Gonçalo Lobo Pinheiro
Em Truskavets, a 60 quilómetros da Polónia, três missionários Claretianos “fazem o que podem” para ajudar milhares de ucranianos a fugirem à guerra. A missão, “com capacidade limitada”, conforme afirmou o Superior Provincial da Polónia, padre Piotr Beza, está agora a receber ajudas monetárias e bens essenciais. A congregação vai, essencialmente, ajudar em duas direcções: junto dos refugiados ucranianos já na Polónia, que, no futuro, podem ser vários milhões, e ainda, no palco de guerra, na Ucrânia.
Os missionários católicos Claretianos estão a promover uma iniciativa de ajuda aos refugiados ucranianos que estão a chegar à Polónia. “Os nossos missionários na Polónia estão, neste momento, a ajudar um grande número de refugiados ucranianos que estão a fugir da guerra. Eles precisam, urgentemente, de apoio” pode ler-se, em forma de apelo, no cartaz da angariação de fundos, tonado público nas redes sociais dos missionários católicos Claretianos em Macau.
No terreno a missão é composta por três missionários claretianos: o padre Wojciech Kobylinski, o padre Krzysztof Labedz e o irmão Marcin Kukus. A coordenação fica a cargo do primeiro que é o Superior no terreno. A missão claretiana está situada a cerca de 1.400 quilómetros da zona de maior conflito, sob os cuidados dos missionários da congregação oriundos da Polónia.
Escrevia, recentemente, o padre Piotr Beza, Superior Provincial da Polónia, depois de auscultar aqueles três irmãos no terreno, que em Truskavets, a 60 quilómetros da fronteira com a Polónia, “o maior medo é que as tropas bielorussas, aliadas da Rússia, também invadam a Ucrânia”. “Desde o dia 28 de Fevereiro que muitos refugiados do leste da Ucrânia estão a chegar a Truskavets e os nossos irmãos estão a tentar ajudá-los com lugares para se alojarem ou então para entrarem na Polónia. Também em nossas casas e comunidades claretianas, recebemos mães com filhos vindos da Ucrânia. A missão na Polónia está a organizar uma colecta de fundos e outras necessidades básicas para enviá-los para a Ucrânia”, explica numa nota publicada na página oficial dos Claretianos em claretian.org, ao mesmo tempo que garante que “continuam as orações de todos pela situação actual e por tantas pessoas que estão a sofrer”.
Beza relata ainda que, na maior parte da Ucrânia, que é um país grande com cerca de 600 mil quilómetros quadrados, “a situação é realmente difícil porque os russos atacam e bombardeiam alvos militares, mas também casas e blocos de apartamentos, hospitais, escolas e jardins de infância; como por diversão, eles matam civis inocentes, incluindo mulheres e crianças”, acusa o Superior Provincial da Polónia, que constata ainda que “as necessidades estão a aumentar, mas a ajuda está a tornar-se mais organizada, tanto graças às autoridades municipais de Truskavets, como à ajuda da Polónia e de outros países”.
A missão na Ucrânia deixa claro que “não pode garantir uma contabilidade detalhada dos fundos recebidos”, uma vez que “a situação de guerra torna isso difícil”. “A nossa capacidade é limitada. Se isso for necessário para prestar ajuda, lamentamos, mas teremos que desistir, porque na Ucrânia os nossos irmãos não têm tempo nem força para lidar com a documentação de maneira detalhada e sistemática. A confiança deve ser suficiente, embora, é claro, tentaremos fazer tudo o que pudermos”, escreve ainda Piotr Beza, que acrescenta ainda que também “não podem dividir os fundos e, por exemplo, tirar fotos separadas dos itens comprados com dinheiro da Polónia e outros separados com dinheiro de Espanha ou de Itália”. “Por favor, desculpe-nos por isso também”.
Os Claretianos vão, essencialmente, ajudar em duas direcções: os refugiados na Polónia, que, no futuro, podem ser vários milhões, e na Ucrânia. “Se você deseja que o seu dinheiro vá apenas para os necessitados que continuam na Ucrânia, indique isso numa nota escrita junto da doação”, refere o Superior Provincial da Polónia.
Aqui no território, o padre Jijo Kandamkulathy está à frente do processo de angariação de fundos, através do programa Mother’s Meal Macau. Contudo, educadamente, disse ao PONTO FINAL que, de momento, não está disponível para tecer quaisquer comentários sobre este apoio oriundo de Macau destinado ao povo ucraniano.
Ainda assim, quem desejar ajudar monetariamente a missão católica pode depositar o valor monetário que entender nas contas dos Missionários Claretianos no Banco Nacional Ultramarino (BNU) com os números 9005755549 (para patacas) e 9005755566 (para dólares de Hong Kong).
Os missionários Claretianos, formalmente conhecidos como Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, são uma congregação religiosa católica fundada por António Maria Claret em 1849. Actualmente, o seu superior-geral é o padre Matthew Vattamattam. Estão presentes em Macau desde 2006.
PONTO FINAL











