Wong Sio Chak diz que aumento das burlas se deve à “fraca consciencialização” da população

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Na mensagem mensal do secretário para a Segurança, divulgada ontem, Wong Sio Chak alertou para as burlas que têm vindo a aumentar no território. No texto, o secretário diz que a culpa do aumento das burlas é da “fraca consciencialização sobre a prevenção de​_ burlas demonstrada por alguns cidadãos”. O secretário indicou mesmo que o público “não pode ter uma atitude desdenhosa e depreciativa em relação às informações anti-burla”.

Ao longo dos primeiros meses de 2023, as autoridades detectaram um aumento no número de burlas. De acordo com os dados estatísticos da Polícia Judiciária (PJ), nos primeiros dois meses de 2023, registaram-se 39 casos de burlas telefónicas e 73 casos de burlas cibernéticas, representando um aumento de 3,3 vezes e 1,5 vezes comparativamente com o ano de 2022, respectivamente, que causaram prejuízos superiores a 17 milhões de patacas. Por isso, na mensagem mensal do secretário para a Segurança, publicada ontem no site do seu gabinete, Wong Sio Chak debruçou-se sobre a questão e pediu que a população esteja alerta.

Aliás, o secretário já encontrou uma culpada: “A fraca consciencialização sobre a prevenção de burlas demonstrada por alguns cidadãos é, sem dúvida, a principal razão para a elevada e continuada ocorrência dos crimes ligados às burlas de telecomunicações”.

Na mensagem, o governante lembrou que, “hoje em dia, a vida pública, a interacção social, os estudos e o trabalho dependem profundamente da internet, contudo verifica-se uma falta de consciência para o sentido de alerta no seu uso e no das ferramentas de comunicação, fenómeno este que oferece oportunidades de acção aos criminosos”.

Wong Sio Chak indicou que, com a pandemia, ficou mais difícil alertar a população e, além disso, os burlões tiveram mais oportunidades de levar a cabo burlas cibernéticas e de telecomunicações, aproveitando-se de assuntos que preocupavam a população, como a prevenção da epidemia, recebimento de subsídios e procura de emprego, por exemplo.

O secretário assinalou que, “em resposta às mudanças dos hábitos da recepção de informações por parte do público”, a PJ reajustou e efectuou acções de sensibilização sobre a prevenção das burlas online e offline. Wong Sio chak destacou a mascote “Abelhinha esperta contra a burla”, que tem como objectivo “tornar a propaganda mais chamativa e mais adaptada à actualidade, e faz todos os possíveis para efectuar uma ampla divulgação nesse âmbito e assim alcançar diferentes grupos sociais”.

Wong assinala que, face à tendência criminal, “que continua a ser grave”, a PJ optimiza as estratégias de prevenção do “Grupo específico de combate à burla”, composto por pessoal de investigação criminal de diferentes áreas profissionais, encarregue de definir medidas concretas contra novos tipos de burla. Além disso, tendo em consideração a análise das características das vítimas detectadas em diferentes casos de burlas foi, desde o ano passado, estabelecido um mecanismo directo e rápido de troca de informações com os sectores do jogo, da logística e do ensino superior, com vista a fortalecer os esforços e a eficácia da propaganda especialmente vocacionada para os grupos de alto risco, destacou o secretário.

Na mensagem, o secretário ressalvou que o combate a este tipo de crime “revela-se difícil”, dado que “as burlas cibernéticas e de telecomunicações têm, muitas vezes, características de crime transfronteiriço e, bem assim, de forte ocultação, complexidade e organização”. “No entanto, a PJ tem reforçado, de forma activa, a troca de informações com órgãos regionais e internacionais competentes na área de execução da lei, tendo sido criado um grupo especializado para proceder e efectuar em conjunto investigações e desenvolver acções de execução da lei com as autoridades do exterior, no âmbito de casos conexos”, pode ler-se na mensagem.

“A prevenção é um meio principal contra a burla. Face à presente situação, com um elevado número de casos de burla cibernética e de telecomunicações, a polícia e a população têm de colaborar mutuamente, para actuar e melhorar a consciência e a capacidade de prevenção de toda a sociedade”, disse o secretário, acrescentando: “O público em geral tem de ser o primeiro responsável, não pode ter uma atitude desdenhosa e depreciativa em relação às informações anti-burla e não deve negligenciar a sua actuação e pensar que pode ficar ileso, antes deve estar mais atento, prestar mais atenção, alertar e motivar outras pessoas para prevenir a burla, nomeadamente o grupo de pessoas de alto risco, contribuindo, assim, para a construção de uma sociedade ‘contra a burla em conjunto’, garantindo-se, de forma efectiva, os legítimos direitos e a segurança dos bens do público”.