Detido ex-presidente do ICBC Macau por alegada ligação ao projecto Windsor Arch

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O antigo presidente do Banco Industrial e Comercial da China (Macau) foi detido e está a ser investigado. As autoridades chinesas revelam que Jiang Yisheng é agora alvo de uma inspecção disciplinar por ter cometido “infracções disciplinares graves”. O caso de Jiang, que liderou o referido banco entre 2018 e 2023, estará ligado a um empréstimo imobiliário concedido ao empresário Ng Lap Seng relativamente ao projecto Windsor Arch, na Taipa.

 

Jiang Yisheng, ex-presidente do Banco Industrial e Comercial da China (Macau) (ICBC Macau), foi detido pelas autoridades chinesas por “infracções disciplinares graves”. A detenção poderá estar ligada a um empréstimo concedido, durante o seu mandato, a um projecto de construção promovido pelo empresário Ng Lap Seng, segundo fontes conhecedoras da imprensa Caixin Global.

Recentemente surgiram rumores que o banqueiro estaria desaparecido, mas uma notificação oficial do Governo Central confirmou que estava detido.

De acordo com uma nota publicada pelo Comité Central pela inspecção disciplinar do Partido Comunista Chinês na passada sexta-feira, Jiang Yisheng está a ser investigado por suspeita de ter cometido infracções disciplinares graves, estando a ser submetido a uma inspecção disciplinar pelo Grupo de Supervisão Disciplinar do Estado no ICBC e pela Comissão de Fiscalização Municipal de Zhuhai.

Jiang Yisheng foi presidente do Conselho de Administração do ICBC Macau entre Abril de 2018 e Junho de 2023, deixando o cargo exercido no território aos 56 anos.

Jiang trabalhava na gestão bancária no Grupo ICBC há mais de 20 anos e actuou como presidente da Filial Zhuhai, vice-presidente da Filial Cantão, vice-presidente da Filial da província de Guangdong, gerente-geral do Departamento de Negócios Internacionais da Filial Guangdong. Além disso, desempenhou o cargo de gerente-geral assistente da ICBC Ásia e diretcor executivo da ICBC Ásia.

Em Novembro de 2021, o ICBC Macau liderou a criação da Associação da Indústria de Valores Mobiliários e Fundos de Macau, da qual Jiang Yisheng foi o primeiro presidente.

Segundo noticiou o Caixin Global, a investigação de Jiang Yisheng está alegadamente relacionada com um empréstimo imobiliário concedido para financiar o empreendimento residencial de luxo Windsor Arch, sendo Ng Lap Seng o antigo presidente do Grupo Sun Kian Ip, um dos promotores do Windsor Arch, na Taipa.

 

LIGAÇÕES FINANCEIRAS

 

O caso de Jiang ocorre numa altura em que o ICBC Macau solicitou ao tribunal o arresto dos bens do empresário Ng Lap Seng para recuperar dívidas pendentes. A imprensa chinesa Caixin Global indicou ainda que o ICBC Macau terá tomado medidas disciplinares contra Jiang Yisheng no início deste ano devido a “falhas significativas” na garantia do empréstimo, embora o montante exacto do empréstimo não tenha sido divulgado.

De acordo com um anúncio publicado a 18 de Junho pelo Tribunal Judicial de Base, Ng Lap Seng e o seu filho, Ng Kei Nin, e dez outras pessoas e empresas foram classificados como arguidos numa acção de congelamento de bens, a pedido do ICBC Macau.

Os bens a apreender incluem cerca de 80 lugares de estacionamento, mais de 40 unidades de escritórios, bem como depósitos bancários e acções avaliadas em mais de 1,7 milhões de patacas em nome de Ng Lap Seng e do seu filho.

Ng Lap Seng, conhecido magnata e promotor imobiliário em Macau, envolveu-se num caso de suborno relacionado às Nações Unidas, pelo qual foi condenado em 2017 pelo tribunal federal dos EUA por seis crimes de suborno, branqueamento de capitais e conspiração, tendo sido sentenciado a quatro anos de prisão.

O tribunal norte-americano concluiu que Ng pagou centenas de milhares de dólares americanos em subornos a dois embaixadores da ONU, entre 2010 e 2015, em troca do seu apoio a um projecto de construção de um “Centro de Conferências das Nações Unidas” em Macau. O projecto, que pretendia transformar Macau num centro diplomático, tinha um valor potencial de milhares de milhões de dólares.

O empresário acabou por ser libertado no início de 2021, após ter cumprido 34 meses da pena de prisão por motivos de saúde. Posteriormente, Ng Lap Seng esteve também envolvido num caso de corrupção em Macau que envolveu dois antigos directores da extinta Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng e Jaime Carion, bem como os empresários imobiliários Sio Tak Hong, William Kuan.

Ng Lap Seng foi originalmente condenado a 15 anos de prisão, mas a sua pena foi reduzida para dois anos e meio em 2023 após recurso.

O projecto Windsor Arch foi um dos empreendimentos, segundo o tribunal local, através dos quais os responsáveis da DSSOPT receberam benefícios dos empresários imobiliários envolvidos para que lhes prestassem auxílio no processo de apreciação e aprovação de projectos de construção, sobretudo em termos de restrições de aproveitamento de terreno.