Depois de Lok Po, deputado de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN), ter sugerido que a comunidade macaense deveria ser integrada na família de etnias chinesas, Miguel de Senna Fernandes disse ao PONTO FINAL que o melhor é não se colocarem rótulos na comunidade, uma vez que essa integração na China já está consumada há muito tempo. Por outro lado, Carlos Marreiros aplaudiu a sugestão e Jorge Fão considerou que a proposta vai promover a comunidade no continente chinês.
“Deixem-nos ser como somos, sem rótulos”. Foi assim que Miguel de Senna Fernandes comentou, em declarações ao PONTO FINAL, a proposta de Lok Po na Assembleia Popular Nacional (APN), que pedia a integração da comunidade macaense na “família de etnias” da China.
Para Miguel de Senna Fernandes, que sublinhou que os seus comentários eram apenas em nome pessoal, essa integração da comunidade macaense na lista de etnias chinesas não é necessária: “Nós estamos integrados há muito tempo. Não temos de nos submeter a nova integração. Nós somos daqui. Isto é muito importante. Nós não somos estrangeiros, nós somos daqui, somos de Macau”.
Na opinião do macaense, tanto a China como Macau “ganham muito” em deixar a comunidade como está. Até porque “nós somos parceiros fundamentais da China e somos embaixadores de ambos os lados”, afirmou, reiterando: “A comunidade agradece que nos deixem como nós somos”.
“A questão é muito complexa porque nós durante muito tempo estivemos ligados a Portugal, mas nunca deixámos a nossa costela chinesa”, referiu Senna Fernandes, acrescentando que “a comunidade macaense não pode negar a sua ancestralidade chinesa”.
Apesar de achar dispensável a integração na lista de etnias chinesas, Miguel de Senna Fernandes quis deixar claro que a proposta de Lok Po tem mérito: “O que o senhor Lok Po diz eu acredito que é de boa fé. Felicito-o por isso. É um discurso bom para a comunidade macaense. É de boa vontade”.
Carlos Marreiros vê mais utilidade na proposta e, ao PONTO FINAL, assinalou que “os macaenses claramente deram provas de que têm a pátria em Portugal e a mátria na China”. “Haver uma posição do Governo Central parece-me muito bem”, notou.
A iniciativa de Lok Po, na opinião do arquitecto, “é de aplaudir” e “só peca por tardia”. “Haver um processo que quer puxar os macaenses a integrarem-se mais na grande família chinesa e encorajá-los a participar mais na vida activa política a todos os níveis parece-me muito bem”, frisou. Por outro lado, Marreiros lamentou que a iniciativa não tenha partido da “representação diplomática [portuguesa], ou dos dirigentes portugueses em Macau”.
Ao PONTO FINAL, Jorge Fão também reagiu com satisfação à sugestão de Lok Po e assumiu que conhece bem o proponente. O presidente da assembleia geral da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) confessou que até ligou ao director do jornal Ou Mun a agradecer o gesto.
“Eu fiquei muito bem impressionado com a proposta dele. Gostei muito da proposta dele, francamente”, afirmou o macaense, garantindo que uma eventual inclusão dos macaenses na lista das etnias chinesas iria “beneficiar a comunidade”. “Ele quer fazer ver ao Governo chinês que existe esta comunidade em Macau, que nunca foi sequer promovida no interior da China”, referiu, assinalando que “o senhor Lok Po fez uma proposta pedindo ao Governo chinês para promover, motivar e integrar essa comunidade no grande continente chinês; isso é muito bom”.
Na proposta apresentada na segunda-feira à APN, Lok Po, director e editor-chefe do Jornal Ou Mun, defendeu que a comunidade macaense deve ser integrada na família de etnias chinesas, o que poderá servir como um “sinal de identificação, afirmação e respeito”.
“Com um estilo de vida diferente dos chineses, criou-se uma singularidade numa sociedade predominantemente chinesa de Macau e naturalmente também gerou uma série de culturas próprias. Têm a sua língua crioula, conhecida como patuá – de base portuguesa com substrato do cantonês, malaio e cingalês – e a sua gastronomia, considerada por muitos como uma genuína gastronomia de fusão. Este conjunto de cultura particular mostra o carácter especial da RAEM”, referiu o director do diário de maior tiragem de Macau.
Lok Po indicou também que a integração dos macaenses o mais rapidamente possível na família chinesa seria um sinal de identificação, afirmação e respeito para com a comunidade macaense, o que permitiria que os descendentes macaenses vivam em Macau com tranquilidade, facilitando a solidariedade comunitária e a estabilidade social de Macau, bem como destacando as características de ‘Um País, Dois Sistemas’.
Fão quer homenagear Lok Po na próxima assembleia geral da APOMAC
Jorge Fão gostou tanto da iniciativa de Lok Po que, na próxima assembleia geral da APOMAC, a 12 de Abril, quer homenagear o deputado de Macau à APN por este gesto que teve para com a comunidade macaense. Jorge Fão adiantou também ao PONTO FINAL que outra das individualidades que será homenageada na assembleia geral é Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, que terá resolvido vários problemas dos associados da APOMAC junto da Caixa Geral de Aposentações.
PONTO FINAL












