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      InícioSociedadeSer inteligente para construir uma cidade inteligente

      Ser inteligente para construir uma cidade inteligente

       

      “O futuro é aqui com design interactivo e sistemas de transportes inteligentes”, defende Filipe Nuno Bragança, fundador e director de design global do Grupo Axis Design, salientando que o âmago de uma cidade inteligente é sempre as “pessoas”. O especialista em design automobilístico considera que, no sentido da integração da Área da Grande Baía, Macau ainda está muito “atrasado” no que toca aos transportes inteligentes e sustentáveis devido ao conservadorismo.

       

      As deslocações quotidianas aumentam à medida que as pessoas se transferem mais entre novos espaços de trabalho, áreas industriais e zonas habitacionais. A integração dos cidadãos nas zonas urbanas está a tornar-se indispensável para alcançar um estilo de vida eficiente e sustentável. A Área da Grande Baía está entre as maiores metrópoles do mundo e é esperado que tenha um crescimento excepcional em termos de economia, de conectividade urbana e de desenvolvimentos sociais nos próximos anos. Um sistema de transportes extremamente inteligente e sustentável é a chave para que isso realmente aconteça.

      Para Filipe Nuno Bragança, fundador e director de design global do Grupo Axis Design, o nosso futuro vai conhecer uma maior diversidade de veículos e serviços que se enquadra no uso e contexto específico, não obstante de o conceito de cidade inteligente se associar com diferentes vertentes. Porém, no final, “o que faz a cidade inteligente são as pessoas”, defende o especialista em design automobilístico, num evento organizado pela Câmara do Comércio França-Macau (FMCC) realizado ontem.

      “Nós não só vemos as tecnologias, mas sentimo-las. O que as pessoas compram é emoção e novas experiências, pagam pelos produtos que lhes apetecem e que podem provocar emoções,” referiu o designer português que se dedicou aos projectos de marcas empresarias e à pedagogia universitária na China há quase uma década, frisando que a missão e a contribuição de ‘design’ é de agir como um agente provocador impulsionando limites e promovendo mudanças.

      Tendo exemplificado algumas concepções e aplicações de mobilidade em camadas tridimensionais, assegurando o trânsito urbano, interurbano e rápido, viabilizam-se polos mundiais tais como Xangai, Tóquio e Paris, uma transformação em cidades inteligentes. O designer reconheceu a importância de design, mas também realçou que, para construir uma cidade inteligente é necessário um “trabalho de equipa” com “esforços conjuntos”, “onde se requer não só as iniciativas dos líderes políticos, mas também dos empresários e empreendedores, para nós compreendermos como podemos oferecer novas soluções para a mobilidade”. “E o objectivo de nós, os designers, é tentarmos encontrar maneiras para criar empatia e simular as cabeças dos empresários e tomadores de decisões para conceptualizarem o que podem ser as possibilidades para o futuro”, disse Filipe Bragança.

      Na ocasião, o palestrante também partilhou o que descobriu aquando da sua chegada em Macau. “Assim que cheguei a Macau fiquei surpreendido quando estava ao volante, abri a janela do carro e ouvi o ruído de motociclos e ciclomotores”, recordou. O especialista, que trabalha em Xangai desde 2016, considera que Macau está “atrasado” e está ainda muito atrás da megacidade chinesa, tendo vindo a estagnar e a entrar em obsolescência relativamente ao que o território deveria ter sido.

      “Em Xangai, apesar da sua densidade de 25 milhões de habitantes, sinto-me bastante seguro quando ando de bicicleta na estrada devido à existência de ciclovias, mas aqui em Macau sinto que é muito perigoso e desconfortável mesmo que conduza um carro”, disse. Filipe Bragança enalteceu que tal não tem nada ver com a dimensão da metrópole, já que tudo é proporcional, mas sim devido ao facto de as autoridades de Xangai “estarem a capacitar e a permitir os distritos de implementarem regras muito bem concebidas e estabelecidas para possibilitar a mobilidade inteligente e tecnologias avançadas de forma a servir todo o povo”. Lamentou que, apesar da existência de tecnologias seguras e acessíveis bem desenvolvidas, a cidade de Macau “ainda continua a ser conservadora e a opor-se à introdução de novas coisas”.

      O que também apanhou Filipe Bragança de surpresa foram as estações de carregamento para carros eléctricos instaladas em Macau. “As que foram vistas nas ruas são inacreditavelmente horríveis, não só esteticamente, mas como autênticas rochas a ocupar espaços de carros estacionados.  Hoje em dia já existem tecnologias avançadas como carregadores sem fios que ocupam menos espaço, aqui é só uma questão para os que tomam decisões. Ainda não sentem que a população de Macau tem esta necessidade”, considerou,

      Para o especialista familiarizado com o mercado da Ásia-Pacifico, tendo em conta a construção da Área de Grande Baía, deve-se manter sempre a mente aberta para a possibilidade de uma maior integração no que diz respeito à mobilidade entre as regiões administrativas especiais e as cidades chinesas no Delta do Rio das Pérolas, e Macau ainda está longe desse processo. “Era suposto Macau ser uma cidade inteligente, ou pelo menos uma cidade com uma experiência de vida positiva e confortável, mas vejamos a realidade deste terreno de 30 e tal quilómetros, congestionado com carros pesados nas ruelas estreitas, é obvio que não faz nenhum sentido”, apontou.

      “Precisamos de nos adaptar à nova realidade senão ficaremos sempre presos no mesmo sítio como há cinquenta anos. Temos de apanhar as novas tecnologias e encontrar a melhor forma para integrá-las nos veículos ou nas infraestruturas urbanas que visam apoiar a comunidade a ter uma experiência confortável de vida. Existem muitas soluções possíveis e Macau podia ser um lugar perfeito para servir de exemplo, mas tudo isso vai depender da política e da escolha de pessoas”, resumiu o especialista.

       

      PONTO FINAL