Edição do dia

Quarta-feira, 22 de Maio, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
24.7 ° C
24.9 °
24.3 °
94 %
3.1kmh
40 %
Ter
25 °
Qua
25 °
Qui
26 °
Sex
27 °
Sáb
28 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeMacau reduz tempo de quarentena obrigatória para 14 dias

      Macau reduz tempo de quarentena obrigatória para 14 dias

      Autoridades sanitárias do território relaxaram o tempo de período de observação médica para residentes que chegam do estrangeiro de 21 para 14 dias. À medida, em vigor a partir da próxima segunda-feira, acrescem sete dias de isolamento domiciliar. Ontem foi também anunciado que os idosos com 60 ou mais anos vão começar a receber uma mensagem por SMS, apelando à vacinação.

       

      Uma ténue luz ao fundo do túnel. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem, na conferência de imprensa semanal sobre a Covid-19, que, a partir da meia-noite da próxima segunda-feira, dia 28 de Março, o período de observação médica será reduzido para 14 dias para chegadas oriundas de Hong Kong, Taiwan, bem como de todos os países do exterior. À nova medida acrescem os habituais sete dias de autogestão de saúde.

      A novidade que muitos ansiavam foi dada pela chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis, Leong Iek Hou, que no passado recente não conseguiu encontrar uma justificação clínica para explicar aos jornalistas porque é quem vinha do exterior tinha de se sujeitar a uma medida restritiva de 21 dias e quem vinha de Hong Kong, onde por exemplo está a ocorrer um surto preocupante, só fazia quarentena de 14 dias. “A partir das zero horas do dia 28 de Março, todos os indivíduos que venham da região de Hong Kong, Taiwan e residentes de Macau que venham de regiões fora de Macau vão ver os seus dias de observação médica reduzidos de 21 para 14 dias e, após a sua saída, mais sete dias de autogestão de saúde”, anunciou a médica.

      Recorde-se que é a primeira vez, desde o início da pandemia, que as autoridades sanitárias do território decidem baixar o tempo de observação médica para quem chega do exterior. Ainda assim, continua a não ser permitida a entrada de não residentes, além das rotas anteriormente permitidas para a China Continental e Hong Kong. Em Março de 2020, Macau decretou períodos de quarentena de 14 dias, mas, nove meses depois, no mês natalício, os Serviços de Saúde aumentaram a restrição, passando de 14 para 21 dias mais sete dias de autogestão de saúde, que se pretende ser domiciliária.

      Durante o período de autogestão de saúde, os Serviços de Saúde recordam que o código de saúde será transformado em código amarelo, não sendo permitida a deslocação ao continente através de Macau, devendo cada indivíduo ser submetido a testes de ácido nucleico no primeiro, segundo, quarto e sétimo dias após o início da autogestão da saúde, bem como cumprir outras medidas de prevenção.

      Mas as novidades não ficam por aqui. A partir de manhã, dia 26 de Março, pode ser que ocorram alterações para quem entra no território por via terrestre, vindo de Zhuhai. “O último caso já foi registado no dia 19 de Março, por isso estima-se que sete dias após o registo do último caso de infecção em Zhuhai, vamos mudar a exigência de 24h para 48h para poder entrar em Macau”, explicou Leong Iek Hou.

      A medida na RAEM surge no seguimento do anúncio feito esta semana pela Chefe do Executivo da RAEHK, Carrie Lam, de que a região vizinha estaria a ponderar reduzir o período de quarentena de 14 para sete dias, bem como suspenderiam as proibições de voos em nove países – Austrália, Canadá, França, Índia, Nepal, Paquistão, Filipinas, Reino Unidos e Estados Unidos da América – a partir do dia 1 de Abril.

       

      Fraca adesão à vacinação por idosos preocupa autoridades

       

      As autoridades sanitárias consideram que a taxa de vacinação em Macau ainda continua longe dos valores desejados e muito baixa em alguns grupos etários, como por exemplo em idosos. Por isso, a partir de hoje, os Serviços de Saúde vão começar a enviar mensagens por SMS para residentes com 60 ou mais anos, apelando à vacinação. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus reiterou ainda mais relaxamentos das restrições pandémicas, só mesmo com um aumento das pessoas vacinadas, em especial os mais velhos.

      Em pessoas com mais de 80 anos a taxa de vacinação continua a ser preocupante com apenas 37,9% das pessoas vacinadas. Já em crianças dos três aos 11 anos, a taxa é de 46,3%. Grupos etários dos 30 aos 39 e dos 40 aos 49 a taxa de vacinação roça os 100%. Em indivíduos dos 20 aos 29 a taxa é de 95%. Dos 50 aos 59 é de 92,3%. Nos mais velhos, dos 60 aos 69 anos a taxa é de 73,8% e dos 70 aos 79 anos é de 63%. Em jovens dos 12 aos 19 a taxa de vacinação é de 74,7%.

      Dados relativos ao dia de ontem mostram que foram administradas até ao momento 1.220.674 doses de vacinas contra a Covid-19. 573.533 pessoas foram inoculadas, sendo que a primeira dose já foi administrada a 68.259 indivíduos e 336.047 pessoas estão totalmente imunizadas, com duas doses. 169.227 pessoas já foram vacinadas com a terceira dose. A percentagem da população vacinada com, pelo menos, uma dose da vacina, é de 83,95%. Nas últimas 24h, ocorreram cinco notificações de eventos adversos (cinco eventos adversos ligeiros e nenhum grave, tendo sido cinco casos relacionados com a vacina inactivada da chinesa Sinopharm e zero casos da vacina mRNA da germânica BioNTech). Desde o início do programa de vacinação em Macau que ocorreram 4.659 notificações de eventos adversos, tendo sido a sua maioria (4.646) considerados adversos ligeiros e apenas 13 graves.

      Macau registou apenas 82 casos desde o início da pandemia de Covid-19, mas o aumento de casos na China continental e os milhares de infectados e de mortes registados na região vizinha de Hong Kong está a preocupar as autoridades.

       

      A premonição da comendadora Rita Santos

       

      No passado dia 23 de Março, precisamente um dia antes do anúncio das autoridades sanitárias sobre a redução do tempo de observação médica para quem chega do exterior de 21 para 14 dias, a comendadora Rita Santos, em nome do gabinete dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas do Círculo China, Macau e Hong Kong, enviou uma carta dirigida ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, onde pedia que fosse reduzido, precisamente, esse tempo de quarentena para residentes chegados do estrangeiro. “Vimos por este meio solicitar que o período de isolamento imposto a pessoas residentes, que regressem ao território, provenientes do estrangeiro, seja reduzido para 14 dias, por forma a mitigar o impacto à actividade profissional, empresarial e comercial, e evitar a ocorrência de situações dramáticas, resultantes das necessidades emocionais dos cidadãos residentes, que se veem impedidos de poder participar em assuntos familiares importantes, muitos com filhos em idade escolar, e pais e avós idosos com doenças crónicas, aliviando-lhes assim a pressão resultante desta prolongada separação familiar”, pode ler-se na missiva, assinada pela presidente do Conselho Regional Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, que revelou ainda um número elevado de queixas àquela entidade.

       

      PONTO FINAL