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      InícioCultura“Engeki Quest” como ponto de partida para (re)descobrir a cidade

      “Engeki Quest” como ponto de partida para (re)descobrir a cidade

      O livro do projecto “Engeki Quest” em Macau vai ser apresentado hoje na Livraria Portuguesa. A ideia da iniciativa de combinar os dois elementos de “espectáculo” e “jogo” permite que os leitores se tornem aventureiros e explorem a cidade com passeios nas ruas e nos becos, mergulhando num determinado papel nas diferentes histórias e seguir as instruções dos roteiros. O produtor responsável pelo projecto, Erik Kuong, destacou ao PONTO FINAL que a edição de Macau, ao contrário das outras cidades, mostrou mais a perspectiva dos residentes. A equipa que criou o projecto espera que os leitores, tanto turistas como residentes, possam descobrir, ou redescobrir, esta pequena cidade.

      O livro do projecto “Engeki Quest” em Macau vai ser apresentado hoje na Livraria Portuguesa. A ideia da iniciativa de combinar os dois elementos de “espectáculo” e “jogo” permite que os leitores se tornem aventureiros e explorem a cidade com passeios nas ruas e nos becos, mergulhando num determinado papel nas diferentes histórias e seguir as instruções dos roteiros. O produtor responsável pelo projecto, Erik Kuong, destacou ao PONTO FINAL que a edição de Macau, ao contrário das outras cidades, mostrou mais a perspectiva dos residentes. A equipa que criou o projecto espera que os leitores, tanto turistas como residentes, possam descobrir, ou redescobrir, esta pequena cidade.

      “Engeki Quest”, um projecto de caminhada exploratória de estilo ‘flâneur’, chegou agora a Macau. Com o lançamento deste livro, a cidade ganhou um novo ponto de partida para os leitores serem aventureiros e passearem pelas ruas numa perspectiva diferente.

      A obra, que se estreia em três línguas (inglês, japonês e chinês), vai ser objecto de uma sessão de partilha hoje na Livraria Portuguesa, das 18h30 às 20h. Na ocasião, a equipa vai falar sobre a criação do livro e os participantes serão convidados a partilhar a sua experiência de leitura ou ideias sobre o projecto.

      ‘Engeki Quest’, que originalmente é um termo japonês, significa “Jogo de Teatro”. “A ideia principal é apresentar uma fusão desses dois elementos, quando se está a ver um espectáculo, a compreender uma história, e também se participa num jogo. Mas, para o jogo, os leitores devem explorar a cidade com passeios verdadeiros nas ruas, portanto, tem também a designação de ‘Livro da Aventura’”, explicou Erik Kuong, um dos membros da equipa da criação da obra.

      O projecto, cujos participantes vagueiam pela cidade seguindo as instruções escritas no livro, iniciou-se em 2014 e já foi realizado em várias cidades como Yokohama, Tóquio, Düsseldorf, Manila, Banguecoque, Ansan e Hong Kong. Além de Macau, o projecto vai ainda chegar à Áustria este ano.

      Para concretizar este livro de aventura na cidade, os seis elementos da equipa também incorporaram uma das características essenciais de Macau como um ponto de intersecção de diferentes culturas, compreendendo o colectivo de arte Orangcosong, fundado em 2019 por Chikara Fujiwara e Minori Sumiyoshiyama, que são os autores japoneses principais do livro, uma ilustradora japonesa Haruka Shinji, a tradutora taiwanesa Baiyi Sun, e dois artistas locais, Sonia Lao e Erik Kuong.

      Partilhando o processo criativo, o também produtor e responsável pela parte em Macau do livro, Erik Kuong, revelou ao PONTO FINAL que a ideia de fazer o projecto no território já tinha nascido em 2017, quando Orangcosong veio a Macau pela primeira vez e chegou a conhecer a cidade.

      “Conheci o artista Chikara num festival de arte na Coreia do Sul e ele veio cá há cinco anos para ver um espectáculo meu. Naquela altura surgiu-nos a ideia de que Macau também é uma boa escolha para fazer o projecto Engeki Quest, portanto, o grupo Orangcosong veio passear e conversar com os locais algumas vezes nos dois anos seguintes”, recordou Erik, prosseguindo que o surto da Covid-19 acabou por se tornar num obstáculo para encetar o projecto.

      Entretanto, em Outubro do ano passado, altura em que considerou “não haver esperança para abrir a fronteira em breve”, a equipa optou por trabalhar de forma remota. Os responsáveis em Macau tornaram-se então mais importantes na criação do livro, e assim o conteúdo partiu mais de uma “perspectiva dos residentes”, focando nos lugares, talvez “sítios secretos” que os dois coordenadores em Macau querem partilhar com os leitores.

      Durante a pesquisa nas ruas, Erik Kuong e Sonia Lao descobriram que a cidade de Macau registou, durante os dois anos da pandemia, uma mudança muito grande, quer na aparência, quer o sentimento que transmite. Ao mesmo tempo, os artistas no Japão ganharam mais tempo para consultar documentos sobre a história de Macau, por exemplo, como os japoneses chegaram ao território com os navios comerciais dos portugueses e participaram na construção das Ruínas de São Paulo.

      O livro conta com quatro roteiros para os leitores seguirem para explorar a cidade, e, ao mesmo tempo, têm de mergulhar nos papéis designados em cada história, como um japonês, um português ou um chinês daquela época, ou uma pessoa normal da era contemporânea, para experimentar e sentir o decurso dos eventos históricos.

      “Este não é um livro de guias turísticos. Tanto os turistas como os residentes podem, ao seguir as instruções do livro, explorar as ruas, os becos e os pátios de forma a descobrirem, ou redescobrirem, esta cidade. Talvez possam ter um sentimento completamente novo sobre este lugar que já conhecemos há muito tempo”, salientou, destacando que o livro faz deliberadamente os leitores perderem-se para sentirem a cidade e encontrarem uma saída através deles próprios.

      Quanto às ilustrações do livro, que descrevem a relação entre a cidade e o mar, deram uma impressão de que Macau flutua na água, pelo que o livro tem um subtítulo chamado “A Hidden Window in Macau – Floating Maa Gaau”. Erik Kuong disse ainda que tal trouxe-lhe recordações da passagem do tufão Hato. “As zonas que ficavam imersas eram os aterros, o que resta é a parte de Macau antiga, o original”, frisou.

       

      Uma experiência pessoal

      Para além dos leitores poderem fazer um caminho seu ao longo da leitura, Erik Kuong indicou ainda que a equipa vai realizar mais actividades para o lançamento do livro, cujos detalhes serão anunciados nas redes sociais. Segundo o responsável, é recomendado que os leitores façam o passeio sozinhos, por não ser uma “competição ou viagem guiada”, mas uma “exploração pessoal”. “Claro que os amigos podem iniciar a caminhada juntos, e poderão separar-se nos ‘cruzamentos de escolhas’, e é possível reencontrarem-se novamente noutras partes da história. O sentimento de reencontro faz-nos sentir bem”, referiu.

      Nesse sentido, o produtor sublinhou que a obra pode ficar com os leitores para ser reutilizada outras vezes, para tentarem outros roteiros e outras opções. “É uma experiência com escolhas pessoais, com vontade independente, para vermos onde nos guiam”, disse.

      Erik Kuong adiantou ao PONTO FINAL que a equipa concluiu ainda mais uma história para a obra, que é sobre os estrangeiros em Macau, nomeadamente os trabalhadores vindos do Sudeste Asiático, e espera que seja publicada se houver uma segunda edição do livro. “Macau é uma cidade que integra culturas diversas e muitas pessoas diferentes”, concluiu.