ICOMOS apresenta conferência online sobre a Grande Baía e as alterações climáticas

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A iniciativa, organizada pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, pretende trazer à liça temas que passam pela preservação do património construído e compartilhado pelas cidades do Delta do Rio das Pérolas, bem como a mitigação das alterações climáticas. Estima-se que essas alterações causem impactos na economia regional, que representam quase 10% do PIB da China.

 

Um dia depois das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla inglesa) promove hoje um webinar sobre a preservação do património construído e compartilhado pelas cidades do Delta do Rio das Pérolas, bem como a mitigação das alterações climáticas, anunciou a entidade em comunicado de imprensa enviado à comunicação social.

A conferência online, a ter lugar pelas 19h (hora local) e com duração de duas horas, terá o contributo de oradores de Macau, Wuhan, Paris, Kuala Lumpur, Hong Kong e Shenzhen e debaterá o que se passa na área da Grande Baía, incluindo estudos de caso de Macau, Cantão e Hong Kong e outros exemplos de cidades do Delta do Rio das Pérolas, pode ainda ler-se no mesmo comunicado.

A região metropolitana do Delta do Rio das Pérolas, parte da área da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, situada no sul da China, tornou-se uma das maiores regiões urbanas contíguas do o mundo. O relatório sobre a situação das cidades mundiais de 2020, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), estima que a população desta região seja de mais 120 milhões de pessoas.

De igual modo, estimativas oficiais consideram que as alterações climáticas causem impactos importantes na economia regional, que representa quase 10% do PIB da República Popular da China. O aumento relativo do nível do mar, os riscos de inundação e imersão tornam esta região particularmente vulnerável. Na parte sul do Delta, o desenvolvimento urbano está em risco porque a terra fica entre três metros negativos a quatro metros em relação ao nível médio do mar. “Estamos preocupados com a problemática do nível das águas e em como isso pode, de facto, afectar Macau e as restantes cidades da região. É um tema que tem impacto e importância para a RAEM”, começou por explicar ao PONTO FINAL a arquitecta portuguesa Maria José Freitas, presidente do Comité Científico Internacional sobre o Património Construído Compartilhado (ISCSBH, na sigla inglesa) do ICOMOS e uma das coordenadoras do webinar juntamente com a arquitecta chinesa Ning Liu.

Por isso, áreas construídas como o Centro Histórico de Macau, considerado Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2005, estão sujeitas a condições climáticas extremas, como o aumento da intensidade da ciclones e tempestades tropicais. Aliás, conforme o PONTO FINAL apurou recentemente, o número médio de tempestades tropicais a assolar o território regista um aumento ligeiro nos últimos tempos e a tendência é de crescimento, defendem os Serviços Meteorológicos e Geofísicos. “A gestão do património cultural nas cidades desta região é um factor-chave para a preservação da identidade histórica e cultural, bem como a atractividade turística desses lugares que há muito servem como encruzilhada comercial e caldeirão cultural”, notou Maria José Freitas.

“A mudança climática é um assunto de vários sectores e domínios que tem impactos socio-económicos e culturais de longo alcance em todo o mundo”, nota a arquitecta, que acrescenta, parafraseando a UNESCO, que Macau “testemunha um dos primeiros e mais duradouros encontros entre a China e o Ocidente, baseado na vitalidade do comércio internacional”. Monumentos e património cultural, como a antiga residência de Sun Yat-sen, primeiro presidente da China na era republicana, “passaram por importantes esforços de restauração para mitigar os problemas de erosão e intrusão de água salgada”.

Outro tema de discussão no webinar é Shenzhen, que se junta à lista de cidades que sofrem com condições climáticas extremas sob os impactos globais das mudanças climáticas. “Tempestades repentinas e inundações repentinas estão entre os problemas esmagadores e os principais riscos que a cidade costeira enfrenta. Nos últimos anos, estão a ser feitos esforços para combater os efeitos das mudanças climáticas e do congestionamento”, refere Maria José Freitas. “A cidade está a usar inteligência artificial e modelagem de informações de construção nas suas ferramentas de planeamento para as suas iniciativas de ‘cidade esponja’, bem como ‘plantas de resfriamento’, para atingir a meta de edifícios 100% verdes”, decretada pelas autoridades locais. A medida visa, essencialmente, reduzir o custo de energia e reduzir a poluição do tráfego”, pode ainda ler-se no comunicado.

Para aceder à conferência, via Zoom, pode utilizar o link https://bit.ly/3uTcpeP com o número 869 6427 2594 e a senha 884700.

O ICOMOS, cuja presidente é a arquitecta portuguesa Teresa Patrício, é uma associação não-governamental com ligações à ONU através da UNESCO, fundada em 1965 e com sede da cidade de Paris, em França, e é responsável por propor os bens arquitectónicos que recebem o título de Património Cultural da Humanidade.

 

PONTO FINAL