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      Início Cultura Cor e cubismo surrealista para reafirmar a paz em Moçambique

      Cor e cubismo surrealista para reafirmar a paz em Moçambique

      Pintor moçambicano José Estevão Manhiça está em destaque na 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, com uma exposição inaugurada na sexta-feira passada. Com os seus trabalhos, o artista pretendeu divulgar a arte e a cultura de Moçambique, com destaque para o Cubismo e Cubismo surrealista, usando cores vivas como uma maneira de se debruçar sobre a paz no seu país, para além de procurar formas de transmitir alegria e plenitude.

      Na passada sexta-feira realizou-se no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa a cerimónia de inauguração da exposição “Encontros diferentes”, do artista de Moçambique José Estevão Manhiça, ou Vovo’s, como é conhecido no mundo artístico. A iniciativa é organizada pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau no âmbito do ciclo de exposições “Policromias lusófonas”, decorrentes da 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

      O secretário-geral adjunto, Paulo Jorge do Espírito Santo, assinalou, num discurso na cerimónia, que esta exposição iria contribuir para promover a cooperação cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Reafirmou ainda que o Fórum de Macau estará sempre na primeira linha de apoio e divulgação da arte e cultura de todos os países participantes do Fórum, refere um comunicado da organização.

      Através das obras expostas, o artista pretendeu divulgar a arte e a cultura de Moçambique, reinando o Cubismo e um Cubismo surrealista, usando cores vivas como uma maneira de se debruçar sobre a paz no seu país, para além de procurar formas de transmitir alegria.

      Francisca Reino, delegada de Moçambique do Fórum de Macau, falou ao PONTO FINAL acerca do evento que organizou. “A exposição é no âmbito da programação do Fórum de Macau para a semana da Lusofonia. Alguns países conseguiram coincidir com o Dia da Independência, porém, no nosso caso, que era supostamente para ser em Junho, Portugal já tinha o mês reservado, por isso, aceitámos realizar este evento no mês de Setembro”, explicou.

      Quanto à razão de terem escolhido este artista, a advogada de profissão refere que José Estevão Manhiça “é um artista que já tem muita experiência, tendo já exposto a nível internacional, em galerias internacionais, nomeadamente em Portugal, França, e tem umas obras expostas na Presidência da República na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique”, apontou. “É um artista já experiente, e como se não bastasse, ele também faz parte da geração de Malangatana, Bertina Lopes, entre outros, e faz um surrealismo, um cubismo nas obras dele, que vão do tradicional ao moderno”, considera.

      O artista, explica a delegada, apresenta obras que ao primeiro relance podem apenas aparentar cores, porém, quem olhe com mais atenção, apercebe-se que cada um dos seus quadros tem o seu próprio significado. “As obras são todas muito lineares e subjectivas. Este artista nos seus quadros diz que isto é o ‘caminho infinito’, e uma das questões que põe principalmente é que o mundo está com problemas, problemas de estabilidade e paz”, frisou. “E então, ao pintar com cor, quer representar a alegria, a esperança que um dia as coisas vão voltar a ser melhores, particularmente na situação que Moçambique está a passar no norte do país. Ele traz à tela aquilo que ele pensa, o mundo em reflexão daquilo que é o pensamento humano, que um dia vamos pintar quadros bonitos porque a paz é linda”, concluiu.

      O artista José Estevão Manhiça tirou um curso de pintura e desenho analítico na Escola Nacional de Artes Visuais, em Moçambique, e tem realizado, desde 1994, várias exposições individuais e colectivas. As suas obras entraram também nas colecções da Presidência da República de Moçambique, de diferentes departamentos governamentais e bancos, para além de se poderem encontrar em Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Espanha e Suécia.

      A exposição vai estar exposta até ao dia 19 de Setembro e está aberta ao público de terça-feira a domingo, das 11h às 19h, encerrando à segunda-feira, com entrada gratuita, na galeria de exposições do edifício do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Realizar-se-á simultaneamente, durante a exposição, três workshops coorganizados pela Associação dos Amigos de Moçambique, nos quais serão convidados artistas para ensinar e apresentar a dança Tufo, a dança dos guerreiros denominada Xigubo e a dança tradicional marrabenta, juntamente com vários jogos tradicionais, nomeadamente Pindjonce, Neca, N’Txuva (xadrez africano), permitindo os participantes fazer uma viagem cultural a Moçambique.

      A cerimónia contou com a presença de vários convidados, entre os quais o secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Paulo Jorge Rodrigues do Espírito Santo, o cônsul-geral de Moçambique em Macau, Embaixador Rafael Custódio Marques, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado do Fórum de Macau, Teresa Mok, a delegada de Moçambique junto do Secretariado do Fórum de Macau, Francisca Reino, e a presidente da Associação dos Amigos de Moçambique, Helena Brandão.