Vários deputados queixaram-se da incapacidade de resposta dos transportes à concentração de multidões após eventos ou festividades em Macau. Fazendo referência aos residentes e turistas “retidos” no Cotai na passagem de ano, vários deputados defenderam que o Governo deve ter um plano melhor para a dispersão do fluxo turístico através da coordenação do trânsito e na passagem fronteiriça.
A sobrecarga nos transportes públicos durante festividades e eventos está a preocupar os deputados de Macau, levando-os a pedir explicações ao Governo sobre as deficiências do mecanismo de dispersão do fluxo de pessoas.
Em interpelações escritas apresentadas por Wong Kit Cheng, Leong Pou U, Nick Lei e Che Sai Wang é referida a preocupação sobre a segurança devido à concentração de pessoas, incluindo a ocorrência de acidentes causados por debandadas, o impacto à experiência dos visitantes, bem como as falhas de resposta dos transportes públicos à vida quotidiana no território.
A questão foi abordada sobretudo por causa da recente situação caótica no Cotai durante a passagem de ano novo, onde um grande número de turistas e residentes ficou retido durante horas depois das celebrações pela dificuldade em apanhar autocarros públicos ou táxis, ou andar até à estação do Metro Ligeiro.
Recorde-se que cerca de 65 mil pessoas assistiram ao evento da passagem de ano no Cotai. A onda de visitantes terá sido devido ao cancelamento dos espectáculos de fogo-de-artifício em Hong Kong este ano. Uma série de publicações nas redes sociais alertou para a “má experiência” de passar o ano em Macau.
“A multidão só se dispersou gradualmente por volta das 3h da manhã, e o aumento de visitantes sobrecarregou o posto fronteiriço de Hengqin após a passagem do ano”, denunciou Wong Kit Cheng. A deputada ligada à Associação Geral das Mulheres criticou ainda a ineficácia dos planos de contingência e de organização de tráfego do Governo.
FALHAS NA RESPOSTA
Segundo entendem os deputados, embora o Governo tenha já definido medidas provisórias de trânsito com o prolongamento do horário dos serviços e o aumento da sua frequência, faltou uma “previsão atempada e precisa” do fluxo de pessoas por parte das autoridades. “É de salientar que este incidente não só demonstra a diferença entre a previsão, a execução, o planeamento e a realidade, como também revela deficiências sistemáticas do mecanismo de dispersão em grandes eventos”, apontou Nick Lei.
O legislador que se associa à comunidade de Fujian defendeu que as autoridades devem rever e optimizar o mecanismo de dispersão em actividades de grande envergadura, instalando sistemas inteligentes de alerta e orientação do fluxo de pessoas nos locais das actividades, reforçando também a colaboração interdepartamental em tempo real e a partilha de dados durante a gestão dos grandes eventos.
Nick Lei sugeriu, desse modo, que o Governo tome como referência o modelo da página electrónica “Easy Leave” de Hong Kong para divulgar, em tempo real, as informações sobre o tempo de espera e a densidade do fluxo de pessoas de cada rota de dispersão.
Já Che Sai Wang, deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), exortou as autoridades a divulgar planos de resposta à organização de grandes eventos em Macau. Pediu ainda ao Governo para implementar, o mais rápido possível, o pagamento unificado e benefícios de correspondência entre o Metro Ligeiro e os autocarros, com vista a facilitar os passageiros.
Por sua vez, Leong Pou U, que faz parte da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), considera necessário o Governo optimizar o “sistema de aviso prévio para a previsão do fluxo de pessoas”, para que a sua função seja alargada às zonas onde se realizam grandes actividades culturais e desportivas, tais como a zona de espectáculos ao ar livre, a zona do Cotai e os pontos negros de engarrafamento de trânsito.
Leong, além disso, sublinhou que o Governo deve criar um mecanismo de interligação dos dados do mencionado sistema de aviso prévio com os serviços responsáveis pela coordenação do trânsito, de forma a que possam tomar, atempadamente, medidas concretas de ajustamento da capacidade de transporte e de optimização das carreiras.
Por outro lado, na opinião de Wong Kit Cheng, não só o Governo, mas também as entidades privadas e as empresas de turismo de lazer integrado devem também contribuir para uma melhor organização de eventos festivos de grande escala, uma vez que muitos deles são hoje em dia realizados por estas empresas.
Neste caso, para lidar com estas previsíveis grandes concentrações de pessoas que exigem medidas de gestão de multidões, segurança e fluxo de tráfego, a deputada exorta os departamentos competentes a coordenarem com as organizadoras de eventos, formulando planos que abranjam o controlo de multidões, rotas de evacuação, medidas de transporte público e contingências de segurança.











