necessários para conter a doença”.

O Governo voltou ontem a apelar a que os cidadãos se mantenham em casa tanto quanto possível. O porta-voz do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) presente na conferência de imprensa indicou que, com o reinício das operações dos bancos, mesmo que apenas através de marcação, se verificaram filas à porta das instituições. Assim, o CPSP recomenda que os cidadãos tratem dos assuntos através do portal de cada banco e, se tiverem de se deslocar ao banco, que mantenham o distanciamento social na fila.

Leong Iek Hou disse ainda que, quando a situação epidémica em Macau for mais calma, o Governo vai avançar com os trabalhos para a administração da quarta dose das vacinas contra a Covid-19. “Agora estamos a focar-nos na luta contra a pandemia e estamos a fazer o apelo para que os cidadãos evitem as saídas, por isso não temos plano, para já, para quarta dose. Mas depois vamos classificar os grupos prioritários para quarta vacina”, afirmou a governante.

Os responsáveis também foram questionados sobre a redução de quarentenas para quem vem do estrangeiro, à semelhança da norma adoptada no interior da China de sete dias de quarentena e três dias de auto-gestão de saúde. Leong Iek Hou indicou que a política do continente será tida em conta e, após o surto, será ponderada a redução do período de quarentena para quem vem do estrangeiro.

 

 

PONTO FINAL